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Justiça de Rio Preto torna réus dono de garagem e gerente por 29 casos de estelionato

Neste primeiro processo, as vítimas somam um prejuízo de R$ 1,8 milhão; promotora aguarda quebra do sigilo bancário

por Joseane Teixeira
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
Garagem de veículos de Rodrigo Veronezi, que não foi mais visto depois das primeiras denúncias (Reprodução)
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Garagem de veículos de Rodrigo Veronezi, que não foi mais visto depois das primeiras denúncias (Reprodução)
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A Justiça de Rio Preto recebeu denúncia do Ministério Público e tornou réus o empresário Rodrigo Júnior Veronezi e o gerente Emmanuel Alberto Benitez Saucedo, respectivamente dono e gerente da empresa Veronezi Veículos Multimarcas. Eles foram denunciados por 29 estelionatos – 22 deles por fraude eletrônica, relacionados a operação de um esquema para captação de veículos em consignação, que prometia aos proprietários a revenda em curto prazo, com posterior repasse dos valores, o que, na maioria dos casos, não se concretizava. Após firmar contrato de consignação, os automóveis eram vendidos ou financiados a terceiros, muitas vezes sem ciência ou autorização dos proprietários e sem qualquer repasse financeiro.

Os dois acusados estão presos preventivamente e há outro inquérito em andamento na Polícia Civil que reúne mais casos.

Na denúncia, a promotora Valéria Andreia Ferreira de Lima esclarece que aguarda a conclusão de um segundo inquérito instaurado pela Polícia Civil (que prevê a quebra do sigilo bancário dos réus e de suas esposas) para analisar se os acusados praticaram ainda associação criminosa e lavagem de capitais.

De acordo com o levantamento do MP, os crimes considerados neste primeiro processo somam R$ 1,8 milhão em prejuízo para as vítimas.

Valéria cita que o esquema fraudulento representa uma “estrutura deliberadamente montada para a captação sistemática do patrimônio de particulares, com vítimas recrutadas por meio de redes sociais, instrumentos contratuais forjados para aparentar legalidade, financiamentos bancários fraudulentos realizados com dados de terceiros sem autorização, e mecanismos sofisticados de procrastinação para retardar a descoberta do golpe”.

Para a promotora, o mais grave elemento do esquema residia na destinação imediata dos veículos recebidos. Os indícios levantados na investigação da Polícia Civil revelaram que, em diversos casos, a alienação ou o financiamento irregular do bem ocorreu no mesmo dia em que o veículo era entregue ao estabelecimento.

“A fuga coordenada de ambos após a eclosão do esquema, com utilização do patrimônio das próprias vítimas como meio de evasão, encerra qualquer dúvida sobre a consciência da ilicitude e o dolo preordenado que orientou cada uma das condutas descritas nesta denúncia”, fundamenta.

Além de denunciar a dupla por 29 estelionatos, a promotora incluiu duas causas de aumento de pena: crime praticado com concurso de agentes e em continuidade delitiva.

Até o momento, um grupo de WhatsApp reúne mais de 150 vítimas diretas ou indiretas do esquema.

O juiz Vinícius Nunes Abbud, da 2ª Vara Criminal, recebeu a denúncia e determinou a citação dos réus para apresentarem resposta à acusação. Eles estão presos no Centro de Detenção Provisória de Rio Preto.

A reportagem tenta contato com as defesas do empresário e do gerente.