Diário da Região
PERIGO

Campanha alerta para os riscos de jogar bituca de cigarro pela janela do carro

Além de poluir o meio ambiente, há risco de iniciar incêndio em vegetação seca

por Tatiane Domingues
Publicado em 08/04/2024 às 23:52Atualizado em 09/04/2024 às 09:16
reciclagem das bitucas (Divulgação)
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reciclagem das bitucas (Divulgação)
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Mais de 35 mil bitucas de cigarro foram recolhidas na BR-153, no trecho que corta o estado de São Paulo, em 2023. Esse material foi descartado nas bituqueiras disponibilizadas pela concessionária que administra o trecho. No mesmo período, em todo o Estado, o Corpo de Bombeiros atendeu cerca de 25 mil chamados de incêndios. Muitos se iniciam às margens de rodovias e podem ser decorrentes de bitucas de cigarros jogadas pelos motoristas, como afirma o capitão da Polícia Ambiental em Rio Preto Luiz Octávio Cavalheiro. “Lançada ainda acesa, principalmente perto de material vegetal seco, pode causar incêndio.”

As bituqueiras estão nas bases de atendimento aos usuários da concessionária desde de 2021 e, no ano passado, bateu o recorde de material recolhido. As 35 mil bitucas de cigarro são enviadas para uma empresa recicladora e viram massa de celulose, ou mais conhecido como “papel reciclável”, que depois se torna matéria-prima para confecção de artesanatos em geral.

Além de evitar a contaminação do solo, da água e focos de incêndio às margens da rodovia, o projeto destina corretamente esse tipo de resíduo já que as bitucas são feitas de acetato de celulose, um poliéster que pode levar até 25 anos para se degradar na natureza. Estima-se que apenas um cigarro contenha mais de 4,7 mil sustâncias tóxicas, que contaminam o solo, rios e córregos. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), anualmente, mais de 4,5 trilhões de bitucas são descartadas no mundo.

Segundo a concessionária que recolhe esse material, todas as bitucas de cigarro são enviadas para Votorantim e depois de recicladas são distribuídas para instituições assistenciais da região que confeccionam artesanato como vasos, pratos, potes e cinzeiros que geram emprego e renda para pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Infrações

O capitão da Polícia Ambiental ressalta que a situação preocupa, principalmente neste período do ano, de abril até o começo de outubro. “O mato está mais seco, temos menos chuva e com isso a ignição da bituca de cigarro é mais rápida, cenário agravado pelo período de ventos constantes dessa mesma época.”

Apesar de difícil comprovação, ele alerta que muitas ocorrências de incêndios começam com bitucas descartadas por motoristas e passageiros, às margens de rodovias e lembra que pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), atirar do veículo ou abandonar na via objetos ou substâncias, como as bitucas ou pontas de cigarro, configura infração média com multa.

Fumar enquanto dirige também pode ser considerada uma infração, já que pelo artigo 252 é irregular dirigir com somente uma das mãos ao volante.

Risco à saúde

A Defesa Civil também acende o alerta nesta época do ano para o descarte das bitucas de cigarro às margens das rodovias. De acordo com o diretor em Rio Preto, Carlos Lamin, além do dano ambiental causado pelos incêndios, essas ocorrências também colocam em risco a saúde humana. “Pelo fato de termos muita poeira em suspensão devido à baixa umidade, junto a fuligem que vem com a fumaça, as pessoas mais afetadas são crianças, idosos e pessoas em problemas pulmonares, daí a importância de conscientização de motoristas e usuários das rodovias em não jogarem esse tipo de material nas vias.”

De acordo com a concessionária que administra a BR-153, o projeto das bituqueiras tem um caráter educativo sobre a importância de não jogar qualquer tipo de lixo na rodovia e de proporcionar uma opção adequada de descarte do resíduo. “Por serem instaladas nas sete Bases de Serviços Operacionais (BSOs) ao longo do trecho, as bituqueiras são uma opção para os usuários fumantes que fazem uma pausa na viagem para beber água, café ou usar o banheiro.”

A conscientização dos motoristas também é uma preocupação da Defesa Civil, que em parceria com as polícias militares e rodoviárias, e com a Guarda Civil Municipal em Rio Preto, fazem uma força-tarefa para levar informação aos condutores sobre os riscos tanto ao meio ambiente como para a saúde.

Risco de acidentes

Outra questão que envolve o descarte das bitucas de cigarro são os acidentes causados pelos incêndios próximos a rodovias. Lamin alerta para o risco de dirigir sob fumaça. “A pessoa, caso entre nessa cortina de fumaça, nunca deve parar o carro. Ela deve diminuir a marcha e seguir em linha reta.”

Ele reforça que o mais importante é parar o veículo no acostamento antes de entrar na área com fumaça. “Pare no acostamento, em segurança, ligue para o Corpo de Bombeiros e aguarde a fumaça se dissipar.”