MP denuncia ex-bispo de Catanduva por importunação sexual contra padre
De acordo com a denúncia, o então bispo teria se aproveitado da posição hierárquica para constranger a vítima, com ameaças veladas de punições religiosas

O Ministério Público do Estado de São Paulo denunciou, nesta terça-feira, 28, o ex-bispo de Catanduva Valdir Mamede por crimes de natureza sexual contra um padre. Os fatos teriam ocorrido entre 2019 e 2023, em Ibirá e Catanduva.
De acordo com a denúncia, assinada pelo promotor Caíque Ducatti, o então bispo teria se aproveitado da posição hierárquica para constranger a vítima, com ameaças veladas de punições religiosas, como transferência de paróquia ou impedimento do exercício sacerdotal.
O Ministério Público descreve quatro episódios principais. Entre 2019 e 2022, o acusado teria se despido diante da vítima sob pretexto de cuidados pessoais, praticando atos libidinosos sem consentimento. Em setembro de 2022, o padre foi chamado para dormir na residência episcopal e, durante a noite, teria sido atacado, com beijos forçados, mordidas e prática de sexo oral.
Ainda segundo a denúncia, entre 2022 e 2023, o investigado realizava chamadas de vídeo em que aparecia nu e se masturbava, mesmo sem consentimento. Em fevereiro de 2023, ele teria ido até a casa da vítima embriagado, tentado agarrá-la. Material biológico recolhido no local foi submetido a exame de DNA, que confirmou perfil genético masculino.
O ex-bispo foi denunciado por importunação sexual, com agravantes de continuidade delitiva e abuso de autoridade. O Ministério Público também pediu indenização mínima de R$ 300 mil por danos morais.
A promotoria recusou acordo de não persecução penal e suspensão do processo, citando a repetição dos fatos ao longo de cinco anos e indícios de condutas semelhantes contra outros seminaristas.
Foram solicitadas medidas cautelares, como proibição de contato com a vítima e testemunhas, distanciamento mínimo de 500 metros, restrição de acesso à diocese e entrega do passaporte. O descumprimento pode resultar em prisão preventiva.
A denúncia será analisada pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Catanduva.