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DESPEDIDA

Corpo de padre que morreu na Ucrânia chega a Rio Preto para despedida

Familiares e amigos se reuniram na Paróquia Santuário das Almas para despedida

por Joseane Teixeira
Publicado em 15/06/2026 às 11:27Atualizado em 15/06/2026 às 11:28
Missa de corpo presente na Paróquia Santuário das Almas (Joseane Teixeira 15/06/2026)
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Missa de corpo presente na Paróquia Santuário das Almas (Joseane Teixeira 15/06/2026)
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Familiares e amigos se reuniram na manhã desta segunda-feira, 15, no Santuário das Almas, em Rio Preto, para a missa de corpo presente do padre Robson André Gavioli de Mattos, que morreu no dia 6, por complicações de uma cirurgia na Ucrânia.

A escolha da paróquia para a despedida marca o local onde o religioso iniciou sua caminhada catecumenal até ser ordenado padre na Ucrânia, em 2021.

“Bendizemos e agradecemos a Deus pela vida dele neste mundo, que foi tão importante como missionário. Um padre que não viveu para si, mas se doou inteiramente aonde Deus o chamou, na Ucrânia, atendendo aos refugiados da guerra. Preferiu viver o perigo da guerra à comodidade”, disse o padre Valdinei Lobo.

Muito emocionados, os pais Osnir e Creuza de Mattos foram acolhidos por dezenas de pessoas que tiveram a vida impactada pela bondade, generosidade e bom humor do jovem padre, que morreu aos 36 anos.

“Lágrimas sim, revolta não. A dor é imensa, mas sabemos que Robson foi feliz cumprindo seu chamado, ele não faria outra escolha, dizia sempre pra nós que estava em casa, na Ucrânia”, disse o pai.

Após a cerimônia, o corpo será levado para Urânia, a 160 km de Rio Preto, onde será celebrada a última missa de corpo presente, seguida do sepultamento em jazigo da família.

"A bíblia é minha arma"

Em fevereiro de 2022, o Diário contou a história de fé coragem do sacerdote, que foi ao encontro da área de conflito, enquanto refugiados tentavam deixar o país.

Quando a guerra escalou, Robson estava em uma conferência a sete quilômetros de duas fronteiras (Hungria e Eslováquia), mas decidiu voltar para o seu posto em Khmelnytsky.

A cidade onde o religioso atuava não é próxima a nenhuma fronteira, mas está na rota dos refugiados que seguem para a Polônia. Por isso, a igreja tem funcionado como base de apoio, oferecendo descanso, banho e alimentação para dezenas de famílias. Quem se aloja, repõe também as energias espirituais. “Não deixamos o irmão seguir jornada sem uma palavra de vida e esperança”, disse Robson na ocasião.

Ordenado padre em 2021, ele era responsável pela missa das crianças, celebrada todos os domingos de manhã.

Apesar da incerteza sobre o futuro, Robson tinha confiança no propósito que o levou até a Ucrânia. “Fui sorteado entre dezenas de missionários para estar neste país. Minha mãe disse para eu voltar para casa. Respondi para ela: ‘mãe, eu já estou em casa’”.