Comece hoje pagando a partir de R$5/mês no plano mensal
GOLPE DE R$ 2 BILHÕES

Cinco pessoas são presas em Rio Preto em esquema de lavagem de dinheiro do Jogo do Bicho do Rio de Janeiro

As apurações apontam que, entre janeiro de 2019 e março de 2026, as contas ligadas ao esquema movimentaram cerca de R$ 2 bilhões

por Marco Antonio dos Santos
Publicado em 29/07/2026 às 07:34Atualizado em 29/07/2026 às 10:47
PF cumpre mandado em construtora em Rio Preto (Polícia Federal de Rio Preto)
Galeria
PF cumpre mandado em construtora em Rio Preto (Polícia Federal de Rio Preto)
Ouvir matéria

Cinco pessoas foram presas em Rio Preto, na manhã desta quarta-feira, 29, na Operação Conexão Rio Preto, da Polícia Federal com participação do Gaeco. Os nomes dos presos não foram divulgados.

A ação combate a lavagem bilionária de dinheiro proveniente, principalmente da exploração de jogos de azar, com conexão em três Estados. Segundo o Ministério Público do Estado de São Paulo, o esquema é ligado à exploração do jogo do bicho e do vídeo bingo no Rio de Janeiro.

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão em Rio Preto, no Rio de Janeiro e em Campo Grande.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o dinheiro arrecadado com o jogo do bicho no Rio de Janeiro era enviado para Rio Preto, onde passava por um processo de “lavagem” e era reinserido na economia formal, principalmente no setor da construção civil, com aparência de legalidade.

De acordo com o MP, os investigados atuavam na ocultação e dissimulação de valores obtidos com a exploração ilegal de jogos de azar, especialmente o jogo do bicho. O grupo utilizava máquinas de pagamento por cartão instaladas em bancas, contas de empresas de fachada e saques fracionados em dinheiro para dificultar o rastreamento dos recursos.

As investigações apontam que, entre janeiro de 2019 e março de 2026, as contas ligadas ao esquema movimentaram cerca de R$ 2 bilhões. Desse total, ao menos R$ 100 milhões teriam sido sacados em espécie.

As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Criminal de Rio Preto e cumpridas em Rio Preto, Guapimirim (RJ), Rio de Janeiro (RJ) e Campo Grande (MS).

Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores de 18 pessoas físicas e jurídicas. As medidas incluem sequestro de ativos, indisponibilidade de contas bancárias, criptoativos e veículos, até o limite de aproximadamente R$ 2 bilhões.

Os investigados podem responder por lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

A operação contou com a participação de 88 policiais federais e quatro promotores de Justiça.