Diário da Região
FALTA DE PROVAS

Júri em Rio Preto absolve réus acusados de tortura e homicídio

O caso refere-se à morte do eletricista David Camargo Rodrigues, 43, encontrado em maio de 2024 com as mãos amarradas e um tiro na nuca

por Joseane Teixeira
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
Júri absolve dois réus por falta de provas (Divulgação)
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Júri absolve dois réus por falta de provas (Divulgação)
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Acusados de torturar um homem e executar outro em uma suposta desavença relacionada a dívida de drogas, dois réus foram absolvidos em júri popular realizado nesta terça-feira, 3, no Fórum de Rio Preto.

O caso refere-se à morte do eletricista David Camargo Rodrigues, 43, encontrado em maio de 2024 com as mãos amarradas e um tiro na nuca no bairro Todos os Santos, em Rio Preto. O carro dele foi encontrado incendiado a cerca de um quilômetro do corpo.

As investigações, conduzidas pela Delegacia de Homicídios, apontam que o crime teve como motivação uma dívida do tráfico de drogas. Para a Polícia Civil as evidências indicavam que David havia vendido entorpecentes a um homem conhecido como “Gordinho”, que decidiu que não pagaria a dívida.

Após ser cobrado, ele teria armado um plano com os comparsas Victor Renan de Almeida (Alemão), Alison Gustavo Pinheiro dos Santos (GTA) e um quarto suspeito (identificado apenas como Baiano) para emboscar a vítima.

Para isso, Gordinho atraiu Maycon Marçal do Carmo Silva (amigo de David) com o convite falso para uma festa. No endereço, ele foi dominado, ameaçado de morte por quatro homens e obrigado a telefonar para David. Na ligação, Gordinho teria marcado um encontro com a vítima com a justificativa de que iria pagar a dívida.

"Em um local não esclarecido, houve o encontro, estando David sozinho e na condução de seu Vectra. David foi dominado e amarrado pelas mãos por Gordinho, Alemão e Baiano, que também colocaram um pano na região da boca para evitar que falasse, foi torturado com mordidas e levado até em meio a vegetação, onde foi morto com crueldade", consta em trecho da denúncia do Ministério Público.

As investigações concluem que a intenção do grupo com o amigo de David era apenas usá-lo como isca para chegar à vítima. Após o alvo ser morto, o grupo fugiu e libertou o refém. Ferido por um tiro de raspão no rosto, ele pediu ajuda a populares e foi levado para o Hospital de Base.

Durante o processo, Gordinho, que chegou a ser preso, foi impronunciado por falta de provas. Com a decisão, somente Alison e Victor foram submetidos a Tribunal do Júri.

Conselho de sentença composto por cinco homens e uma mulher acompanhou a tese dos advogados e absolveu Victor da acusação de homicídio triplamente qualificado (contra David) e de tortura, juntamente com o réu Alison, contra a vítima Maycon.

“Desde o início, a defesa sustentou a inexistência de provas capazes de vincular Victor aos fatos narrados na acusação. Ao longo da instrução criminal, essa fragilidade ficou ainda mais evidente. Os depoimentos colhidos revelaram contradições relevantes, especialmente por parte da própria vítima (Maycon), que apresentou ao menos quatro versões distintas dos acontecimentos, incompatíveis entre si e sem qualquer conexão racional, o que tornou a acusação marcada por dúvida, inconsistência e evidente falta de credibilidade”, informou, em nota conjunta, a banca de advogados que representaram Victor, composta por Diego Vidalli, Mario Guioto Filho, Luis Eduardo de Moraes Pagliuco, Kauan Eduardo de Lima Cambauva e Grasielle Melissa Hegueduch Guioto.

Alison foi defendido pelo advogado Aureliano Divino de Oliveira, nomeado pela Defensoria Pública.

Ao Diário, o promotor Evandro Ornelas Leal afirmou que não pretende recorrer da sentença.

“O que determinou a absolvição foi a falta de confiabilidade da vítima sobrevivente para os jurados, pois ele é traficante, omitiu informações e mudou sua versão em detalhes relevantes, com isso prejudicou entendimento dos jurados sobre a autoria dos crimes”, justificou.

Com a absolvição, foi expedido alvará de soltura em favor dos dois homens.