SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 07 DE JULHO DE 2022
PARA RESGATAR LEITORES

Professor leva mães para ler aos filhos em escola de Votuporanga

Objetivo é estimular o hábito da leitura, perdido durante a pandemia​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​

Rone Carvalho
Publicado em 16/05/2022 às 22:05Atualizado em 17/05/2022 às 08:12
Andréia Bernardo com o filho João Gabriel, de 8 anos. Ela foi a primeira a participar do projeto (Colaboração/ Leitor)

Andréia Bernardo com o filho João Gabriel, de 8 anos. Ela foi a primeira a participar do projeto (Colaboração/ Leitor)

A pandemia do coronavírus desestimulou o hábito de leitura dos alunos brasileiros e, para reverter isso, o professor de Votuporanga Milton Perecin dos Santos resolveu unir mães na tarefa de resgatar o hábito leitor dos estudantes votuporanguenses.

Intitulado “Minha mãe é uma história”, o projeto pede que a mãe dos alunos contem uma história para os colegas do filho na escola. “É uma forma de unir a família e estimular a leitura”, destacou o professor da Escola Professora Anita Liévana Camargo.

Segundo Andréia Bernardo, primeira mãe a participar do projeto, a ação conseguiu resgatar o hábito de leitura do filho. “Contei a história da Chapeuzinho Amarelo do Chico Buarque. Quando o João (filho) me viu na sala, ele não acreditou. Fiz até um chapéu amarelo. Foi uma sensação maravilhosa”, falou a mãe.

A iniciativa deu tão certo que, após o projeto, outras mães também foram para a escola contar histórias. “É interessante, porque agora o João está lendo muito mais do que antes. Não precisa ficar mandando”, diz Andréia.

Milton conta que a ideia do projeto surgiu após notar muitos alunos desestimulados, mesmo com o retorno das atividades presenciais na escola. “O legal é que as crianças não sabem que a mãe vai na escola. É uma surpresa que deixa eles ainda mais conectados à história”.

Dados do Painel do Varejo de Livros no Brasil, divulgado pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) a partir de pesquisa feita pela Nielsen BookScan, demonstrou que cresceu a venda de exemplares de livros em 2021, em comparação a 2020 – primeiro da pandemia. No entanto, professores dizem que a maioria dos alunos voltaram para a escola desmotivados e com baixa adesão de leitura.

Isso acontece, principalmente, no ensino fundamental, quando a criança recebe, normalmente, o primeiro incentivo de leitura na instituição de ensino. “A escola recebeu crianças mais dependentes, mesmo crianças maiores estão com muita dificuldade de terem sua própria autonomia”, destacou Milton.

Outro problema notado pelos professores é com relação às faltas. Apesar de ainda não haver números oficiais, professores dizem que os alunos estão faltando mais. “Temos todos os dias, em todas salas de aula, pelo menos uma falta. Já teve dias de ter seis ou sete faltas”, disse Milton.

Questionado sobre o incentivo à leitura, o professor votuporanguense afirma que investir nela é uma forma de desenvolver o senso crítico dos estudantes. “A leitura é a base, eu preciso que saibam ler, não como mecanismo de codificação, mas para desenvolver o senso crítico”.

Outro projeto incentiva leitura para coruja

Aluno com parte do dinheiro ganho após ler para o mascote da escola

Além do projeto de incentivo à leitura através das mães, o professor Milton Perecin dos Santos também é idealizador de uma iniciativa que estimula leitores mirins a trocar livros por um dinheiro próprio, criado na escola municipal.

A ideia consiste em estimular o hábito, com o aluno trocando a ficha de leitura dos livros por cédulas de um dinheiro fictício, o “milteca”. “No final do ano, vamos fazer uma feira, eles vão poder adquirir o produto com o dinheiro que ganharam lendo os livros, ou seja, quem mais ler vai conseguir arrecadar mais”, explicou.

O projeto envolve língua portuguesa, matemática e educação financeira. “A gente também possui um mascote, que é uma coruja de pelúcia que fica dentro de uma gaiola. Todo dia, uma criança abre e faz uma leitura em voz alta pra ela. Se cumprir, ganha dinheiro”.

Segundo o professor, a ideia de fazer a leitura para um bicho de pelúcia é estimular o acerto na pronúncia das palavras. “Normalmente, se a pessoa erra, a gente não tem paciência para esperar completar e completamos por ela. As crianças que não completam a leitura, continuam na dependência do outro, nosso mascote ajuda nisso. Sem contar que elas não sentem vergonha”. (RC)

Professor Milton Perecin dos Santos, responsável pelos projetos (Colaboração/ Leitor)

Mãe contando história para os amigos do filho em escola de Votuporanga (Colaboração/ Leitor)

 
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