SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 26 DE SETEMBRO DE 2021
SOLIDARIEDADE

Igreja cria Mercado Solidário para famílias em situação de vulnerabilidade em Rio Preto

Além de fornecer alimentos às famílias, projeto resgata a dignidade por meio da experiência de entrar no mercado e escolher os produtos

Da RedaçãoPublicado em 13/09/2021 às 15:18Atualizado há 13/09/2021 às 16:00
Adrieli Roberta Ignácio Yamamoto e sua família foram os primeiros compradores no Mercado Solidário (Divulgação)

Adrieli Roberta Ignácio Yamamoto e sua família foram os primeiros compradores no Mercado Solidário (Divulgação)

"Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer". A passagem bíblica inspira cristãos a ajudar com alimentos aqueles que passam por situação de vulnerabilidade social. Mas a Comunidade Cristã Cabana Church, de Rio Preto, decidiu ir além. Em vez de entregar alimentos em cestas montadas previamente, idealizou um projeto para resgatar a experiência das compras. Pode parecer um gesto simples, mas entrar no local e escolher os produtos que vai levar para casa, além de alimentar o corpo, traz dignidade às famílias que necessitam de doações.

O projeto é uma nova fase do programa social da igreja, que funciona há 3 anos e entregava, mensalmente, cestas básicas para 60 famílias cadastradas. O Mercado Solidário, como o espaço foi nomeado pela Comunidade, simula a aparência e operação de um mercado real. Nas prateleiras, estão localizados variados produtos alimentícios, de limpeza e de higiene pessoal, para que os "clientes" possam escolher os que mais necessitam ou o que querem, já que as tradicionais cestas básicas não possuem alguns tipos de produtos.

"Nasceu o desejo no nosso coração de, em vez de entregar uma cesta básica, proporcionar às pessoas um momento em que elas possam escolher o que elas realmente precisam ou o que eles querem e não têm condições de comprar em um mercado comum, porque a alimentação vai além do arroz e do feijão. Essas famílias também têm vontade de comer um danone, por exemplo", explica a pastora Jeiza Pontes, idealizadora do projeto.

A experiência de compras no mercado não se limita à escolha dos produtos no carrinho. Ao final da compra, as famílias também passam no caixa e pagam, de maneira simbólica, pelo que vão levar. O pagamento é feito com os dracmas, moeda previamente entregue pela instituição. "As famílias recebem dracmas, que é um dinheiro fictício, com nome da moeda da bíblia. Trouxemos essa questão do dinheiro como forma de virar uma chave nas famílias. É um resgate de honra, de dignidade, de poder dizer que foram eles que pagaram por esses produtos", diz. A pastora relata que cada família recebe uma quantidade de dracmas de acordo com a quantidade de pessoas que existe na casa, mas que, em média, são 300 moedas.

Adrieli Roberta Ignácio Yamamoto, de 30 anos, que já era beneficiada pelas cestas básicas antes de ser inaugurado o Mercado Solidário, ficou muito animada com o projeto. Ela, o marido e seus quatro filhos, de 12, 7, 6 anos e um de 9 meses, foram os primeiros a comprar no mercado. "Fui muito bem recebida. Gostei pela forma de ter opções, porque, às vezes, precisamos de algo a mais do que vem na cesta, principalmente quem tem filhos. O mercado proporciona isso, porque eu pude pegar o arroz e o feijão, que são essenciais, mas também pude pegar um leite, um sabonete, uma pasta de dente e uma fralda, que também são itens que fazem parte do dia-a-dia", diz.

Assim como o projeto que entregava as cestas básicas, o Mercado Solidário funciona a partir de doações feitas para a igreja. Quem tiver interesse em doar pode entrar em contato com o departamento social da instutição pelo telefone (17) 99251-9669. Quem deseja se inscrever para ser beneficiário pelo projeto também pode entrar em contato neste mesmo número ou ir pessoalmente até a igreja, localizada na BR-153, quilômetro 53.

Transporte

Pensando no bem-estar das famílias e nas condições financeiras delas, a igreja disponibilizou um ônibus para buscá-las e levá-las até o mercado. "Nós pensamos: como as famílias, que estão precisando de ajudar para comer vão ter o dinheiro para o combustível? Porque a gasolina está muito cara. Então, disponibilizamos um ônibus, que ganhamos recentemente, para buscá-las em casa nos dias de compra", diz a pastora Jeiza.

(Colaborou Júlia de Britto)

O bispo Alex Pontes e a pastora Jeiza Pontes, idealizadores do projeto (Divulgação)
 
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