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LESÃO CORPORAL

Motoboy acusa advogado de agressão durante entrega de comida em Rio Preto

Ele afirma que foi atacado com uma faca

por Joseane Teixeira
Publicado em 22/06/2026 às 09:39Atualizado em 23/06/2026 às 17:43
O caso foi registrado na Central de Flagrantes, em Rio Preto (Joseane Teixeira/Arquivo)
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O caso foi registrado na Central de Flagrantes, em Rio Preto (Joseane Teixeira/Arquivo)
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A Polícia Civil vai instaurar inquérito para investigar as circunstâncias de um suposto ataque a faca praticado por um advogado contra um motoboy durante delivery de comida. O caso aconteceu no sábado, 20, no bairro Vila Dório, em Rio Preto.

De acordo com o entregador de 55 anos, ele foi acionado pela plataforma para realizar uma entrega de pasteis, no entanto, ao chegar no endereço, constatou que o cliente era um advogado de 38 anos, com quem já teve desentendimento anterior, relacionado a uma briga de trânsito.

O motoboy afirma que tentou deixar o local ao perceber que o advogado parecia agressivo, mas a moto falhou e ele acabou agredido pelo advogado, que estaria armado com uma faca. Uma mulher que acompanhava o morador teria participado da agressão.

Consta no boletim de ocorrência que, para se defender, o entregador segurou a lâmina e sofreu ferimentos nas mãos.

Ele diz ainda que uma viatura da Polícia Militar esteve no local, mas a equipe se limitou a revistá-lo, sem conduzir as partes para a delegacia.

O caso foi registrado como lesão corporal, podendo ser alterado para tentativa de homicídio de acordo com o que apontar o laudo pericial de corpo de delito.

Em nota, a Polícia Militar informa que, em 20 de junho de 2026, por volta das 15h30, houve solicitações através do telefone de emergência '190', informando uma briga entre indivíduos.

"As unidades de serviço compareceram no local e realizaram as verificações necessárias para garantir a segurança das equipes e dos envolvidos, sendo as partes orientadas quanto às providências legais cabíveis".

Atualização 23/06/2026 às 17h30

Relato do advogado

No último sábado, dia 20 de junho, data do meu aniversário, realizei um pedido de pastéis pelo aplicativo iFood, de uma loja localizada no centro de São José do Rio Preto. Quando o entregador chegou à minha residência, fui atendê-lo normalmente. Em um primeiro momento, eu não o reconheci como a mesma pessoa envolvida em uma ocorrência anterior, registrada no início do ano. Contudo, percebi que ele me reconheceu, pois ficou visivelmente estranho, hesitante e gaguejando.

Diante daquela situação, eu o cumprimentei normalmente, dizendo “boa tarde” e perguntando se estava tudo bem. Foi então que ele afirmou que não poderia realizar a entrega. Ao questioná-lo sobre o motivo, ele perguntou se eu era advogado. Confirmei que sim e perguntei o que uma coisa teria a ver com a outra. Ele, então, afirmou que não faria a entrega “por segurança”, dizendo que tinha medo do que eu poderia fazer contra ele depois.

Nesse momento, fiquei indignado, pois o entregador estava na porta da minha casa, com o meu pedido, recusando-se a entregar a comida por uma justificativa absolutamente sem sentido. Eu me irritei e disse para ele ir embora, já que não faria a entrega. Não houve, naquele primeiro momento, qualquer agressão física da minha parte. Após ele sair da frente da minha residência, entrei em casa e comecei a tentar resolver a situação pelos meios corretos: primeiro pelo iFood, depois por contato telefônico com o próprio estabelecimento.

Liguei para a loja e expliquei o ocorrido, inclusive informando que havia percebido, só depois, que se tratava da mesma pessoa envolvida em uma ocorrência anterior. A loja me informou que, pelo sistema, o pedido ainda constava “em trânsito”, razão pela qual nada poderia fazer naquele momento. Enquanto eu ainda falava com a loja, recebi ligação do iFood, que também me informou que o entregador ainda constava em trânsito.

Pouco depois, recebi mensagem oficial do iFood pelo WhatsApp informando: “Oba, seu pedido chegou”, dizendo que eu teria até 10 minutos para pegar o pedido no local informado e que, depois desse prazo, o pedido poderia ser cancelado e não reembolsado. Essa mensagem é importante porque mostra que a situação estava sendo registrada como se o entregador estivesse aguardando no local e eu não tivesse ido receber o pedido, o que não corresponde à realidade. Eu havia ido atender, e ele se recusou a entregar.

Diante disso, entendi que ele ainda estava nas proximidades da minha residência, provavelmente dentro do raio de GPS necessário para simular a entrega ou justificar o cancelamento sem reembolso. Como eu já havia sido vítima de uma situação anterior envolvendo essa mesma pessoa, e diante da recusa injustificada da entrega, saí de casa para tentar localizá-lo e entender o que estava acontecendo. Ao virar a esquina, encontrei o entregador ainda próximo do local.

Quando ele percebeu que eu o havia localizado, tentou sair com a motocicleta, mas aparentemente a moto não funcionou. Eu me aproximei para impedir que ele simplesmente fosse embora sem entregar o pedido e sem esclarecer a falsa informação que estava sendo lançada no aplicativo. Houve contato físico nesse contexto de contenção e discussão, mas é falsa a narrativa de que houve tentativa de homicídio, uso de faca, agressão gratuita ou ataque premeditado.

A partir desse momento, o entregador passou a gritar por socorro e a dizer que estavam tentando matá-lo, criando uma cena desproporcional à realidade dos fatos. Pessoas que passavam pelo local pararam e a Polícia Militar foi acionada. Quando uma viatura do BAEP chegou, os policiais ouviram as partes, apaziguaram a situação, orientaram todos sobre a possibilidade de registro de boletim de ocorrência e liberaram os envolvidos no próprio local. Não houve prisão, condução coercitiva ou qualquer constatação imediata de tentativa de homicídio.

Também é falsa a afirmação de que uma mulher que estava comigo teria praticado agressões contra o entregador ou utilizado qualquer faca. Não houve faca. Não houve tentativa de homicídio. Não houve qualquer ação planejada para agredir o entregador. O que houve foi uma situação provocada pela recusa injustificada da entrega, seguida da tentativa de registrar no aplicativo uma versão como se o pedido estivesse disponível e eu não tivesse comparecido para recebê-lo.

É importante esclarecer ainda que a ocorrência anterior mencionada não foi uma agressão praticada por mim contra ele. Ao contrário: naquele episódio, eu e outra pessoa figuramos como vítimas em boletim de ocorrência/inquérito envolvendo o mesmo entregador, em razão de uso de spray e ofensas, inclusive com possível conotação racial. Portanto, a tentativa de apresentar o caso anterior como se eu estivesse inconformado com algum arquivamento ou como se quisesse vingança não corresponde aos fatos.

Em resumo, minha versão é simples: eu pedi comida pelo iFood no dia do meu aniversário; o entregador chegou, me reconheceu e se recusou a entregar; depois permaneceu nas proximidades e o sistema passou a indicar que o pedido havia chegado e que eu poderia perder o reembolso se não fosse buscá-lo; ao localizá-lo, tentei impedir que ele fosse embora sem esclarecer a situação; ele passou a se vitimizar e, posteriormente, registrou uma versão distorcida dos fatos, com acusações graves que não correspondem ao que aconteceu.

Estou à disposição para apresentar os prints, imagens e demais elementos que demonstram a sequência dos fatos, especialmente a mensagem do iFood, as imagens internas da residência e o histórico anterior envolvendo o mesmo entregador.