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SENTENÇA

Ex-PM é condenado a 5 anos de prisão por extorsão contra prefeito de Cardoso

Ele exigiu um cargo como condição para não revelar um suposto caso extraconjugal

por Joseane Teixeira
Publicado em 03/08/2026 às 14:12Atualizado em 03/08/2026 às 14:24
Dinheiro e arma que teriam sido encontrados com Cabo Borges (Reprodução)
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Dinheiro e arma que teriam sido encontrados com Cabo Borges (Reprodução)
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A Justiça de Cardoso condenou o ex-vereador e policial militar aposentado André Luís Machado Borges, conhecido como Cabo Borges, a 5 anos de prisão pelo crime de extorsão contra o prefeito de Cardoso, Luis Paulo Bednarski Pedrassolli. Ele ainda terá de pagar R$ 20 mil de indenização à vítima. O ex-PM está no presídio militar Romão Gomes.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o réu teria exigido R$ 5 mil e um cargo para não divulgar imagens que, supostamente, comprovariam uma traição conjugal.

O prefeito denunciou o caso à polícia e Borges foi preso no dia 2 de março deste ano, quando saía do prédio da Prefeitura de Cardoso com o dinheiro. Com ele havia um simulacro de arma e, na caminhonete estacionada em frente ao prédio, uma pistola calibre 9 milímetros, municiada.

Questionado sobre a extorsão, o ex-vereador negou as acusações e afirmou que o dinheiro seria um adiantamento por um serviço que prestaria à prefeitura.

De acordo com o MP, o caso teve início no dia 22 de fevereiro, quando o denunciado encontrou-se pessoalmente com o prefeito na praça matriz e pediu para falar em particular. Luís Paulo concordou em receber o cabo Borges em sua casa.

Em determinado momento da conversa, segundo relato do prefeito, o ex-vereador teria exibido imagem que tinha no celular mostrando a vítima saindo de um hotel em Rio Preto, acompanhado de um assessor e uma moradora de Cardoso, dizendo que a suposta prova indicaria relacionamento extraconjugal, o que poderia prejudicá-lo politicamente, além de trazer problemas para o casamento.

No dia 1º de março, cabo Borges teria telefonado para o prefeito exigindo R$ 5 mil para pagar dívidas de uma caminhonete. “A vítima, amedrontada, cedeu, ficando certo de que, no dia seguinte, o denunciado deveria dirigir-se à Prefeitura Municipal”, consta na denúncia. A Polícia Militar foi acionada assim que o homem deixou o gabinete. Ele foi preso em flagrante.

A juíza Helen Komatsu, da Vara Única de Cardoso, ainda determinou a perda da arma, que deverá ser encaminhada ao Exército. “O réu, policial da reserva e ex-vereador, demonstrou concreta periculosidade social, uma vez que, premido por dívida, praticou extorsão contra a máxima autoridade municipal sem qualquer tipo de rodeio, extrapolando a esfera de ofensa meramente patrimonial ou individual, com o ataque, de forma direta, da própria higidez das instituições municipais”, fundamentou.

O advogado Augusto Cunha Júnior vai recorrer da sentença.