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POR PROCEDIMENTOS

HB de Rio Preto entra na Justiça para cobrar R$ 5,1 milhões de três Estados

Na decisão mais recente, TJ condenou o Estado de Tocantins a pagar R$ 196 mil

por Lucas Israel
Publicado em 05/12/2023 às 22:19Atualizado em 06/12/2023 às 11:59
Vista aérea do Hospital de Base de Rio Preto (Divulgação)
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Vista aérea do Hospital de Base de Rio Preto (Divulgação)
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A Fundação Faculdade Regional de Medicina de Rio Preto (Funfarme), que administra o Hospital da Criança e Maternidade (HCM) e o Hospital de Base, tem 24 processos judiciais contra três estados brasileiros (Mato Grosso, Rondônia e Tocantins) para cobranças por procedimentos realizados. O valor total da dívida cobrada é de R$ 5,1 milhões, segundo levantamento no site do Tribunal de Justiça (TJ-SP).

Na movimentação mais recente, o TJ condenou o Estado do Tocantins a pagar R$ 196,7 mil pela realização de uma cirurgia cardíaca pediátrica no HCM. O custo total da operação foi de R$ 300,7 mil, mas o estado arcou com apenas uma parte deste valor (R$ 104 mil).

Os procedimentos feitos pela Funfarme atendem a decisões jurídicas nos estados de origem ou a encaminhamentos feitos pelos médicos de cada local. Por diversos motivos, como falta de estrutura hospitalar, por exemplo, os estados fazem uma cotação para a realização do procedimento em outro local e Rio Preto é um dos destinos escolhidos.

As cirurgias cardíacas infantis, em geral, são o motivo das cobranças – o HCM é referência no procedimento. As contas abarcam os custos com cirurgiões, anestesista, clínicos e outros auxiliares, além do pagamento pela utilização da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Caso haja complicações, o tempo excedente do paciente na UTI também é cobrado.

Na decisão que condenou o Estado de Tocantins, a Funfarme foi contratada em 2017 para realizar uma cirurgia de correção de cardiopatia congênita cianogênica – em que há comunicação anormal entre compartimentos ou vasos sanguíneos. O procedimento foi realizado com sucesso em fevereiro de 2018, mas o hospital não recebeu o pagamento na íntegra desde então.

Em primeira instância, a Justiça entendeu que os valores estão corretos e deveriam ser corrigidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E).

Em segunda instância, o Estado do Tocantins alegou que os valores deveriam seguir a Tabela SUS, que tem custos defasados e mais baratos, mas a Justiça Paulista negou a decisão, por se tratar de um procedimento contratado de maneira particular.

“A cirurgia foi realizada a pedido do ente apelante, que concordou expressamente com o orçamento encaminhado, cujos valores previam a utilização da tabela de preços da rede privada. Não pode o réu agora, em evidente comportamento contraditório, requerer que seja utilizada a tabela do Sistema Único de Saúde”, sentenciou o desembargador da 9ª Câmara de Direito Público do TJ, Oswaldo Luís Palu.

Diferença nas contas

Por meio de nota, a Funfarme afirmou que todas as ações ajuizadas entre as instituições e os estados são referentes a atendimentos realizados a pacientes oriundos de tais estados, que não possuem convênios firmados com a entidade para a execução de serviços de saúde de alta complexidade.

“Os valores pleiteados pela Fundação não se devem a atrasos, mas sim a diferenças nas contas hospitalares referentes a períodos de internação que extrapolam a solicitação inicial dos estados em decorrência a complicações médicas não previsíveis inicialmente, entre outros fatores”, diz o texto.

“A Funfarme informa ainda que não há um tempo de espera padrão para ajuizar ações, uma vez que são protocoladas conforme a necessidade”, afirma.

A reportagem questionou o Estado do Tocantins sobre a condenação, mas não recebeu resposta até o fechamento desta edição. Ainda cabe recurso contra a decisão. Os estados de Mato Grosso e Rondônia também não responderam aos questionamentos. (LI)

Como funciona

Geralmente, paciente entra com ação judicial

contra o Estado em que mora pedindo custeio de tratamento ou procedimento urgente de saúde

Justiça defere o pedido

Como são procedimentos complexos, Estado procura instituições que os realizam para fazer orçamento

Quando a Funfarme, que administra o Hospital de Base e o Hospital da Criança e Maternidade, é escolhida, os Estados fazem pagamento parcial antecipado ou dão garantia

Ao não ser realizado o pagamento, Funfarme entra com a ação cobrando judicialmente o valor

Na Justiça

Total de ações judiciais movidas pelo Hospital de Base/Funfarme: 24

Valor total de ações: R$ 5.129.960,91

Mato Grosso

  • Ações: 9
  • Valor total das ações: R$ 2.239.824,76

Rondônia

  • Ações: 7
  • Valor total das ações: R$ 1.688.596,77

Tocantins

  • Ações: 7
  • Valor total das ações: R$ 1.201.539,38