Devoção a Santo Antônio reúne gerações em Rio Preto
Programação especial neste sábado, dia do santo, tem missas, procissões, bolinho com "medalhinha do casamento" e pãozinho abençoado

A tradicional festa de Santo Antônio, celebrada em 13 de junho, vai muito além da fama do "santo casamenteiro". Na Paróquia Santo Antônio de Lisboa, em Rio Preto, a data reúne gerações em torno da fé, da caridade e do trabalho voluntário. Entre bolos com medalhinhas, distribuição dos tradicionais pãezinhos abençoados e uma quermesse que mobiliza dezenas de pessoas, a devoção ao santo revela histórias de perseverança e amor que atravessam o tempo.
Conhecido popularmente como o "santo casamenteiro", Santo Antônio é celebrado em todo o país no dia 13 de junho com missas, procissões, quermesses e tradições que atravessam gerações. Em Rio Preto, a Paróquia Santo Antônio de Lisboa mantém viva essa devoção por meio de uma programação intensa e do envolvimento de dezenas de voluntários que transformam fé em serviço.
Há cinco anos, um dos símbolos mais aguardados da festa é o bolo de Santo Antônio. A iniciativa começou de forma modesta, com cerca de 600 pedaços vendidos. Depois vieram 1.200, 1.700 e, neste ano, a expectativa é chegar a 2.500 unidades.
"Desde fevereiro a gente começou a encomendar as embalagens. Fizemos rifa e outras campanhas para que seja um evento 100% lucrativo. A gente tenta todos os anos não tirar nenhum dinheiro da paróquia, e temos conseguido", explica a coordenadora Andréia Queiroz Vila. Segundo ela, cerca de 20 voluntários participam diretamente da produção.
Entre essas voluntárias está Maria Isabel dos Santos, a Bel, que vê no trabalho uma missão de fé.
"É gratificante, porque a gente faz como doação, de corpo e alma. É sacrifício mesmo, é bem cansativo, mas no final a gente sempre fica contente com o resultado. A hora que acaba, todo ano é a mesma sensação: vencemos. E já pensamos no próximo, no que pode melhorar", relata.
Para Bel, a devoção também é herança familiar. Ela conta que cresceu acompanhando a mãe nas atividades da igreja e fez questão de transmitir a mesma vivência às filhas.
"Procurei educar na fé cristã, na fé católica. Minha mãe fez isso comigo. Deu certo e está dando certo de novo", afirma.
A continuidade dessa tradição é representada pela filha, Beatriz dos Santos, que ajuda na preparação dos bolos e guarda uma história curiosa com as famosas medalhinhas escondidas nos pedaços.
"Achei a medalhinha três vezes. Foi no primeiro ano do bolo, no segundo ano e, no terceiro, que foi quando eu casei, a encontrei novamente", conta, aos risos.
Embora a medalhinha seja associada à busca por um casamento, Beatriz destaca que o significado vai além.
"Hoje eu peço outras coisas e vejo que algumas já estão acontecendo. Acredito que seja por intercessão de Santo Antônio. Eu coloco um pouquinho da minha fé em cada bolo e torço para que outras pessoas também tenham essa experiência."
Segundo o pároco, padre Rafael Henrique, a tradição do bolo remete a um episódio atribuído ao santo, que teria ajudado um casal apaixonado a superar conflitos familiares.
"O mundo todo reconhece Santo Antônio como alguém que intercede por aqueles que desejam viver a vocação matrimonial. Alguns pedem pela busca de um companheiro, outros pelo próprio casamento, mas muitos apresentam outras intenções e necessidades da vida", explica.
Neste dia 13 de junho, os pedaços do bolo serão vendidos na porta da igreja por R$ 7 a unidade ou três por R$ 20.
Pão abençoado e gestos de partilha
Outra tradição que atrai milhares de fiéis é a distribuição dos pãezinhos de Santo Antônio. A crença popular recomenda consumir o alimento ou guardá-lo na cozinha como símbolo de fartura e proteção para que não falte o sustento ao longo do ano.
"No ano passado tivemos entre 4 mil e 5 mil pãezinhos. Este ano a expectativa é semelhante. As pessoas trazem pão francês, pão de leite e até pão caseiro para serem abençoados e distribuídos", afirma o padre.
Para ele, o gesto representa o verdadeiro legado deixado pelo santo.
"Santo Antônio foi um grande pregador da Palavra de Deus, mas também um homem da caridade, sempre disposto a cuidar dos mais necessitados. A caridade é a maneira de praticarmos o Evangelho."
E essa caridade, segundo o sacerdote, vai muito além da ajuda financeira.
"Acontece no carinho com o idoso, na atenção ao doente, na forma como tratamos nossos familiares, no sorriso acolhedor e no abraço que acalenta. Quanto maior a presença de Deus em nós, maior é o gesto de caridade que trazemos."
Programação especial
À frente da Paróquia Santo Antônio de Lisboa há três anos e quatro meses, padre Rafael destaca que a celebração do padroeiro é um dos momentos mais importantes da comunidade.
A trezena termina no dia 12 de junho, coincidindo com o Dia dos Namorados. Já no dia 13, a programação contará com missas às 7h, 9h, 12h, 15h e 19h, além da procissão às 16h30. Neste ano, os horários foram adaptados por causa da estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.
"Não vamos competir. Ao contrário, queremos convidar todos a participar da quermesse. Saindo da missa, já vem torcer pelo Brasil", brinca o padre.
Com comidas típicas, música e ambiente familiar, a quermesse segue nos dias 13, 19 e 20 de junho.
Mais do que manter costumes populares, a festa de Santo Antônio reafirma o valor da fé compartilhada. Entre receitas, medalhinhas, pães e orações, o que sustenta a celebração é a disposição de pessoas que, geração após geração, encontram na devoção ao santo uma forma concreta de servir, agradecer e acreditar que pequenos gestos podem transformar vidas.