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ESPECIAL 173 ANOS

Estação Rodoviária se torna elo de Rio Preto com o País

A Estação Rodoviária Governador Laudo Natel foi inaugurada no Centro de Rio Preto em 1973; naquela época, região concentrava toda a atividade comercial da cidade

por Francela Pinheiro
Publicado em 19/03/2025 às 00:00
Vista aérea da Rodoviária e do Terminal Urbano (Guilherme Baffi)
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Vista aérea da Rodoviária e do Terminal Urbano (Guilherme Baffi)
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O prédio da Estação Rodoviária de Rio Preto foi inaugurado em 26 de janeiro de 1973, com o nome de Estação Rodoviária Governador Laudo Natel. A inauguração é considerada por historiadores com um dos marcos do desenvolvimento econômico, social e urbano da cidade, uma vez que, por muitas décadas, até o início dos anos 70, os passageiros que vinham de outras cidades por meio dos ônibus e jardineiras da época tinham que desembarcar na Praça Dom José Marcondes, no Centro. A Estação, anos depois, passou por mudanças, reforma e revitalização.

O jornalista e historiador Fernando Marques afirmou que a inauguração da Estação Rodoviária foi importantíssima para atender a demanda do transporte de passageiros da cidade. Necessidade que se tornava cada vez mais latente desde 1948. “Em 4 de abril de 1948, o jornal A Notícia estampava na capa: 'Poderemos ter em breve uma grande e moderna Estação Rodoviária',” afirmou Marques. Segundo o historiador, a matéria noticiava que a estação seria construída com um amplo pátio de manobras e uma cômoda “gare” e plataformas para passageiros. “A estação comportaria ainda uma oficina mecânica para os ônibus, ambulatório médico, restaurantes, cafés e lojas das mais diversas utilidades”, disse Marques.

Nada de obra

Os anos se passaram e o projeto moderno e tão esperado não saía do papel. Enquanto isso, segundo Marques, os ônibus e as jardineiras continuavam a embarcar e desembarcar no Centro. “Chegavam numa praça pública, onde não havia instalações sanitárias, nem água, nem sombra, nem sequer banco. E quando chovia então era um Deus nos acuda”, pontuou o historiador.

Sem rodoviária e com a demanda por um espaço próprio cada vez maior, os ônibus intermunicipais passaram a embarcar e desembarcar na Praça Paul Harris, ao lado da Estação da Estrada de Ferro Araraquara (EFA). “Sem nenhum conforto. Somente em 1970, na primeira gestão do prefeito Adail Vettorazzo, que o caso foi solucionado”, disse Marques.

Construção

A boa notícia para a cidade chegou em 1970, quando em maio daquele ano, a Prefeitura começou a demolir casarões e edificações antigas entre as ruas Bernardino de Campos, Voluntários de São Paulo e Pedro Amaral para dar início à esperada Estação Rodoviária da cidade e, assim, atender mil chegadas e partidas diárias, segundo registros da época. “Batizada com o nome do governador Laudo Natel, a estação foi inaugurada em 26 de janeiro de 1973, com apenas dois pisos prontos, ficando o pavimento superior inacabado”, afirmou Marques.

A partir daí, a cidade contava com uma Rodoviária construída em um ponto estratégico de Rio Preto, que na época concentrava o comércio, os hotéis, os bares e as atividades da cidade. A Rodoviária foi construída depois da abertura das avenidas Alberto Andaló e Bady Bassitt e, por isso e outros motivos, alguns críticos consideram que o ponto não foi a melhor escolha da Prefeitura na ocasião. Apesar das críticas, a Estação Rodoviária permaneceu no mesmo local. Em novembro de 2019, o ex-prefeito Edinho Araújo inaugurou o Terminal Urbano Professor Manoel Antunes, construído na antiga Praça Cívica, também na Região Central, e o transporte urbano municipal passou para o Terminal. Na Rodoviária, ficou o transporte intermunicipal e outros destinos.

Incêndio

Em janeiro de 2021, um incêndio que se iniciou no Shopping Azul da Rodoviária devastou 160 lojas de roupas, calçados, equipamentos eletrônicos e outros produtos do comércio popular e danificou as estruturas da Rodoviária. Em dezembro de 2023, a Estação Rodoviária reabriu as portas revitalizada e com um sistema reforçado de monitoramento, catracas para acesso às plataformas de ônibus e com sala VIP. Hoje, segundo dados da Prefeitura de 2024, a média mensal é de 45 mil passageiros. Os destinos mais procurados incluem a cidade de São Paulo, Ribeirão Preto, municípios da Região Noroeste do Estado, cidades do litoral paulista e capitais de outros estados, como Rio de Janeiro, Goiânia e Cuiabá.