Filha rifa o próprio carro para pagar tratamento contra câncer raro da mãe
Objetivo é custear uma cirurgia em hospital especializado de São Paulo; "ela é meu coração fora do peito", diz

Em um gesto de amor e reconhecimento à importância da mãe em sua vida, uma jovem de Rio Preto está rifando o próprio carro para custear a cirurgia oncológica que vai garantir sobrevida de qualidade à aposentada Maria das Graças Nogueira Dias, de 76 anos.
A família já arrecadou R$ 64 mil de uma meta de R$ 300 mil.
Segundo a designer de cílios Regiana Nogueira Dias, a mãe foi diagnosticada com neoplasia (tumor) de apêndice em 2019, passou por duas cirurgias e quimioterapia, mas a doença retornou.
Em janeiro deste ano, um exame de imagem detectou nódulos cancerígenos na região do abdômen e bacia.
“É como se a pessoa tivesse geleia de mocotó dentro da barriga. E normalmente a principal causa de pseudomixoma é tumor de apêndice. O apêndice que dá apendicite, ele faz uma mucocele, ele rompe e acaba soltando essa gelatina, essa geleia de mocotó dentro da barriga do paciente. A doença atinge uma a cada um milhão de pessoas ao ano. A indicação é cirúrgica, mas nem sempre arcada pelo SUS”, explica o cirurgião oncológico Arnaldo Urbano Ruiz.
Segundo o especialista, o tumor não responde à quimioterapia sistêmica nem à radioterapia. A única chance de controle da doença é uma cirurgia extensa para retirada de todos os focos tumorais, seguida de quimioterapia aquecida aplicada diretamente dentro do abdômen, conhecida como HIPEC.
“É difícil para o paciente que não tem convênio conseguir. Mesmo com convênio é difícil tratar porque são poucos profissionais dedicados e o custo é muito alto. É uma cirurgia que demora de oito a doze, treze horas. O paciente fica internado em média 21 dias”, acrescenta.
De acordo com Regiana, o câncer, em sua fase terminal, pode comprimir o sistema digestivo até que a mãe não tenha mais condições de se alimentar e ingerir líquido. “A partir deste período, a sobrevida é de seis a sete meses até o coração parar”, diz.
Na região de Rio Preto, a unidade mais próxima seria o Hospital de Amor, em Barretos. Mas a família não conseguiu acesso ao tratamento.
“Começamos a pagar o plano quando o câncer foi diagnosticado e, após dois anos de carência, minha mãe iniciou o acompanhamento na rede particular. Penso que qualquer filho faria o mesmo”, disse.
Para pagar a cirurgia no Centro de Doenças Peritoneais do hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, ela decidiu rifar o veículo particular, um Ecosport 2011 preto.
Por meio do site “Rifei”, ela está ofertando números da sorte por R$ 4.
Até o momento, 15.728 números foram vendidos.
É possível também contribuir com qualquer valor por meio da chave Pix 17992508334 (telefone pessoal de Regiana) ou QR code disponível no álbum de foto desse conteúdo (basta clicar na seta ao lado da foto).
“Minha mãe é meu coração fora do peito, meu exemplo de pessoa. Ela dedicou a vida a ajudar os amigos, os vizinhos, os necessitados por meio do voluntariado na igreja. Minha esperança é que as pessoas acolham a causa dela como ela acolheu as pessoas durante tantos anos”, emociona-se.