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OPERAÇÃO

Com mandados em Rio Preto, operação mira 6 fintechs envolvidas em esquema do PCC no setor de combustíveis

Receita Federal, Gaeco/SP e órgãos parceiros ampliam investigações sobre organização criminosa atuante no setor de combustíveis na operação Fluxo Oculto, segunda fase da Carbono Oculto

por Redação
Publicado há 1 horaAtualizado há 57 minutos
Foram cumpridos 59 mandados de busca e apreensão (Divulgação)
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Foram cumpridos 59 mandados de busca e apreensão (Divulgação)
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A Receita Federal deflagrou nesta quinta-feira, 28, a Operação Fluxo Oculto, segunda fase da Operação Carbono Oculto, considerada a maior ação contra o crime organizado da história do País. As novas investigações identificaram seis fintechs suspeitas de atuar como bancos paralelos de uma organização criminosa ligada ao setor de combustíveis. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Rio Preto.

Segundo a Receita Federal, as empresas movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025 e eram usadas em esquemas de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, blindagem patrimonial e ocultação de recursos ilícitos.

A operação identificou que quatro fundos de investimento suspeitos de integrar um esquema de desvio de nafta ligado ao PCC acumulam patrimônio estimado em R$ 205 milhões.

Estão sendo cumpridos 59 mandados de busca e apreensão em pessoas físicas e jurídicas de cinco estados: São Paulo (capital, Arujá, Atibaia, Barueri, Itupeva, Jardinópolis, Mogi das Cruzes, Paulínia, Rafard, Santos, Rio Preto, Sorocaba e Votorantim), Paraná (Cascavel e Paranavaí), Mato Grosso do Sul (Iguatemi), Minas Gerais (Belo Horizonte) e Rio de Janeiro (capital).

Participam da ação desta quinta-feira o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), além da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz/SP), Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo e as polícias Civil e Militar.

Segundo os investigadores, o objetivo da nova fase é aprofundar a apuração sobre fraudes fiscais, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro, além de identificar outros integrantes do esquema e ampliar o bloqueio financeiro da organização criminosa.

A operação mobiliza cerca de 135 auditores-fiscais, analistas tributários e servidores da Receita Federal, além de dezenas de agentes dos órgãos parceiros.

Envolvimento de fintechs no crime

As investigações apontam que as fintechs funcionavam como um núcleo financeiro paralelo utilizado para compensações internas entre distribuidoras, postos de combustíveis, fundos de investimento e empresas ligadas ao grupo investigado. Segundo a Receita, as instituições também eram usadas para pagamentos de despesas pessoais, investimentos e movimentações destinadas a dificultar o rastreamento do dinheiro.

Entre as irregularidades identificadas estão depósitos bilionários em espécie e a utilização das chamadas “contas bolsão”, mecanismo usado para concentrar e redistribuir recursos ilícitos. Apenas uma das fintechs investigadas recebeu mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo entre 2022 e 2024, segundo os investigadores.

A investigação também aponta que a organização criminosa utilizava familiares, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos para abrir empresas em diversos estados do País, mecanismo usado para ocultar os verdadeiros responsáveis pelas operações.

A Receita Federal também informou ter identificado transações de ao menos R$ 365 milhões em criptoativos envolvendo empresas suspeitas de lavar dinheiro para organizações criminosas investigadas em outras operações.

Adulteração de combustíveis com nafta

Outra frente da investigação apura um esquema de adulteração de combustíveis com uso de nafta petroquímica. Segundo os investigadores, empresas de fachada simulavam a compra do produto para uso industrial, mas o material era desviado para terminais de armazenamento e misturado a combustíveis automotivos.

A Receita estima que apenas esse esquema tenha provocado prejuízo superior a R$ 200 milhões em tributos supostamente sonegados em dois anos.

Os recursos obtidos com as fraudes eram posteriormente direcionados a fundos de investimento usados para ocultar os verdadeiros beneficiários do esquema.

Conforme o MPSP, os quatro fundos investigados no esquema de desvio de nafta possuem, atualmente, patrimônio estimado em aproximadamente R$ 205 milhões. Em pouco mais de um ano, houve um crescimento patrimonial superior a 200% nesse montante.

Segundo os investigadores, as estruturas financeiras descobertas compartilhavam mecanismos semelhantes de lavagem de dinheiro, utilizando fintechs e fundos de investimento como um “balcão financeiro marginal” para circulação e ocultação de recursos ilícitos.