Quase metade dos alunos desiste da faculdade na região de Rio Preto
Estudo do Instituto Semesp mostra que falta de vocação, cursos desatualizados e dificuldades financeiras motivam abandono precoce de estudantes de cursos de graduação no Brasil

Quase metade dos estudantes de instituições de ensino superior particulares da região de Rio Preto desistiu da faculdade, em 2021. É o que aponta um estudo do Semesp – entidade que representa as instituições de ensino do País – intitulado Mapa do Ensino Superior no Brasil.
O levantamento feito com base nos últimos dados do Censo da Educação Superior revela que, de cada cem alunos matriculados nas faculdades particulares do Noroeste paulista, 46 desistiram do curso antes de terminar (46,7%).
Em contrapartida, quando analisado o contexto de faculdades públicas, como a Famerp, a Unesp de Rio Preto e a de Ilha Solteira, a taxa de desistência é de 39,5%.
Cursos desatualizados, falta de vocação pela área escolhida e dificuldades financeiras são apontados pelo Instituto Semesp como principais motivadores para o abandono precoce de estudantes brasileiros de cursos de graduação.
“A pessoa ingressa e não consegue continuar pagando. Ou entra no curso mais barato porque é o que pode pagar, mas não estava vocacionado para aquela área. Muitas vezes ele quer fazer arquitetura, mas faz pedagogia a distância porque é o que cabe no bolso. A chance de se frustrar e desistir é enorme”, diz Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp.
Outro aspecto que pode ter influenciado na alta taxa de evasão do ensino superior – no País ela é de 55% – é que os dados ainda abrangem a pandemia do coronavírus – período em que a situação econômica de muitas famílias se agravou.
Para Luciana Nogueira da Cruz, professora de psicologia da educação do Ibilce, outro fator que tem impactado diretamente os estudantes brasileiros são transtornos psiquiátricos.
“Nós nunca observamos tantas questões ligadas à emoção do estudante como temos visto atualmente. Na faculdade mesmo, temos muitos alunos com dificuldade de relacionamento interpessoal, em lidar com frustrações. Isso também influência muito na permanência do aluno no curso”, ressaltou.
Para ela, além de revitalização de cursos e melhor condição econômica aos ingressantes, é necessário um maior olhar das instituições de ensino sobre a saúde emocional dos estudantes. “É muito importante a oferta de alunos de atendimento psicológico aos estudantes, principalmente, através de parcerias que possam levar esse estudante a um profissional de saúde mental especializado”, defendeu.
Onde há mais desistência
Cursos na área de exatas, como física e matemática, e de tecnologia da informação estão na lista dos que possuem maior taxa de desistência, segundo o estudo. Na contramão, a área com menor evasão é medicina, curso caro em universidades privadas e difíceis de ingressar nas públicas.
“O que a gente observa em cursos de exatas é que muitas vezes os docentes não têm tanta habilidade na relação professor-aluno, usam algumas metodologias de avaliação ultrapassadas, o que aumenta o estresse do estudante e uma consequente desistência do curso”, disse Luciana Nogueira, professora de psicologia da educação do Ibilce.
Outros cursos que aparecem com altas taxas de abandono é direito (52,1%) e engenharias (56,2%).
No caso de direito, por exemplo, o que frequentemente acontece é que estudantes ingressam no curso na dúvida do que exercer e no meio da graduação desistem, por ver que não é aquela área que deseja exercer.
Especialistas apontam que o déficit de aprendizado dos estudantes do ensino médio é outra barreira do grande abandono de cursos da área. Isso porque ao entrar na universidade, principalmente, em cursos da área de engenharia, o aluno encontra dificuldade em matemática e desiste. (RC)
Dados
Região de Rio Preto
- Municípios: 96
Cursos presenciais
- Instituições de ensino: 27
Matrículas
- Rede privada: 30.241
- Rede pública: 8.093
- Total: 38.334
Cursos a distância
- Instituições de ensino: 68
Matrículas
- Rede privada: 16.191
- Rede pública: 1.998
- Total: 18.189
Evasão no ensino presencial
- Rede privada: 46,7%
- Rede pública: 39,5%
Dados do Estado
Cursos presenciais com mais matrículas – Rede privada
- 1º Direito
- 2º Psicologia
- 3º Administração
- 4º Enfermagem
- 5º Medicina
Cursos presenciais com mais matrículas – Rede pública
- 1º Sistemas de Informação
- 2º Direito
- 3º Ciências Naturais (abrange matemática e física)
- 4º Medicina
- 5º Gestão de Negócios
Cursos a distância com mais matrículas – Rede privada
- 1º Pedagogia
- 2º Administração
- 3º Gestão de Pessoas
- 4º Sistemas de Informação
- 5º Marketing
Cursos presenciais com mais matrículas – Rede pública
- 1º Pedagogia
- 2º Engenharia da Computação
- 3º Ciência de Dados
- 4º Engenharia de Produção
- 5º Matemática - licenciatura
Evasão no Estado
- 56,4% dos estudantes desistem do curso
Dados do País, segundo o Mapa do Ensino Superior
- 55,5% dos alunos que começaram a faculdade em 2017 no Brasil já tinham desistido em 2021
- A desistência é maior em instituições privadas (59%) do que nas públicas (40,3%)
- Em cursos de TI, 66,5% desistem do curso antes de acabar
- Medicina tem o índice mais baixo de desistência, 18%
- Em Direito, são 52,1% e nas Engenharias, 56,5%
- 468 mil estudantes cursam ensino superior em TI. Os cursos mais procurados são Ciência da Computação, Sistemas de Informação e Gestão de Tecnologia da Informação
- Cursos a distância cresceram 26,6% na rede privada, onde estão 92,6% da oferta não presencial
Fonte: Semesp, com dados do Inep