Justiça condena a 24 anos de prisão 'professor do crime' preso pela Deic de Rio Preto
Outros três integrantes do grupo também foram condenados; quadrilha comercializava dados bancários, cartões clonados, contas falsas e informações pessoais obtidas de forma ilícita

A 2ª Vara Criminal de Rio Preto condenou quatro integrantes de uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas que atuava em escala nacional. O líder do grupo, Paulo César Gomes da Silva Dutra, conhecido pelo apelido de Banucha, pegou 24 anos de detenção. As penas somadas ultrapassam 66 anos de prisão, todas em regime inicial fechado e sem direito de recorrer em liberdade.
A investigação foi conduzida pelo delegado Adriano Pitoscia, da Delegacia Especializada em Investigações Criminais (Deic) de Rio Preto, e resultou na Operação Shadow Hacker, que desarticulou o grupo em janeiro de 2025.
Segundo a Polícia Civil, a quadrilha operava desde 2021 por meio de sites clandestinos e grupos em aplicativos de mensagens, onde comercializava dados bancários, cartões clonados, contas falsas e informações pessoais obtidas de forma ilícita.
Durante o cumprimento de mandados, em 11 de dezembro de 2024, Banucha foi preso em Rio das Ostras (RJ). No local, foram apreendidas armas com numeração suprimida, munições e diversos dispositivos eletrônicos utilizados no esquema. Ele chegava a dar cursos pela internet de como aplicar golpes financeiros pela internet.
Segundo a investigação, Banucha atuava como uma espécie de “professor de crimes cibernéticos”. Ele vendia “mentorias” sobre como aplicar golpes pela internet, utilizando nomes de laranjas. A prisão do criminoso teve repercussão nacional.
As investigações apontaram que o grupo utilizava plataformas clandestinas, como sites de busca de dados e venda de informações sigilosas, oferecendo pacotes conhecidos como “kits bico” a outros criminosos. Para atrair compradores, os envolvidos chegaram a usar ferramentas de inteligência artificial para criar depoimentos falsos de supostos clientes.
Segundo a decisão judicial, as provas reunidas incluíram infiltração de policiais em ambientes virtuais, análise de dispositivos eletrônicos e monitoramento das atividades digitais da quadrilha. Durante as buscas, foram apreendidos computadores, celulares, centenas de chips telefônicos, máquinas de cartão e anotações ligadas ao esquema.
A sentença também destacou a validade das provas digitais e a atuação coordenada dos integrantes. Três dos condenados estão presos, enquanto um segue foragido.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos e possíveis ramificações do grupo, que operava em diferentes regiões do país.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos envolvidos.