Feridas persistentes nos lábios podem indicar câncer
Especialista alerta para os riscos da exposição solar sem proteção: “Qualquer ferida no lábio que não some em três semanas precisa ser avaliada”, revela

Com clima predominantemente tropical e elevados índices de radiação solar durante grande parte do ano, o Brasil apresenta uma das maiores incidências de câncer de pele no mundo. Embora a maioria das pessoas associe a doença apenas a manchas na pele, uma região frequentemente esquecida merece atenção especial: os lábios. Expostos diariamente à radiação ultravioleta, eles também podem desenvolver tumores malignos, especialmente quando não recebem proteção adequada.
O câncer de lábios e cavidade oral continua sendo um importante desafio de saúde pública no Brasil. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 15 mil novos casos da doença deverão ser diagnosticados em 2026, com maior incidência entre os homens.
Segundo Eduardo H.K. Oliveira, dermatologista, especialista em Oncologia Cutânea e Cirurgia Dermatológica, os primeiros sinais costumam ser discretos e, justamente por isso, acabam sendo ignorados pelos pacientes. "Uma das alterações que mais me preocupam no consultório é a presença de uma ferida ou casquinha no lábio que simplesmente não cicatriza e permanece por mais de duas ou três semanas. Também devemos ficar atentos a manchas esbranquiçadas ou avermelhadas persistentes, áreas de descamação crônica, endurecimento localizado ou pequenos nódulos que sangram com facilidade. O lábio inferior é o mais afetado porque recebe maior carga de radiação solar ao longo da vida", explica o especialista.
Exposição ao sol é principal fator de risco
O desenvolvimento do câncer de lábio está diretamente relacionado aos danos provocados pela exposição solar sem proteção. Trabalhadores rurais, pescadores, vendedores ambulantes, esportistas e pessoas que passam longos períodos ao ar livre estão entre os grupos mais vulneráveis.
Além do sol, outros fatores também podem aumentar o risco da doença, como o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, idade mais avançada, imunossupressão e a presença de queilite actínica (lesão pré-cancerígena causada pelos danos acumulados do sol ao longo dos anos).
"O cigarro é um agravante importante devido ao contato direto de substâncias cancerígenas com os lábios. Quando associado ao consumo de álcool, esse risco se torna ainda maior", destaca o médico.
Como diferenciar uma lesão suspeita de problemas comuns?
Uma das maiores dúvidas dos pacientes é saber quando uma lesão no lábio pode representar um problema mais grave. De acordo com o especialista, a principal diferença está na evolução da lesão.
"O herpes labial, por exemplo, tem um comportamento previsível: surge, forma bolhas, cria uma casquinha e desaparece em cerca de sete a dez dias. Já uma lesão suspeita é persistente. Ela não melhora com hidratantes ou pomadas e pode se tornar mais endurecida, espessa ou sangrar ao longo das semanas". Nestes casos, "a regra é simples: toda ferida no lábio que não cicatriza precisa ser investigada. É muito melhor realizar uma consulta e descartar uma suspeita do que receber um diagnóstico tardio", explica.
A boa notícia é que o câncer de lábio apresenta altas taxas de cura quando identificado nos estágios iniciais. Além de aumentar as chances de sucesso do tratamento, o diagnóstico precoce permite procedimentos menos agressivos e melhores resultados estéticos e funcionais. “Quando identificamos a doença no início, as chances de cura são extremamente elevadas. Já quando o tumor avança e atinge os gânglios do pescoço, o tratamento se torna mais complexo", afirma o especialista.
Proteção solar também deve incluir os lábios
A prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz contra o câncer de lábio. O uso diário de protetor labial com fator de proteção solar (FPS), chapéus de aba larga e a redução da exposição ao sol nos horários de maior intensidade são medidas essenciais para proteger a região.
"O protetor labial com FPS deve fazer parte da rotina diária, assim como o protetor solar para a pele. Também é importante abandonar o cigarro, moderar o consumo de álcool e observar regularmente os lábios em busca de alterações. O câncer de lábio está entre os tipos de câncer mais evitáveis e mais curáveis, desde que não se ignorem os sinais de alerta", conclui Dr. Eduardo.