Morre Paulo Serra Martins, um dos pioneiros do rádio rio-pretense
Ao lado do jornalista Adib Muanis, ele cobriu a inauguração de Brasília

Morreu nesta quarta-feira, 11, aos 92 anos, o repórter e escritor Paulo Serra Martins que, embora tenha nascido em Limeira, ajudou a escrever a história do radiojornalismo rio-pretense.
Paulo estava internado em um hospital particular da cidade, onde tratava uma pneumonia.
Em texto que presta homenagem ao legado do repórter, o jornalista Adib Muanis Júnior lembrou que Paulo Serra Martins cobriu, ao lado do seu pai Adib Muanis, a inauguração de Brasília, em 1960. A perspicácia da dupla rendeu uma entrevista exclusiva com o presidente Juscelino Kubitschek.
“Vamos imaginar as precárias condições de transporte na época. Pois lá foram eles: avião, traseira de caminhão, ônibus, malas e equipamentos (um gravador enorme, com fita de rolo, fios, microfone). Adib fazia as entrevistas, Paulo manuseava o gravador. Cada espaço e cada personagem eram disputados pela imprensa do Brasil e do mundo. De repente, a dúvida: como provar para os ouvintes que a dupla estava mesmo em Brasília? Vamos entrevistar o presidente, decidiram. Com um baita esforço, entre pisões, cotoveladas e empurrões furaram a aglomeração em torno de JK, o fio que ligava o microfone ao gravador esticado até o limite e, finalmente, uma fala exclusiva do presidente do Brasil aos rio-pretenses. Que aventura! Que aula de profissionalismo!”, escreveu.
Na crônica “Nas ondas da B8”, Jocelino Soares registra que “Paulinho” ou “Pablito” como era chamado pelos amigos, iniciou na profissão pelas mãos do professor Jorge Khauan, que o apresentou aos microfones da rádio em junho de 1950, no programa "B8 nos esportes". Com talento, desenvoltura e uma cumplicidade genuína com o público, ele ganhou o quadro "O ouvinte faz o programa", líder de audiência.
Paulo também trabalhou nas rádios Independência AM e Anchieta, na TV Rio Preto (agora Record), na TV Paulista (atual Rede Globo) e foi repórter nos jornais Correio da Araraquarense, Diário da Região e A Notícia. Ele conclui a carreira como assessor de imprensa da Câmara Municipal de Rio Preto entre 1995 e 1998.
As memórias da época áurea do rádio rendeu o livro “Nas Ondas da B8, História do Rádio”, da editora THS, cujo lançamento foi prestigiado por grandes nomes do jornalismo rio-pretense e autoridades políticas, conforme conta o filho Wladimir.
“Pablito era um homem amável, gentil. Nunca vi ele falando alto com ninguém. O conheci na época do rádio e, mesmo anos depois, continuamos amigos”, lembra o radialista e político Antônio Carlos Parise.
A filha Vânia menciona que o pai permeou o meio político sem alimentar desafetos. “Era um profissional imparcial, que respeitava todas as ideologias. Ele teve o privilégio de trabalhar com o que amava”, destaca.
A paixão pelo rádio se manteve viva, mesmo com a evolução da tecnologia. “Ele brincava com a Alexia (assistente virtual) pedindo músicas e brincando que estava apresentando um programa de rádio. Seus gêneros preferidos eram música clássica e bolero”, completa a outra filha, Vânia.
Paulo deixa a esposa Elizabete, três filhos (Vânia, Vinícius e Wladimir), além de quatro netos e quatro bisnetos.
A despedida será realizada nesta quarta-feira, 11, na Capela Prever e o sepultamento está agendado para 17h no Jardim da Paz.