Ladrões identificados após pagarem chope com Pix são condenados a até 5 anos de prisão em Rio Preto
Trio utilizou tecnologia para furtar 21 celulares em uma loja instalada em shopping de Rio Preto, mas acabou preso por um descuido

A Justiça de Rio Preto condenou três homens pelo furto de 21 celulares avaliados em R$ 100 mil de uma loja instalada dentro de um shopping do bairro Jardim Redentor, em Rio Preto. Para entrar no local, os criminosos utilizaram um aparelho que detecta e copia a frequência do controle remoto da porta. Apesar da sofisticação do crime, a identificação do trio foi possível por um detalhe curioso: um deles pagou o chope na praça de alimentação com Pix.
Assumidamente mentor intelectual do crime, Bruno Kauã Fernandes Montenegro foi condenado a 4 anos e 2 meses de prisão. Ele recebeu a menor pena por ser réu primário, menor de 21 anos à época do crime e por ter confessado parcialmente participação no furto.
Em razão dos antecedentes criminais, Maurício Júnio Mariano dos Santos teve acréscimo de cinco meses na pena: recebeu a sentença de 4 anos e sete meses de prisão.
Já Thiago Santos Fernandes recebeu a maior condenação: cinco anos, em função da reincidência em crime de furto. Todos cumprirão a pena em regime fechado.
Na decisão, o juiz Rodrigo Ferreira Rocha, da 2ª Vara Criminal, ainda condenou o trio a ressarcir solidariamente o proprietário da loja em R$ 75 mil. Eles não poderão recorrer em liberdade.
“A culpabilidade se revela negativa, a teor da premeditação dos agentes criminosos que escolheram cautelosamente o shopping, analisaram suas fragilidades de segurança, quando então escolheram a loja e obtiveram êxito na empreitada criminosa”, escreveu o magistrado.
O furto aconteceu em outubro de 2024. Segundo as investigações, conduzidas pelo núcleo composto pelo 1º, 2º e 5º Distritos Policiais de Rio Preto, Thiago e Maurício chegaram no shopping horas antes e permaneceram na praça de alimentação observando a movimentação da loja.
Próximo do horário de encerramento das atividades, Bruno chegou e, no instante em que a loja estava sendo fechada, utilizou um aparelho com tecnologia “Hack RF” para identificar a frequência de rádio emitida pelo controle remoto da porta do estabelecimento. Cinco minutos depois, sem qualquer esforço, ele abre a porta da loja usando o dispositivo eletrônico e entra.
Com a porta fechada, Bruno tem tranquilidade para escolher 21 celulares entre os mais modernos, sendo seis Iphone, seis Motorola e nove Samsung.
De acordo com as investigações, Thiago e Maurício permaneceram do lado de fora dando cobertura ao comparsa. Assim que o furto é finalizado, o trio sai tranquilamente do shopping. Um deles chega a fazer "dancinha" na saída da loja e no corredor.
Chope
Por meio de câmeras, os investigadores da Polícia Civil descobriram que dois dos criminosos consumiram chope na praça de alimentação. Na hora de ir embora, Thiago pagou a conta com Pix.
Os dados cadastrais apontaram que ele é de uma cidade goiana que “abriga diversos criminosos especialistas em furto de lojas, especialmente àquelas instaladas em Shoppings”, conforme trecho do relatório de investigação.
O compartilhamento de informações com outras polícias resultou ainda na identificação de Bruno e Maurício. Os três estão presos.
Dos 21 celulares furtados, seis foram recuperados em uma loja do Brás, em São Paulo.
"A defesa esclarece que o acusado não se eximiu de sua responsabilidade, confessando a prática delitiva vindo a colaborar com a justiça e demonstrando arrependimento do crime. Em que pese o reconhecimento da prática do delito, a defesa entende que houve certo equívoco na aplicação da pena e irá interpor recurso de apelação, a fim de que a reprimenda seja redimensionada para um quantum proporcional e adequado a reprimir sua conduta", manifestou o advogado de Thiago, Frederico Monteiro.
A reportagem solicitou ainda posicionamento do advogado de Maurício e aguarda retorno. A defesa de Bruno não foi localizada.