Justiça de Rio Preto torna réus 11 acusados de golpes do falso investimento
Segundo denúncia do Ministério Público, grupo utilizava redes sociais para atrair vítimas com promessas de altos rendimentos no mercado financeiro

A 2ª Vara Criminal de Rio Preto aceitou denúncia do Ministério Público e tornou réus 11 integrantes de uma organização criminosa especializada em estelionatos eletrônicos, conhecidos como golpes do falso investimento ou da pirâmide financeira. Investigados durante a Operação Firewall, os acusados tiveram as prisões preventivas decretadas nesta segunda-feira, 26.
De acordo com a denúncia, oferecida pelo promotor Fernando Rodrigo Garcia Felipe, o grupo atuava de forma estruturada, utilizando redes sociais para atrair vítimas com promessas de altos rendimentos no mercado financeiro. Após o primeiro contato, os interessados eram direcionados a grupos de mensagens, nos quais supostos professores e especialistas orientavam sobre investimentos fictícios. As vítimas eram induzidas a fornecer dados pessoais e a transferir valores por meio de TEDs e Pix para contas controladas pela organização. Uma das vítimas foi lesada em quase R$ 74 mil após ser atraída por anúncio veiculado no Instagram e instalar um aplicativo fraudulento.
As investigações apontaram ainda que os criminosos utilizavam plataformas falsas para simular a evolução dos investimentos e criar a aparência de ganhos reais, incentivando novos aportes. O dinheiro obtido era pulverizado por diversas contas bancárias, inclusive em nome de pessoas jurídicas e de “laranjas”, com o objetivo de dificultar o rastreamento e viabilizar a lavagem de capitais.
Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, autoridades encontraram dezenas de aparelhos celulares, computadores, notebooks, máquinas de cartão, centenas de chips telefônicos, cartões bancários em nome de terceiros, anotações, pendrives e outros dispositivos eletrônicos usados na prática dos golpes, além de arma de fogo.
A operação Firewall
A operação Firewall foi realizada por policiais civis do Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold), da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Rio Preto em março do ano passado. Na ação, 14 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais foram cumpridos.
À época, o delegado Daniel Leal disse que as investigações iniciaram a partir do registro de boletim de ocorrência por uma vítima de Rio Preto, que perdeu R$ 70 mil em um falso investimento. “Por meio da quebra de sigilo bancário, descobrimos que o grupo criminoso movimentou mais de R$ 5 milhões atuando de forma organizada, contando com estrutura hierárquica bem definida e divisão de funções específicas, inclusive, com indicativos de envolvimento de pessoas de outras nacionalidades, como peruanos, venezuelanos e chineses”, disse.
Dentre os integrantes identificados estavam os chamados “chipeiros”, responsáveis pelo cadastramento fraudulento de linhas telefônicas; “conteiros”, que recebiam os valores obtidos ilegalmente; e “movimentadores financeiros”, encarregados da dispersão dos recursos ilícitos para dificultar seu rastreamento.