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K-pop transcende a música e vira estilo de vida

Gênero musical criado na Coreia do Sul mobiliza fãs e inspira o jeito de ser de muita gente no mundo inteiro. A influência do K-pop é tema da série ‘Hallyu: Onda Coreana’

por Marcelo Ferri
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
Gênero musical criado na Coreia do Sul mobiliza fãs e inspira o jeito de ser de muita gente no mundo inteiro. A influência do K-pop é tema da série ‘H (Edvaldo Santos 18/04/2026)
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Gênero musical criado na Coreia do Sul mobiliza fãs e inspira o jeito de ser de muita gente no mundo inteiro. A influência do K-pop é tema da série ‘H (Edvaldo Santos 18/04/2026)
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Com capacidade ímpar de mobilização de fãs no mundo todo, o BTS é a expressão máxima de um gênero musical que se tornou pilar de um movimento cultural que desperta cada vez mais a atenção das pessoas para a Coreia do Sul.

O K-pop surgiu em 1992 com o trio Seo Taiji and Boys. Pouco mais de três décadas depois, ganhou o mundo com novos grupos que, não só encantam, mas também inspiram milhões de pessoas, incluindo muita gente de Rio Preto. O grau de influência dos grupos de K-pop na vida dos fãs do gênero é tema da segunda das quatro reportagens da série “Hallyu: Onda Coreana”.

O K-pop entrou na vida de Cauê Bueno Barros em 2012, após ouvir uma música do gênero no encerramento de um anime (animação de produção japonesa). “Gostei e fui pesquisar. Um amigo que morou no Japão mostrou o grupo Big Bang e resolvi aprofundar a pesquisa. Hoje em dia sou super fã de muitos grupos e idols (celebridades do K-pop)”.

A admiração de Cauê não limitou-se à contemplação dos ídolos e, hoje aos 28 anos, ele divide a profissão de fisioterapeuta com a de dançarino e líder do Grupo YongHang, que, desde a fundação, em 2017, apresenta covers coreografados de hits do K-pop.

Atrás de algo que lhe trouxesse conforto e leveza, Brenda Novato Vilela, 28 anos, empreendedora, encontrou no grupo BTS a conexão que buscava. “Já assistia k-dramas, mas foi através do BTS que meu interesse pela Coreia do Sul aumentou”.

O interesse logo virou amor e Brenda abriu a Open Korea, loja de produtos sul-coreanos, tornou-se administradora da fanbase BTS Rio Preto e promove experiências e caravanas através do Asia in Brasil. “Também me arrisco a gravar vídeos sobre esse universo”.

Yuri Miguel Fernandes Vieira, 27 anos, fisioterapeuta, começou a ouvir K-pop aos 15 anos.

“Fiquei encantado com o ritmo, a coreografia e o estilo. Tempos depois, recebi um convite para dançar em um grupo. Foi quando o K-pop entrou definitivamente na minha vida”, disse Yuri, que faz parte do YongHang e é fã do Xikers.

O K-pop entrou na vida de Lara Raissa Jacomassi, 20 anos, estudante de Moda e criadora de conteúdo, em 2017, quando uma amiga apresentou o refrão de “Fake Love”, do BTS. “Naquele momento, me encantei pela energia da música e comecei a acompanhar o grupo e esse universo”.

Fã de BTS, aliviada por já ter garantido o ingresso para um dos shows em São Paulo, Lara diz ter encontrado no K-pop e nas mensagens e atitudes de seu grupo favorito, inspiração para o autocuidado e para se expressar de forma autêntica. “Isso impactou minha forma de pensar e de me posicionar”.

Inspetora de qualidade em uma empresa de peças automotivas, Lorraine da Silva Sant Anna, 25 anos, rendeu-se ao K-pop em 2022, após ver vídeos virais no TikTok. “As coreografias e a energia muito diferente e marcante das músicas me levaram a querer conhecer mais, e aí passei a admirar também a estética e as mensagens das letras”.

“O K-pop me fez querer conhecer mais o mundo. Estava muito acostumada apenas com a cultura latina e ocidental. Quando comecei a pesquisar mais sobre K-pop, senti vontade de descobrir outras culturas por conta própria e não só consumir o que a mídia normalmente apresenta”, diz a fã de BTS.

Giulia Beatriz Brito Baía, professora de educação infantil de 25 anos, levou cerca de dois anos para dar atenção ao gênero musical. “Em 2015 uma amiga me mostrou uma música do BTS, ‘Dope’, mas nem dei bola. Depois, em 2017, ouvi uma do grupo Blackpink e aí nasceu o interesse pelo K-pop e pela cultura sul-coreana”.

Já a engenheira civil Yasmin Ferraz Moreira, de 26 anos, encontrou no ritmo um convite ao movimento. Fã do Girls’ Generation, ela foi conquistada pelas coreografias. “Uma amiga da escola me chamou para participar de um grupo de dança. Algum tempo depois, eu já estava me apresentando com K-pop no Sesc Rio Preto.”

Para a professora de inglês Julia Elizabeth Lins Ferreira, de 24 anos, o impacto foi imediato. Apaixonada por dança desde sempre, ela conheceu o gênero em 2017, por meio de uma prima. “Quando vi uma apresentação de K-pop pela primeira vez, tive a sensação de que muita coisa mudaria na minha vida. E mudou.”

Fã do EXO, Julia conta que o interesse ultrapassou a música. “Hoje em dia nem tanto, mas na adolescência segui bastante a moda K-pop. A música também despertou minha curiosidade pela cultura sul-coreana como um todo, e a gastronomia, por exemplo, é algo que adoro.”

Interesse pelo K-pop é crescente

O Animerp (Anime Rio Preto), evento anual no Sesc Rio Preto, nasceu em 2001 como uma mostra voltada à cultura japonesa. Porém, desde a retomada, em 2011, ampliou o escopo e passou a abraçar diversas manifestações da cultura pop e geek. “Dentro da expansão, a cultura sul-coreana, especialmente o k-pop, ganhou espaço significativo”, afirmou Caroline Estravini, técnica de programação responsável pelo Animerp 2026.

Em 2014, a edição já contava com apresentações dos grupos Unlock e K-over e oficina de dança do gênero. No ano seguinte, foi criada a Mostra Pop, dedicada à apresentação dos grupos locais de k-pop que ensaiam ao longo do ano para se apresentar no evento.

Desde então, o espaço se consolidou e cresceu. Nos últimos anos, a mostra tem reunido entre 20 e 22 grupos. “Isso significa um contingente aproximado de 260 dançarinos e dançarinas envolvidos diretamente nas apresentações”, disse Caroline.

Além da Mostra Pop, a programação da Animerp passou a incluir atividades paralelas como Random Dance, workshops de dança e até discotecagem com setlists que contemplam hits do k-pop. “A presença da cultura sul-coreana não é apenas complementar, pois ocupa uma fatia relevante da grade. Comparando com as primeiras edições, o avanço é evidente. De uma participação pontual, o k-pop tornou-se um dos pilares da programação, atraindo público fiel e crescente”, afirmou Caroline.

A edição de 2026 do Animerp está prevista para ocorrer na segunda quinzena de junho.