Educação apura omissão de escola com estudante autista em Rio Preto
Segundo a mãe, jovem defecou na roupa e permaneceu sujo durante todo o turno letivo, sem que a família fosse comunicada ou que o estudante fosse auxiliado na sua higiene pessoal

A Secretaria Estadual de Educação informou que instaurou procedimento para apurar a conduta da equipe gestora da Escola Estadual Parque das Aroeiras II, em Rio Preto, após a mãe de um adolescente autista de 14 anos denunciar que o filho defecou na roupa e permaneceu sujo durante todo o turno letivo, sem que a família fosse comunicada ou que o estudante fosse auxiliado na sua higiene pessoal. De acordo com a mãe, Cynthia Gontijo, essa foi apenas uma das situações violadoras as quais o filho tem sido vítima na unidade.
“Meu filho faz terapia desde o primeiro ano de vida. Faz natação, equoterapia, toma as medicações em dia. Mas ele era assistido pela instituição Renascer e, quando a Prefeitura de Rio Preto rompeu o convênio, ele simplesmente foi ‘jogado’ na rede estadual, sem qualquer respaldo”, afirma.
Cynthia diz que precisou da intervenção da diretoria de ensino para conseguir matricular o filho na unidade porque a diretora se recusava a receber o estudante.
Agora, a luta tem sido por um professor auxiliar, que a família está requerendo desde o ano passado.
“Ele vai e volta da escola com o caderno intacto. Os colegas de sala riscam ele com canetão, escrevem palavras pejorativas. Não tenho nenhum apoio da escola no desenvolvimento dele”, lamenta.
A situação excludente tem feito a mãe cogitar o ensino domiciliar.
“O sistema não está preparado para o fato de que os autistas crescem. Se tornam adolescentes. Sentem o peso do isolamento, do bullying. O Caps só dá suporte se houver relato de tentativa de suicídio”, diz.
Procurada, a Secretaria Estadual de Educação respondeu que lamenta o ocorrido e já instaurou um procedimento para apurar a conduta da equipe gestora diante dos fatos. “Além disso, notificará a empresa responsável pelo fornecimento do profissional de apoio em razão das constantes faltas sem justificativa e da ausência de substituição do colaborador”.
Segundo a pasta, a equipe gestora tomou conhecimento da situação, o estudante e sua família foram acolhidos e receberam os devidos esclarecimentos, orientações e encaminhamentos.
A Prefeitura de Rio Preto não se manifestou sobre o suporte oferecido para jovens autistas.