Impasse marca ‘destino’ de carne após apreensão de droga em Rio Preto
Delegado determina a destruição de 28 toneladas de carne bovina apreendida em caminhão que levava junto meia tonelada de droga, mas empresa consegue liminar para dar outro destino ao carregamento

O advogado Kauan Cambauva ingressou com representação contra um delegado da Polícia Federal de Rio Preto por abuso de autoridade após ele determinar, nesta sexta-feira, 5, a destruição de 28 toneladas de carne bovina apreendida após policiais rodoviários intereptarem, na quinta-feira, 4, um caminhão frigorífico que transportava quase meia tonelada de droga em meio à carga.
Nomeado para representar a transportadora, Cambauva comunicou a Polícia Federal, via e-mail, sobre o andamento de um mandado de segurança visando a liberação da carga, no entanto, o delegado responsável teria ignorado a ação.
O caminhão foi levado para uma indústria de reciclagem animal e 16 toneladas da carne foram trituradas (vídeo). A destruição foi suspensa quando a autoridade da PF foi comunicada sobre a concessão da liminar pela Justiça.
"A Lei nº 14.785/2023 sedimenta que a competência para fiscalização e destinação de tais produtos recai sobre os órgãos federais, revelando-se nulo o ato da autoridade federal que arrojou para si tal poder", escreveu o promotor André Luis de Souza.
De acordo com a advogado Kauan Cambauva, nem a empresa transportadora, tampouco o frigorífico tinham ciência de que a droga havia sido guardada no baú frigorífico pelo motorista. Em depoimento na Polícia Federal, o funcionário disse que adulterou o lacre da porta do baú e permitiu que traficantes escondessem os tijolos de maconha e cocaína sob a promessa de receber R$ 20 mil.
A carne, avaliada em R$ 635 mil, veio do Amazonas e seria entregue em Campo Limpo Paulista. Segundo o advogado, a empresa não pretende destinar a venda da carne para o mercado varejista, mas vendê-la para o setor de graxaria frigorífica, visando minimizar o prejuízo causado.
A PF não se manifestou.