Homem preso por homicídio sofre ameaça de morte no CDP de Rio Preto
Segundo ele, dois detentos que integram a "disciplina" do pavilhão tentaram asfixiá-lo com um pano

Um preso de 29 anos, denunciado pelo Ministério Público como autor do homicídio a Tiago Teixeira de Novaes, o “Tana”, foi socorrido por agentes penitenciários após ser ameaçado de morte dentro da cela do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Rio Preto, onde aguarda julgamento.
De acordo com Marco Antônio Plazas Freitas, conhecido como "Peto", ele estava na cela 4 do Pavilhão 6 quando, por volta das 10h desta terça-feira, 17, sofreu uma emboscada por dois presos que integram a “disciplina” do pavilhão - grupo encarregado pela facção criminosa (e não pela administração penitenciária) de manter a ordem, o controle e a “ética" do crime dentro de um determinado pavilhão ou raio da unidade.
Segundo ele, um dos homens o agrediu com um soco no rosto, enquanto o outro tentou asfixiá-lo com um pano enrolado no pescoço. "Peto" afirma que chegou a perder a consciência e que foi ameaçado de morte.
Levado para a Central de Flagrantes, ele indicou o nome dos dois envolvidos e manifestou que deseja representar criminalmente contra eles pelo crime de lesão corporal. Posteriormente, o detento foi encaminhado ao Instituto Médico Legal, onde passou por exame de corpo de delito.
A reportagem solicitou informações da Secretaria de Administação Penitenciária (SAP) sobre as providências tomadas com relação a agressão na cela. O conteúdo será atualizado em breve.
Denunciado
Em julho de 2025, "Peto" foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, perigo comum e com uso de arma de fogo de uso restrito.
Segundo as investigações, conduzidas pela Delegacia de Homicídios, ele matou Tiago “Tana” a tiros em janeiro de 2025, em uma padaria do bairro Santo Antônio.
A vítima estava no local com a filha, um irmão e um amigo quando foi surpreendido por um criminoso armado. Sem chance de defesa, Tiago foi morto com três tiros, sendo um no rosto.
“O crime ocorreu por motivo torpe, em premeditado ato de vingança decorrente de desavenças entre eles relacionadas ao submundo do crime e porque a ex-namorada (de 'Peto') havia passado a frequentar a casa da vítima, indicando sentimento espúrio de dominação e coisificação de uma pessoa”, escreveu na denúncia o promotor Horival Marque de Freitas Júnior.
De acordo com testemunhas ouvidas pelo delegado Roberval Costa Macedo, da DH, "Peto" já havia ameaçado "Tana", dizendo que, com ele, “era só tiro na cara” – promessa que acabou cumprindo.
A audiência de instrução do caso está marcada para o dia 25 de março, com a participação de duas testemunhas protegidas.