Empresário e mães de vítimas são presos por exploração sexual de crianças em Rio Preto
Investigações indicam crimes graves, incluindo exploração sexual de crianças e adolescentes, produção e armazenamento de material

Um empresário de Rio Preto está preso temporariamente por 30 dias sob a suspeita de oferecer dinheiro em troca de fotos de crianças nuas em poses sensuais. Três mulheres também foram presas nesta terça-feira, 16, durante a operação denominada "Divina Proteção", que apura exploração sexual de crianças e adolescentes, produção e armazenamento de material. Há suspeita de pedofilia.
Parte dos crimes teria ocorrido na residência do suspeito, localizada em um condomínio de alto padrão de Rio Preto. A quantidade de vítimas pode aumentar após análise das imagens apreendidas na casa do empresário.
Dono da rede de motéis Divine, o empresário é Marcos Roberto Orsi. Os nomes das mulheres são preservados em respeito ao que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), para evitar o risco de identificação e estigmatização das crianças.
DENÚNCIA
O caso começou a ser investigado em março deste ano pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Rio Preto, quando uma outra mãe procurou a Polícia Civil após recusar o dinheiro do empresário e ficar indignada com a proposta.
"Fizemos diligências, acompanhamento e a identificação dos locais para onde essas crianças eram levadas para a produção dessas provas", explicou o delegado seccional Everson Contelli.
O que mais chamou a atenção dos investigadores foi a conivência e a participação direta de familiares das crianças, porque, muitas vezes, as cenas de pornografia infantil eram feitas com a presença e até ajuda das próprias mães.
Para convencê-las, o empresário é suspeito de oferecer dinheiro para pagar contas da casa delas, como água, luz, telefone e até boletos de contas de compra de produtos e aquisição de serviços.
"Infelizmente, são pessoas próximas, familiares que deveriam proteger os filhos, mas que possibilitaram que fatos graves como esse fossem praticados", afirma o delegado titular da DDM, Tiago Ramazotti.
CONTATOS
Segundo a Polícia Civil, o empresário teria conhecido as mulheres que foram presas após encontro com elas em um motel de sua propriedade. Ele costumava pedir que mães de filhos pequenos enviassem fotos e vídeos via WhatsApp.
Após ser apresentado na DDM, o suspeito exerceu o direito de permanecer em silêncio durante o depoimento. A polícia confirmou que ele já possui antecedentes criminais.
"Ele já tem um registro anterior por exploração sexual infantil e indução à prostituição. No entanto, na época, ele não foi condenado e acabou sendo absolvido", destaca Ramazotti.
Ainda não se sabe se o empresário comercializava as imagens na internet. Esse detalhe será esclarecido com a perícia nos dispositivos apreendidos durante o cumprimento dos mandados.
Segundo Ramazotti, embora ainda não haja confirmação de abusos físicos, a conduta dos envolvidos é tratada com rigor máximo pela legislação. "Todos eles estão sendo enquadrados no crime de estupro de vulnerável, porque não é necessário o contato físico para que o crime se consuma", detalha.
Além das três crianças, vítimas iniciais, a Polícia Civil vasculhará os arquivos digitais apreendidos na residência para tentar identificar outras menores que possam aparecer nos registros.
GUARDA
Por conta da gravidade do caso, o Ministério Público pretende pedir a destituição temporária do poder familiar das mães. Como as vítimas possuem pais registrados, o episódio deve gerar uma disputa judicial pela guarda. A rede de assistência social e psicológica do município será notificada para realizar o acompanhamento dos menores. "São casos graves que demandam uma atuação conjunta", conclui o delegado da DDM.
Segundo o delegado seccional Everson Contelli, o período da prisão temporária será usado para extrair dados dos eletrônicos e aprofundar as provas. "Se necessário, pediremos a prorrogação; caso contrário, encerraremos a investigação e a encaminharemos ao Ministério Público."
Além de estupro de vulnerável, o grupo é investigado por possível associação criminosa e por infrações previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Não foi possível encontrar os advogados de defesa das pessoas envolvidas.