SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUARTA-FEIRA, 06 DE JULHO DE 2022
Novela da vida real

Moradora de Rio Preto diz ser a verdadeira 'Dona do Pedaço' e processa Globo em R$ 15 milhões

Sandra Campos diz que a novela A Dona do Pedaço, protagonizada por Juliana Paes, foi inspirada na vida dela

Joseane Teixeira
Publicado em 17/05/2022 às 14:06Atualizado em 17/05/2022 às 16:02
Sandra pediu liminar para garantir o direito de poder usar o pseudônimo "dona do pedaço" (Johnny Torres 17/5/2022)

Sandra pediu liminar para garantir o direito de poder usar o pseudônimo "dona do pedaço" (Johnny Torres 17/5/2022)

Uma cozinheira de Rio Preto está processando a Globo em R$ 15 milhões por plágio. Sandra Rodrigues Campos, 52 anos, está convencida de que a novela A Dona do Pedaço, exibida em 2019 e protagonizada pela atriz Juliana Paes, foi inspirada na história de vida dela. A ação, que corre na 5ª Vara Cível de Rio Preto, reúne diversas “coincidências” entre a trama e a biografia da anônima.

O principal detalhe que sustenta o processo de indenização por danos morais, materiais e lucros cessantes está no fato de a emissora ter comprado a marca “A Dona do Pedaço”, que pertencia ao empresário de Sandra, em 2019. Em maio do mesmo ano, Sandra fez uma postagem no Facebook chamando atenção para as semelhanças entre a novela e a vida dela.

"Resta claro e nítido que a empresa ré tinha todo conhecimento da história da autora e que a mesma era conhecida como a DONA DO PEDAÇO. Logo, a empresa ré não comprou apenas a marca e sim toda história da autora", consta em trecho da petição inicial, produzida pelo advogado Robson de Abreu Barbosa.

Segundo a ação, assim como a protagonista Maria da Paz, Sandra aprendeu a cozinhar com a avó e teve um conflito familiar por arma de fogo: enquanto a cozinheira de Rio Preto perdeu a mãe, Maria da Paz teve parentes assassinados em virtude de uma rixa entre famílias rivais: os Ramirez e os Matheus.

Para a cozinheira, também não é coincidência que ela tenha nascido em Rio Verde, no interior de Goiás, e a trama da novela comece em Rio Vermelho, no estado do Espírito Santo.

Sandra se muda para Rio Preto em busca de uma vida melhor e começa a vender bolos para sobreviver. Maria da Paz se muda para São Paulo e se torna uma famosa boleira.

Já formada em jornalismo, em 2004, Sandra lançou, em um canal de TV por assinatura, um programa culinário chamado A Dona do Pedaço, onde produzia pratos e interagia com convidados.

O advogado juntou na ação fotos de matérias em revistas, colunas sociais e anúncios publicitários para sustentar que a cliente era conhecida em Rio Preto como "a dona do pedaço".

"Eu procurei a emissora várias vezes. Tenho até os protocolos de atendimento. Na época, eu queria apenas o reconhecimento de que a novela foi inspirada na minha vida, mas nunca tive resposta. Me senti desprestigiada", disse Sandra em entrevista por telefone, nesta terça-feira. A mulher disse que foi incentivada por amigos a judicializar a questão.

Os danos materiais são justificados pelo fato de a emissora, supostamente, ter utilizado o nome artístico e a história de vida de Sandra sem autorização cabível. Os lucros cessantes estariam relacionados à falta de repasse relacionado aos direitos autorais. E os danos morais, por Sandra não poder mais utilizar o nome pseudônimo A Dona do Pedaço, "sob pena de estar plagiando algo que lhe foi plagiado".

Para cada quesito, o advogado pede R$ 5 milhões, dando à causa o valor total de R$ 15 milhões.

Abreu solicitou ainda tutela de urgência para que Sandra possa utilizar o nome artístico, mas o pedido foi negado pelo juiz Lincoln Augusto Casconi, que citou a Globo para que se manifeste antes de decidir sobre a questão.

Juliana Paes interpretou a boleira Maria da Paz na novela 'A Dona do Pedaço' (TV Globo)

Globo se defende

Na semana passada, o escritório Afonso Ferreira Advogados, contratado pela Globo Comunicação e Participações S.A., contestou a ação.

Na manifestação, os advogados argumentam que a biografia de Sandra não foi registrada em nenhuma obra intelectual, como livro, que a cozinheira nunca foi dona da marca, mas, sim, o empresário dela. Afirmam ainda que o nome da novela é definido pela equipe de marketing da emissora e citam que o autor, Walcyr Carrasco, tinha sugerido que a trama fosse intitulada "Dias Felizes".

"Quanto à ideia de usar uma confeiteira na trama, mencione-se que, ainda na fase de desenvolvimento do enredo, Walcyr Carrasco e Juliana Paes visitaram duas pessoas as quais através de bolos caseiros se desenvolveram profissional e economicamente: a Sra Maria Gorete Frontino e  Sra Cleusa Maria da Silva", mencionam os advogados, que juntaram duas reportagens para comprovar a alegação:  "Maria da Paz da vida real: quem é a capixaba que inspirou autor da Globo" e "'Maria da Paz da vida real', ex-boia-fria vira milionária vendendo bolos".

Por meio do advogado, Sandra registrou na petição que tem interesse em uma conciliação.

O juiz Casconi deverá avaliar a contestação e decidir se agenda a primeira audiência do caso ou solicita mais esclarecimentos pelas partes.

A reportagem solicitou nota oficial da emissora sobre o processo e aguarda resposta.

 
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