Fóssil achado em obra na JK impulsiona laboratório
Osso de um dinossauro saurópode e outros fósseis descobertos em canteiro de obras reforçam o potencial paleontológico da região e vão integrar o primeiro Laboratório de Paleontologia do Noroeste Paulista, que será instalado na Unesp

Branco, fossilizado, considerado de valor histórico e cultural inestimável, um osso de dinossauro saurópode foi encontrado por acaso em 26 de maio último pelo professor Rafael Delcourt, do Ibilce, em um canteiro de obras do Grupo FAJ nas proximidades da avenida Juscelino Kubitschek, em Rio Preto. O fóssil revelava mais uma área rica para a pesquisa sobre os organismos que viveram na cidade no período cretáceo. Os tesouros encontrados vão compor o primeiro Laboratório de Paleontologia do Noroeste Paulista.
Mestre e doutor, Rafael chegou na cidade em maio para ser professor de Paleontologia, Geologia e Mineralogia no Ibilce – o campus da Unesp em Rio Preto. Ele transitava pela cidade em direção à Mirassol, em busca de áreas com afloramentos rochosos - formações geológicas expostas na superfície – para estudos de campo.
“Dentro do carro, eu já vi aquelas manchas brancas e pensei: opa, aquilo ali tem um potencial. Desci do carro e já dava para ver um fóssil no paredão, no afloramento. Tem certos elementos que são muito óbvios. Esse era um deles. Um osso de dinossauro, aqui na nossa região, acaba se fossilizando muito branquinho, então contrasta com muita facilidade da rocha”, explica.
Com o apoio do engenheiro responsável, o professor conseguiu obter fósseis retirados pelas retroescavadeiras. Mas grande parte de material paleontológico foi localizado pelo pesquisador, com apoio de estudantes, no aterro onde a empresa está depositando rejeitos da obra.
Entre os materiais encontrados estão ossos de um dinossauro saurópode e fragmentos do casco de uma tartaruga, ampliando o conhecimento sobre a fauna que habitava a região.
“A intenção de um paleontólogo, de um pesquisador, não é parar a obra. As máquinas até ajudam o trabalho paleontológico. Diferentemente do trabalho de arqueologia, a paleontologia é mais ágil nesse sentido, para fazer a coleta. Eu já participei de escavações em obra e a gente ficava do lado da retroescavadeira, na hora que aparecia qualquer indício de fosso, a gente já retirava na hora. Claro que há chance de perder material, Mas entre recolher peças e não recolher nada, a primeira hipótese é melhor”, diz.
O professor menciona que não há legislação em Rio Preto – e em grande parte do país, que estabeleça protocolos visando a identificação e preservação de fósseis encontrados em construção civil. “Muita coisa já deve ter sido perdida aqui porque a cidade está exatamente em cima de rocha do Cretáceo. Aqui tem dinossauro, tem crocodilo, tem tartaruga, deve ter aves fossilizadas”, diz.
O especialista destaca que os fósseis são considerados bens públicos da União e devem ser resguardados por instituições públicas como universidades ou museus em razão de sua importância histórica.
“Essas pesquisas dão caminhos sobre como a gente pode cuidar do meio ambiente, porque olhamos para o passado, para catástrofes em que perderam-se várias espécies e o que a gente poderia fazer numa situação análoga, como o aquecimento global”, afirma.
Essa será a proposta do Laboratório. Desenvolver pesquisas e expandir conhecimento, oferecendo conhecimento e fortalecendo o pertencimento da população com a história e desenvolvimento da cidade.
Ainda não foi definido o cronograma de visitação.