Júri condena homem a 32 anos por homicídio e ocultação de cadáver
A Justiça ainda fixou indenização de 150 salários-mínimos, equivalente a R$ 243 mil, aos herdeiros da vítima

Foi condenado a 32 anos e seis meses de prisão o réu Carlos Daniel Silva do Nascimento, 26 anos, acusado de matar e ocultar o corpo do jovem Rafael Pires Ferreira, 20 anos, em um crime passional ocorrido em 8 de julho de 2024. A vítima teria se relacionado com a mulher do acusado enquanto ele estava preso. A Justiça ainda fixou indenização de 150 salários-mínimos, equivalente a R$ 243 mil, aos herdeiros da vítima.
Realizado o julgamento nesta quinta-feira, 11, o conselho de sentença, por maioria de votos, reconheceu Carlos como autor dos crimes e negou a tese da legítima defesa e violenta emoção, sustentada pelo advogado Antonio Nelson de Caires, nomeado pela Defensoria Pública.
Carlos negou ter emboscado a vítima. Ele afirmou que foi chamado de “corno” por Rafael durante uma discussão e atacado primeiro com uma faca, tendo apenas se defendido.
Os jurados (seis homens e uma mulher) ainda reconheceram as qualificadoras da torpeza, da crueldade e dos recursos que dificultaram a defesa da vítima.
Segundo denúncia do Ministério Público, Carlos foi preso por descumprimento de medida protetiva e, ao sair da cadeia, descobriu que Rafael havia se relacionado com a mulher dele.
As investigações apontam que, para se vingar, o réu contou com apoio do primo José Nilton dos Reis de Jesus, que era amigo de Rafael, para atrair a vítima até uma casa abandonada no bairro Boa Vista, sob o pretexto de consumirem drogas.
José Nilton teria buscado a vítima de carro e seguido até o imóvel, onde Rafael foi atacado a facadas por Carlos. De acordo com a Polícia Civil, a vítima tentou fugir, mas foi segurada por José Nilton.
Após ser morto, o corpo foi enterrado no quintal da casa, e só foi localizado por familiares no dia 23, após a mãe da vítima descobrir por um morador do bairro que Rafael tinha sido visto no imóvel. O corpo foi desenterrado com o apoio do irmão mais novo da vítima, que tinha apenas 15 anos.
Carlos foi preso em outubro daquele ano, em São Bernardo do Campo. José Nilton, contra quem há mandado de prisão preventiva, segue foragido, motivo pelo qual o processo foi desmembrado.
O advogado Caires foi procurado, mas preferiu não se manifestar sobre a sentença.