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Motoboy salva criança autista encontrada em rua movimentada durante a madrugada em Rio Preto

"Estava voltando da última corrida quando vi um menino no meio da rua", conta; a moto dele foi a estratégia para distrair a criança não-verbal até a chegada da PM

por Joseane Teixeira
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
Central de Flagrantes (Colaboração/Leitor)
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Um motoboy de 19 anos salvou a vida de uma criança autista de 7 anos, que foi encontrada sozinha na madrugada desta sexta-feira, 3, no bairro Anchieta, em Rio Preto. O menino, não-verbal, estava no meio da via, na rua Josina Teixeira de Carvalho. Ao Diário, a mãe da criança afirmou que o filho está com a medicação desregulada.

Patrick de Lima Silva trabalha como entregador e contou que voltava para casa depois da última corrida quando, por volta das 4h, assustou com a presença de uma criança no meio da rua Josina Teixeira de Carvalho, a principal via de acesso entre os bairros Anchieta e Jaguaré.

“Olhei em volta, não havia ninguém, nenhum portão aberto. A rua estava escura e deserta. Dei a volta e parei para conversar com a criança, mas percebi que o menino era ‘especial’. Ele não falava nada, mas estava muito calmo e até sorridente”, conta.

O motoboy ligou para a Polícia Militar e, enquanto aguardava a chegada da equipe, tentou distrair o menino.

“Mostrei um vídeo no celular, mas ele não se interessou, queria mesmo era ver a moto. Então fiquei mostrando as luzes e ele adorou. Estava até sorridente”, conta.

O rapaz seguiu para casa após policiais militares, acompanhados de uma conselheira tutelar, acolherem a criança. A notícia sobre a localização da mãe deixou o motoboy feliz e aliviado.

“Passado o susto, fico pensando no perigo que esse menino correu. Vários carros passaram rápidos pela rua, pessoas voltando de balada, dependentes químicos que transitam pelo trecho. Fico feliz de estar na hora certa, no lugar certo”, disse.

Ao Diário, Rebeca Marques contou que o filho achou a chave e conseguiu sair de casa. “Quando eu acordei a porta estava aberta e ele fugiu de casa. Aí eu liguei pra polícia, a sorte que era a Janaína Albuquerque que estava lá no Conselho, porque ela me conhece. Já tinham levado meu filho para a Casa Abrigo, e aí ela trouxe ele aqui pra mim, graças a Deus”, disse.

Segundo a mãe, o menino só machucou o pé por andar descalço. Pelo endereço da casa dela até o local onde a criança foi encontrada, a reportagem apurou que ele caminhou 130 metros.

Rebeca afirma que está aguardando consulta com especialista para tentar ajustar a medicação do filho. O coquetel administrado a ele tem provocado efeitos adversos como gastrite, irritação e perda de peso.

“No dia da consulta ele não pôde comparecer porque estava doente, e aí eu estou tentando remarcar. Consegui para o final do mês a neurologista, para ver se ela passa uma endoscopia, alguma coisa para ele, ou faz o ajuste da medicação”, explica.

Ela também disse que aguarda decisão judicial para fornecimento de óleo de canabidiol.