Gatinha atacada por cachorro e submetida a duas cirurgias é adotada por moradora de Rio Preto
Gata passou por duas operações delicadas na coluna desde o ataque sofrido em setembro do ano passado, mas arrumou um lar onde poderá se recuperar

A gata Agnes, antes conhecida como Bibi, foi atacada por um cachorro em setembro do ano passado em Urupês, quando ainda morava na rua, e ficou gravemente ferida. Ela precisou ser submetida a delicadas operações na coluna. Agora, encontrou um lar para se recuperar: foi adotada por uma moradora de Rio Preto.
A associação de protetores de animais SOS 4 Patas de Urupês fez o resgate da Bibi e arcou com os custos da operação, porém não tinham a possibilidade de abrigar a gata para que ela pudesse fazer a recuperação devida. A cirurgia precisou ser repetida após Agnes fugir do lar temporário no final do mês de fevereiro e sobrecarregar a coluna recém operada. A gata ficou na clinica veterinária mesmo após receber a alta ao fim do mês pois não havia para onde levá-la.
A história da gata Bibi comoveu a internet e, através da rede social de uma amiga, Nayara Marques se encantou pela gatinha e entrou em contato com a instituição para a adoção.
Moradora de Rio Preto, Nayara é professora de inglês e se apaixonou pela história sofrida de sua nova companheira. “Sempre tive gatos, mas não tinha adotado nenhum desde que passei a morar sozinha.”
Comilona e carinhosa, Agnes se adaptou rápido ao novo lar e gosta de dormir no colo de sua dona, mas ainda tem suas limitações devido à gravidade das cirurgias. "Ela ainda não está se movimentando muito, fica mais deitadinha."
Dez dias após a última operação, Agnes ainda não consegue andar usando as patas traseiras, mas em um vídeo gravado na clinica veterinária a gata respondeu a estímulos feitos nas patinhas, mostrando possuir sensibilidade nelas, o que é um bom sinal para a recuperação. A tutora Nayara está aguardando a liberação da equipe veterinária para começar as sessões de fisioterapia em Agnes.
ONG
A instituição responsável pelo resgate de Agnes existe desde 2012 e é mantida sem ajuda governamental e usa recursos próprios de seus voluntários para realizar os cuidados necessários para os cães e gatos resgatados e já acumula uma dívida de mais de R$ 40 mil nas clinicas da região. “A falta de um espaço físico é o que mais impacta. A gente tá numa situação financeira bem complicada, que está obrigando a gente a recusar muitas coisas que não sejam emergenciais. A gente tem zero ajuda do governo e da prefeitura também.” disse Daisy Annie, uma das responsáveis pela instituição que acompanhou o caso de Agnes de perto.
Os voluntários arrecadam recursos através de vendas de rifas, brechós e bazares comunitários, além de almoços beneficentes, venda de cachorro-quente, bazar da sobremesa, venda de nhoque e outras iniciativas que surgem conforme a necessidade.
“Sabemos como já é difícil conseguir adoção para gatos jovens e saudáveis. Para uma gatinha que hoje ainda não anda e arrasta as patinhas de trás, imaginávamos que seria impossível.” disse Daisy.
A associação começou inicialmente com um grupo de idosas que se juntaram para cuidar dos animais vítimas de maus tratos na cidade de Urupês, e foi crescendo conforme mais pessoas se juntavam para bancar os tratamentos mais complexos que alguns casos exigiam. “De um mês para cá que as postagens no Instagram ficaram mais frequentes, porque antes eram pessoas mais velhas que cuidavam das redes. Ficou mais fácil de achar lares com a divulgação nas redes sociais.” contou a voluntária, “Somos uma associação formada por voluntários e não uma ONG com estrutura formalizada. Não possuímos sede própria, estrutura fixa ou equipe técnica contratada."