Funfarme e Famerp reúnem autoridades nacionais para aumentar o aproveitamento de órgãos para transplantes

Discussões das lideranças governamentais e dos centros transplantadores resultarão em documento com propostas de diretrizes a ser encaminhado ao Ministério da Saúde

por Redação
Publicado em 13/08/2026 às 14:33Atualizado em 13/08/2026 às 14:33
Evento ocorreu nesta quinta-feira, 13 (Divulgação)
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Evento ocorreu nesta quinta-feira, 13 (Divulgação)
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Mais de 73 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante de órgão no Brasil e, somente no ano passado, 4.102 morreram sem conseguir chegar a tempo ao procedimento, segundo dados do Ministério da Saúde e da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Para contribuir com a mudança desse cenário, cerca de 40 especialistas de diferentes regiões do País se reuniram, nesta quinta-feira, 13, em Rio Preto, para discutir como ampliar, com segurança, o aproveitamento de órgãos e aumentar o número de transplantes realizados no Brasil.

Promovido pela Unidade de Transplante de Fígado/Intestino do Hospital de Base, do Complexo Funfarme, em parceria com a Famerp, o “Simpósio sobre Otimização do Doador de Órgãos: da preservação estática à máquina de perfusão” reuniu as principais lideranças desta área da Saúde do país, médicos e chefes de serviços de transplantes, profissionais das equipes de captação e transplante de órgãos e tecidos de vários hospitais.

O encontro teve como principal objetivo elaborar documento com diretrizes para aperfeiçoar a avaliação e a utilização dos órgãos ofertados pelas Organizações de Procura de Órgãos (OPOs). As discussões serão consolidadas em um documento técnico, que será encaminhado ao Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e submetido para publicação no Brazilian Journal of Transplantation (BJT).

O evento contou com a presença de Patrícia Freire, coordenadora-geral do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), do Ministério da Saúde, Dra. Ilka de Fátima Santana Ferreira Boin, vice-presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), Dra. Leila Maria Moreira Beltrão Pereira, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), além de representantes de centros transplantadores de diferentes regiões brasileiras.

Segundo a coordenadora-geral do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), Patrícia Freire, o País ainda tem um número de órgãos que poderiam ser utilizados que estão desconsiderados para transplantes. Ela ressalta que é uma questão multifatorial e o objetivo é entender por que esses órgãos não estão sendo aproveitados para que eles possam atuar sobre os fatores e ampliar o número de transplantes realizados no país.

“Ao final do encontro, a ideia é produzir um documento que possa subsidiar algumas ações que já vêm sendo planejadas. Com certeza, as discussões e contribuições trazidas pelo evento serão muito importantes para que possamos avançar e implementar medidas que já estamos estudando para melhorar o aproveitamento dos órgãos e, consequentemente, beneficiar mais pacientes que aguardam por um transplante", diz a coordenadora-geral do SNT.

A presença das principais lideranças do país e de grandes instituições de saúde reforçou a confiança por parte dos organizadores no sucesso do simpósio e no atingimento de seu objetivo. “Recebemos representantes dos melhores centros transplantadores do país, juntamente com o Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde e as entidades científicas da área. Por sermos pioneiros na utilização de máquinas que preservam órgãos após a retirada, estamos criando diretrizes que vão embasar futuras decisões para que esses órgãos sejam mais bem aproveitados. Tenho certeza de que o documento com diretrizes terá enorme repercussão em todo o país”, afirmou Horácio Ramalho, médico nefrologista e diretor executivo da Funfarme.

Certeza compartilhada pelo diretor do Cintrans – Centro Integrado de Transplantes de Órgãos e Tecidos da Funfarme, o médico nefrologista Mário Abbud Filho. “Como um dos principais centros transplantadores do Brasil, com mais de 7.000 procedimentos já feitos, estamos certos de que, junto com as outras importantes instituições presentes e as lideranças dos governos federal e estadual, apresentarmos propostas bem importantes para melhorar o sistema nacional, beneficiando milhares de pessoas que dependem de órgãos”, declarou Dr. Mário Abbud Filho.

Entre os temas discutidos no Simpósio, os participantes abordaram melhorias na logística e no relacionamento entre os centros transplantadores e as demais instituições de saúde, as condições clínicas do potencial doador e os diferentes fatores que devem ser considerados antes da decisão sobre a utilização de um órgão, como tempo de permanência na UTI, pressão arterial, parada cardíaca prévia, infecções, uso de medicamentos em altas doses, histórico de consumo de álcool, obesidade e câncer. A proposta é que essas informações sejam analisadas em conjunto com as condições reais de cada órgão, permitindo uma avaliação mais individualizada e segura.

“Este evento é fundamental porque o transplante não começa com a equipe de transplantes, mas sim com a equipe da emergência e da UTI. Precisamos discutir como tornar esse doador um doador melhor e mais fisiológico, para aproveitar o maior número de órgãos, realizar mais transplantes e beneficiar a sociedade. Reunimos aqui as maiores autoridades do transplante para criar uma diretriz que uniformize a utilização de órgãos e evite perdas”, explica Dr. Renato Silva, chefe da Unidade de Transplante de Fígado/Intestino do Hospital de Base e coorganizador do simpósio.

Dra. Rita de Cássia Martins Alves da Silva, médica hepatologista, coordenadora da Unidade e coorganizadora do Simpósio salienta que ampliar o número de transplantes exige não apenas aumentar a doação, mas também aperfeiçoar os critérios de avaliação dos órgãos, qualificar a manutenção dos doadores e incorporar tecnologias que ampliem as possibilidades de utilização. “A expectativa é que as diretrizes construídas em Rio Preto contribuam para que mais órgãos potencialmente viáveis cheguem aos pacientes que aguardam na fila. O grande objetivo desse simpósio é trazer novas informações, simplificações na lei e podermos ter uma padronização e uma equalização na realização dos transplantes”, disse a hepatologista do Hospital de Base.

Um dos temas centrais do evento foi a utilização de máquinas de perfusão hepática como importante aliado para ampliar a oferta de órgãos. De maneira pioneira no Brasil, o Hospital de Base inaugurou, em abril deste ano, o primeiro Centro de Manutenção de Órgãos do país, equipado com a máquina de perfusão hepática Liver Assist, da empresa sueca XVivo. Desde então, o HB de Rio Preto utilizou o equipamento em transplantes de fígado em 12 pacientes.

A tecnologia permite manter o órgão em funcionamento fora do corpo e, em determinadas situações, avaliar com maior precisão suas condições antes do transplante. O sucesso da utilização desta máquina foi tratado pelo convidado internacional do Simpósio, o cirurgião britânico Darius Mirza, referência internacional na utilização dessa tecnologia.

“Estamos discutindo a máquina de perfusão, tecnologia fundamental e que nos permite utilizar alguns órgãos sobre os quais temos dúvidas, transformando-os em órgãos melhores. Nosso objetivo também é sensibilizar o governo para que incorpore essa tecnologia no Sistema Nacional de Transplantes”, afirmou Dr. Renato Silva.

Para Darius Mirza, a estrutura do Hospital de Base e a integração entre as equipes são pontos de destaque. “Vim aqui pela primeira vez há 25 anos. É um lugar muito diferente. Mudou para melhor e evoluiu muito bem. Fiquei especialmente satisfeito em ver áreas de UTI muito eficientes, limpas e funcionais. Também gostei muito da interação com os médicos e com a gestão do hospital. Senti que havia uma relação muito harmoniosa entre os médicos seniores e a gestão, o que geralmente é um bom sinal. Significa que todos estão remando na mesma direção”, afirmou.