Dom Paulo Peixoto apresenta sua carta de renúncia ao papa
O ato é obrigatório para o religioso de alto clero ao atingir 75 anos, embora ele diga que tem forças e saúde para continuar atuando

O dom Paulo Mendes Peixoto, arcebispo metropolitano de Uberaba (MG), apresentou ao papa Leão 14 sua carta de renúncia ao cargo. Após completar 75 anos, o que ocorreu na quarta-feira, 25, ele é obrigado cumprir esse protocolo de aposentadoria compulsória, mas ao Diário, ele diz que torce para que o sumo pontífice o mantenha por mais tempo na função, porque, segundo ele, ainda tem saúde para fazer o trabalho pastoral.
No ano passado, o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, outro ex-bispo de Rio Preto, também apresentou carta de renúncia, em junho do ano passado, mas o papa solicitou sua permanência por mais dois anos, até que a escolha de seu sucessor seja feita.
Ao atingir os 75 anos, os arcebispos devem comunicar formalmente o Vaticano, por meio de uma carta ao papa, colocando o cargo à disposição. A partir disso, cabe ao pontífice decidir se aceita o pedido ou se solicita a permanência por mais tempo, decisão que considera especialmente as condições de saúde do religioso.
Dom Paulo informou que encaminhou a carta no último dia 25 de fevereiro, mas destacou que considera sua saúde “razoável” e colocou-se à disposição da decisão do Papa.
“Na carta coloquei isso, que a minha saúde está razoável e que estou à disposição. Se pedir mais uns anos, estou à disposição”, afirmou.
Ao fazer um balanço do período em que esteve à frente da Arquidiocese, ele classificou a experiência como positiva. “Ninguém tem capacidade 100% para gerir alguma coisa. Comigo não seria diferente. Mas sinto que o peso positivo é muito maior do que o negativo. Existem imperfeições, são coisas naturais da vida humana. Eu me sinto muito realizado”, disse dom Paulo.
O religioso lembrou ainda que foi bispo em Rio Preto entre 2006 e 2012 e comentou sobre a última visita à cidade, durante a missa de instalação da Arquidiocese. Ele afirmou que, sempre que houver oportunidade, pretende retornar, embora a agenda seja apertada.
Campanha da Fraternidade
Ao falar sobre a Campanha da Fraternidade, promovida anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o arcebispo destacou que, desde 1964, a Igreja no Brasil propõe durante a Quaresma a reflexão sobre temas sociais.
Neste ano, o tema escolhido é fraternidade e moradia. “Não podemos ficar só na fé. A CNBB escolhe temas sociais para reflexão. Não tendo casa, não tendo moradia, a pessoa vive uma situação de indignidade. A fé tem que levar a gente a olhar para essas situações”, afirmou.