SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | TERÇA-FEIRA, 26 DE OUTUBRO DE 2021
NATURAL

Mais dois lobos-guará nascem no Zoológico de Rio Preto

As duas fêmeas nasceram há pouco mais de um mês; reabertura do Zoológico para visitação está prevista para o mês de outubro

Núcleo Digital
Publicado em 17/09/2021 às 14:39Atualizado em 17/09/2021 às 14:45
Filhotes de lobo-guará que nasceram no Zoológico de Rio Preto (Divulgação/Prefeitura de Rio Preto)

Filhotes de lobo-guará que nasceram no Zoológico de Rio Preto (Divulgação/Prefeitura de Rio Preto)

Mais dois lobos-guará nasceram no Zoológico de Rio Preto no dia 8 de agosto. Esta é a segunda cria da espécie no local em pouco mais de um ano. Os filhotes são duas fêmeas, nascidas de parto natural e resultado de cruzamento do casal de lobos Pluto, de 9 anos, e Vitória, de 5 anos.

Os animais são da espécie Chrysocyon brachyurus, nativa da América do Sul. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, responsável pelo Zoo, as lobinhas desta nova cria nasceram pesando 306 e 385 gramas e agora já estão com 1,8 kg, cada, conforme pesagem feita na última quinta-feira, 16.

"Com pouco mais de um mês de vida, já estão começando a se alimentar como os pais, com frutas; em breve passarão a receber também carne, o que faz parte da dieta onívora da espécie, além de seguirem mamando", informou a pasta. "A mamãe loba, também está bem", completou.

A gestação do lobo-guará dura 63 dias e a concepção das lobinhas nas duas crias, ocorreram no período da quarentena, período em que o Zoológico se mantém fechado para o público. A previsão, segundo a Secretaria de Meio Ambiente, é de que o local seja reaberto para visitação do público no mês de outubro.

"As duas lobas-guará nascidas no Zoo de Rio Preto no ano passado foram encaminhadas para centros de conservação da espécie, uma para o Bioparque do Rio de Janeiro e outra para o Zoo de Gramado/RS. O destino das duas lobinhas que nasceram em agosto último deverá ser o mesmo, o encaminhamento para instituições de conservação parceiras", informou a pasta.

(Com informações de Secretaria Municipal de Meio Ambiente)

Lobos-guarás no Zoo

Lobo-guará que vive no Zoológico de Rio Preto

No Zoológico de Rio Preto, Pluto e Vitória e agora também os filhotes são mantidos em um recinto grande, com mais de 200 m² onde recebem alimento de qualidade, sendo 60% da dieta composta por frutas frescas e 40% de carne. As maiores necessidades para os lobos em cativeiro, são os desafios comuns a outros animais, a falta de dinâmica do ambiente em que vivem. Para suprir isso, o Zoológico mantém um Programa de Bem-estar Animal, por meio do qual fornece aos animais, diversas atividades diárias de enriquecimento ambiental e condicionamento operante. O objetivo é diminuir períodos de estresse e melhorar os episódios onde precisem ser manejados de alguma forma. O manejo diário de limpeza, fornecimento de alimentos e condicionamentos que envolve pessoas, é tranquilo. Os animais não demonstram aversão aos tratadores, nem aos treinadores e, em alguns momentos, gostam de interagir, principalmente durante treinamentos.

As atividades com os lobos adultos são realizadas com uso de ferramentas como clicker, apito e target. Tais ferramentas são marcadores e direcionadores para que os animais aprendam quais os comportamentos devem executar. Os lobos estão sendo treinados para ficarem parados em um local restrito, permitindo que esse treinamento evolua o toque dos treinadores no animal. Para isso, é utilizado um som como marcação de uma recompensa. Assim, o animal se mantém parado no local desejado, escuta o som do clicker e recebe uma recompensa (pedaço de carne), reforçando assim o comportamento de permanecer no local.

Sobre a espécie

Filhotes de lobo-guará que nasceram no Zoológico de Rio Preto

De acordo com a Associação O Eco, apesar das semelhanças morfológicas, o lobo-guará é uma espécie distinta, não pertencente aos gêneros Canis (cães, lobos, coiotes e chacais) ou Vulpes (raposas), que formam a família Canidae. O lobo-guará é um gênero com espécie única.

O lobo-guará é o maior canídeo nativo da América do Sul: mede até 1m de altura; 1,20 a 1,30m de comprimento do corpo e seu peso pode chegar de 20 e 23 kg. Sua pelagem vermelho-dourada, membros longos e caminhar peculiar, podem ser vistos nas áreas de vegetação aberta (campos, cerrados e florestas de cerrado) por toda a América do Sul Central, desde o nordeste do Brasil até o norte do Uruguai.

Onívoro, o lobo-guará é um importante dispersor de sementes e se alimenta também de pequenos mamíferos, aves, insetos e répteis. É territorialista, tem hábitos solitários e forma casais apenas para reprodução, período em que a fêmea não sai da toca e é alimentada pelo macho. A gestação dura em média 65 dias e resulta em ninhadas de até seis crias, embora o número médio seja de dois animais por cria. Os filhotes nascem pretos, com a ponta da cauda branca e pesam entre 300 e 410g. Ambos os pais cuidam da sua prole, até, pelo menos, um ano, quando as crias atingem sua maturidade sexual.

A perda de habitat, principalmente, aliada à caça predatória e a expansão da agricultura (conflitos devido a predações ocasionais do lobo-guará sobre animais domésticos) e até atropelamentos são as principais ameaças às populações de lobo-guará, que têm sofrido um declínio significativo. Eles são classificados pela IUCN como "Quase ameaçados" (Near Threatened) e pelo ICMBio, como "Vulnerável à extinção", sendo objeto de um plano de ação nacional cujo objetivo é a sua conservação.

Preservação espécie

Filhotes de lobo-guará que nasceram no Zoológico de Rio Preto

Esses animais integram um programa de conservação da espécie Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) firmado entre a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil – AZAB, ao qual o Zoológico de Rio Preto é membro, em parceria com o Instituto Chico Mendes para Conservação da Biodiversidade – ICMBio. Este programa faz parte de um Plano de Ação Nacional – PAN para conservação de diversas espécies animais in-situ (natureza) e ex-situ (cativeiro) coordenado pelo ICMBio. As lobinhas devem ser encaminhadas a outras instituições para contribuição com o programa de conservação e reprodução da espécie, que é ameaçada de extinção.

Histórico da família

O pai das ninhadas, o macho Pluto, chegou no Zoo em junho de 2012, com cerca de dois meses de idade, encaminhado pela Polícia Ambiental de Fernandópolis. Foi colocado com uma fêmea já existente no local, que tinha vindo de transferência do Zoo de Bauru e que morreu dois anos depois, não tendo se reproduzido no período.

Já a mãe, a fêmea Vitória, deu entrada no Zoo em junho de 2016, com cerca de dois meses de idade, encaminhada pela Polícia Ambiental de Votuporanga. À época, apresentava uma fratura na pata traseira, que foi consolidada com leve desvio. Foi mantida em um recinto, ao lado do macho por cerca de oito meses e, posteriormente, foram colocados juntos. Em julho de 2018, deu cria ao seu primeiro filhote que, devido à inexperiência, morreu dois dias depois. Em abril de 2019, o casal foi  transferido de recinto e, em julho de 2020, nasceram as duas fêmeas da primeira cria saudável. Agora, em 2021, veio a nova gestação e cria de mais dois filhotes, também com sucesso.

 
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