SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUARTA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2021
MANIFESTO PELO RETORNO

Mães e pais se unem para pedir a volta das aulas presenciais na rede municipal de Rio Preto

Cidade continua com aulas remotas, enquanto escolas particulares e estaduais voltaram seguindo protocolos contra a Covid

Rone Carvalho
Publicado em 18/02/2021 às 20:43Atualizado em 06/06/2021 às 11:52
Cidade continua com aulas remotas, enquanto escolas particulares e estaduais voltaram seguindo protocolos contra a Covid (Johnny Torres 16/2/2021)

Cidade continua com aulas remotas, enquanto escolas particulares e estaduais voltaram seguindo protocolos contra a Covid (Johnny Torres 16/2/2021)

Um grupo de mães e pais de Rio Preto está realizando um manifesto pedindo a volta às aulas presenciais na rede municipal de Rio Preto. Em sete dias, mais de 700 pessoas assinaram o manifesto que pede o retorno de forma optativa, para pais que decidirem enviar os filhos para a escola, como prevê o plano São Paulo de flexibilização.

Atualmente, os aproximadamente 38 mil alunos das 149 escolas da rede municipal de Rio Preto continuam tendo aulas remotas. Enquanto isso, em escolas particulares e da rede estadual, as atividades presenciais já acontecem, com escalonamento de alunos na sala de aula nos dias da semana para evitar aglomeração.

A mobilização de mães surgiu nas redes sociais, no fim de janeiro, após a secretária da Educação de Rio Preto, Fabiana Zanquetta, anunciar o início do ano letivo 2021 de forma remota. Composto por pais de diversas escolas municipais de Rio Preto, que atendem alunos do ensino infantil ao anos iniciais do fundamental (1° ao 5° ano), o grupo Escolas Abertas de Rio Preto é inspirado em um movimento parecido que ocorreu na capital paulista.

As mães se baseiam em pesquisas científicas que indicam que crianças transmitem menos o coronavírus e na experiência de escolas particulares que retomaram com aula presenciais em janeiro. O grupo também reclama que os filhos estão com o ensino defasado, não conseguindo acompanhar as atividades remotas oferecidas pelas escolas.

Segundo a advogada Flávia Borges Goulart Caputi, uma das criadoras do grupo, o movimento começou após mães da cidade se revoltarem com a incerteza da Prefeitura de Rio Preto sobre o retorno das aulas presenciais. "Algumas mães me procuraram e criamos um grupo que, no início, tinha oito mães. Aos poucos foi crescendo, e conhecemos o grupo da capital que nos ajuda nessa luta", disse.

O grupo de mães defende que o retorno presencial ajudaria crianças em situação de vulnerabilidade social. "A nossa reivindicação principal é que a Prefeitura cumpra o plano São Paulo também em relação à educação, porque o plano fala de 35% da capacidade de alunos na sala de aula na fase vermelha ou laranja. Então, cumprindo os protocolos, como o uso de máscara, respeito ao distanciamento, é possível voltar. Qual a diferença de um restaurante aberto para a escola?", defende Flávia.

O grupo também critica o modelo adotado pela Secretaria da Educação nas aulas remotas. "Tem muitos pais que deixam os filhos com os avós, e eles não sabem mexer na internet. Nossa vontade é que até não ter aulas presenciais, que tenha aulas remotas diariamente, não precisa ser duas horas, mas que seja uma hora diariamente, como acontece nas particulares. É muito desigual", disse Carolina Amâncio, mãe de duas crianças.

Na região, as escolas fecharam em março do ano passado, diante dos primeiros casos de coronavírus. Em outubro, algumas escolas estaduais e particulares voltaram a receber alunos presencialmente. Neste ano, tanto as instituições estaduais como particulares iniciaram o ano letivo 2021 com aulas presenciais, recebendo um terço dos alunos por dia.

Já as escolas municipais de Rio Preto ainda não deram uma data para esse retorno presencial. "A Prefeitura teve um ano para se organizar de forma segura e não temos nenhuma previsão", diz Carolina. "Eu me sinto péssima, uma fracassada, porque se eu pudesse pagava uma escolar particular. O que eu posso fazer por ele, eu faço", diz Silvana Desogof Silva, mães de dois meninos, um deles com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, o que dificulta ainda mais o aprendizado em casa.

Para Michele Ramos, que permanece desempregada para cuidar dos dois filhos, de 8 e 10 anos, o grupo busca uma forma de combater a desigualdade entre os estudantes de escolas públicas e privadas. "Um dos meus filhos se sente um pouco frustado, e isso me frusta também. Porque às vezes eu quero ensinar e ele não consegue".

Os exemplo vindos de países da Europa que já retornaram com aulas presenciais e o posicionamento da Sociedade Brasileira de Pediatria do Brasil e de São Paulo também são usados como argumentos pelo grupo.

Em nota, a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) disse que defende o retorno das atividades escolares tão cedo quanto possível, desde que tomadas as devidas precauções por todos os envolvidos - famílias e instituições de ensino. "Cabe entendermos que o desenvolvimento social, neurológico, físico e o aprendizado estão sendo prejudicados com o não retorno às aulas. Crianças e adolescentes brasileiros têm o direito a cuidados qualificados e eficazes assegurado pela Constituição Federal, sendo dever do Estado e da Sociedade prover mecanismos para que os recursos a eles direcionados sejam otimizados em seu benefício", diz trecho da nota.

Vacina

Sindicatos e grupos de professores defendem o retorno presencial apenas após a vacinação dos profissionais de educação. Ainda não há previsão de quando a imunização da categoria deve ocorrer.

Etec retorna presencial

Estudantes das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) retomaram as aulas presenciais nesta quinta-feira, dia 18. Em Rio Preto, as aulas voltaram na Etec Philadelpho Gouvêa Netto, com 35% dos alunos matriculados, seguindo a legislação vigente e os protocolos de segurança definidos pelas autoridades sanitárias.

Segundo o Centro Paula Souza, em um primeiro momento, o ensino será híbrido, conciliando aulas presenciais e remotas. Nesta quinta-feira, dia 18, um total de 164 Escolas Técnicas e classes descentralizadas - unidades que funcionam com um ou mais cursos, sob a supervisão de uma Etec - abriram suas portas. Nos dias 22 de fevereiro e 1º de março está prevista a reabertura em outras escolas. As Etecs podem retomar as atividades presenciais em qualquer das fases do Plano São Paulo de flexibilização: vermelha e laranja (35% da capacidade), amarela (70%) e verde (100%). (RC)

Sem data definida

Procurada, a Secretaria Municipal de Educação de Rio Preto não informou a data prevista para retorno. Disse apenas que reativou os grupos que discutem o retorno das aulas presenciais. "Essas câmaras são formadas por diferentes setores da sociedade e pretendem ampliar o debate para chegar num consenso sobre as melhores e mais seguras definições sobre esse tema tão complexo. No momento, não há como firmar um prazo para o retorno. Porém, estamos trabalhando para que isso ocorra no menor tempo possível e com a máxima segurança", disse em nota.

Questionada sobre as escolas sem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) - o que motivou decisão judicial impedindo a utilização das unidades -, a pasta informou que está sendo providenciada a regularização de todas. "Atualmente são 111 prédios regularizados funcionando. Desde o começo do ano já foram regularizadas 22 unidades. O tempo para a conclusão varia de acordo com as especificidades de cada unidade escolar". (RC)

 
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