Diário da Região
SENTENÇA

Júri condena a 30 anos de prisão homem que incendiou casa com enteado dentro

Trata-se de um dos casos mais cruéis registrados na história policial de Rio Preto

por Joseane Teixeira
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
Fórum de Rio Preto (Diego Viana (arquivo))
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Fórum de Rio Preto (Diego Viana (arquivo))
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Após a primeira sessão de julgamento ser cancelada, em outubro de 2025, em virtude de ameaças direcionadas ao advogado, o pedreiro José Ediberto Timóteo da Silva foi condenado a 30 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado contra o enteado Hiago Fiuza, que foi trancado no quarto, onde Ediberto jogou combustível e ateou fogo.

Laudos periciais mostraram que o rapaz, de 26 anos, tentou arrebentar a grade da janela para escapar das chamas, mas não conseguiu. O crime aconteceu em setembro de 2022, no bairro Maria Lúcia, região Norte da cidade.

O júri popular de um dos casos mais cruéis registrados na história policial de Rio Preto teve quase sete horas de duração.

Além do promotor Horival Marques, as advogadas Camila Bernardo dos Santos Roque e Claudionora Elis Tobias, nomeadas como assistentes de acusação pela mãe de Hiago, fizeram valer os termos da denúncia, de homicídio duplamente qualificado por meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Segundo as investigações, após uma discussão com o enteado, José Ediberto comprou um galão de gasolina em um posto de combustível perto de casa, jogou no quarto do rapaz, trancou a porta e ateou fogo em seguida.

Laudo necroscópico identificou fuligem nas vias respiratórias de Hiago, o que indica que ele estava vivo quando foi queimado.

Após o crime, José Ediberto fugiu e foi localizado, um ano depois, no estado do Ceará. Ele estava preso preventivamente.

O criminoso era casado há 22 anos com a mãe de Hiago, tendo cuidado do enteado desde os 4 anos de idade. Em interrogatório na fase judicial, ele afirmou que tinha afeto pelo rapaz, mas que a convivência era conturbada em razão do suposto consumo de drogas pela vítima. Disse ainda que, ao atear fogo, pensou que Hiago conseguiria escapar do quarto, e que se arrependeu do ato.

O réu foi representado pelo advogado Emerson Bertolini Andrade, nomeado pela Defensoria Pública. Ele afirmou que vai recorrer da sentença.

"Sustentei que ele agiu sob violênta emoção e provocação da vítima, visando reduzir a pena, mas os jurados não reconheceram a tese. No entanto, ele foi condenado a pena máxima, de 30 anos, e eu considero desproporcional, por isso vou apelar ao Tribunal de Justiça", afirmou.

Bertolini acrescentou também que vai apontar nulidades no júri, como comunicação entre os jurados e uma suposta interferência do Ministério Público durante sua sustentação.