DINHEIRO E CARGO

MP denuncia ex-PM por extorsão contra prefeito da região de Rio Preto

Segundo a vítima, o acusado disse fazer parte de um grupo especializado em monitorar autoridades

por Joseane Teixeira
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
Dinheiro, arma e celular apreendido com ex-vereador (Polícia Militar / Divulgação)
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Dinheiro, arma e celular apreendido com ex-vereador (Polícia Militar / Divulgação)
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O Ministério Público de Votuporanga denunciou o ex-vereador e policial militar aposentado André Luís Machado Borges pelo crime de extorsão com emprego de arma de fogo contra o prefeito de Cardoso, Luis Paulo Bednarski Pedrassolli. Preso em flagrante no começo do mês, cabo Borges, como é conhecido, foi levado para o presídio militar Romão Gomes. Ele nega o crime.

Segundo a denúncia do promotor José Vieira da Costa Neto, ele teria exigido R$ 5 mil e um cargo para não divulgar imagens que, supostamente, comprovariam uma traição conjugal.

O prefeito denunciou o caso à polícia e Borges foi preso no dia 2 de março, quando saía do prédio da Prefeitura de Cardoso com o dinheiro. Com ele havia também uma pistola calibre 9 milímetros municiada e registrada em seu nome.

A caminhonete do ex-vereador, estacionada em frente ao prédio, também foi vistoriada. No veículo, os policiais apreenderam mais dois celulares e um simulacro de arma de fogo. Questionado sobre a extorsão, o ex-vereador negou as acusações e afirmou que o dinheiro seria um adiantamento por um serviço que prestaria à prefeitura. Após ser preso em flagrante, ele teve a prisão preventiva decretada em audiência de custódia.

Dinâmica do crime

De acordo com o Ministério Público, o caso teve início no dia 22 de fevereiro, quando o denunciado encontrou-se pessoalmente com o prefeito na Praça da Matriz da cidade e pediu para falar em particular. Sem saber do que se tratava, Luís Paulo concordou em receber o cabo Borges em sua casa.

No endereço, o ex-pm teria dado indicativos de que estava monitorando os passos e ações do prefeito, dizendo detalhes de uma viagem que ele fez a Rio Preto, em compromisso político. “Cabo Borges tinha os horários, locais, deslocamentos e acompanhantes da vítima, acrescentando à vítima que o espionava há 60 dias, circunstância que assustou e amedrontou a vítima. Como se não bastasse, Cabo Borges afirmou que fazia parte de um grupo especializado em monitorar autoridades, sendo uma delas o Prefeito Municipal de Votuporanga”, consta em trecho da denúncia.

Em determinado momento da conversa, segundo relato do prefeito, o ex-vereador teria exibido imagem que tinha no celular mostrando a vítima saindo de um hotel em Rio Preto, acompanhado de um assessor e uma moradora de Cardoso, dizendo a suposta prova indicaria relacionamento extraconjugal, o que poderia prejudicá-lo politicamente, além de trazer problemas para o casamento.

No dia 27 de fevereiro, a Promotoria de Justiça de Cardoso, após receber a representação criminal da vítima, oficiou à Delegacia Seccional de Polícia de Votuporanga para a instauração de investigação sobre os fatos.

No dia 1º de março, cabo Borges teria telefonado para o prefeito exigindo R$ 5 mil para pagar dívidas de uma caminhonete. “A vítima, amedrontada, cedeu, ficando certo de que, no dia seguinte, o denunciado deveria dirigir-se à Prefeitura Municipal”, consta na denúncia.

A Polícia Militar foi acionada assim que o homem deixou o gabinete.

Em nota, a defesa de André Luis Machado Borges afirma que ele é inocente da acusação de extorsão que fundamentou sua prisão.

“Os fatos serão esclarecidos no processo, inclusive diante das circunstâncias em que ocorreu o flagrante. A defesa já está adotando as medidas judiciais cabíveis para o restabelecimento da liberdade do acusado”, informaram os advogados Augusto Cunha Junior e Luciano Macri Neto.

A reportagem apurou que a defesa já ingressou com pedido de revogação imediata da prisão preventiva.

“O Acusado é primário, de bons antecedentes, possui residência fixa e profissão definida. Em caso de uma remotíssima condenação, a pena-base seria fixada no mínimo legal, o que jamais resultaria em regime inicial fechado”, consta em trecho da petição.

O pedido, bem como a denúncia do MP, ainda serão analisados pela Justiça de Votuporanga.