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CEM ANOS DE ALEGRIA E CORAGEM

Rachel Nazareth completa cem anos de alegria e coragem

Rachel foi a primeira especialista em Anestesiologia em Rio Preto e liderava a enfermaria pediátrica da Santa Casa; com o marido, montou uma grande família. Neste mês, ela celebra 100 anos de vida

por Millena Grigoleti Barros
Publicado em 03/08/2026 às 20:55Atualizado em 04/08/2026 às 11:27
Rachel Macedo com o marido Aniloel Nazareth Filho, também centenário: casados há 75 anos (Edvaldo Santos 25/07/2026)
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Rachel Macedo com o marido Aniloel Nazareth Filho, também centenário: casados há 75 anos (Edvaldo Santos 25/07/2026)
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“Estou ótima.” É assim que Rachel Macedo Caron Nazareth, de 99 anos, responde a quem lhe perguntar sobre como se sente. Alegre, firme, grata, forte, apaixonada e com uma memória afiada, é assim que a médica aposentada é vista pelas filhas, netos, bisnetos e por todos que a cercam - e é claro, pelo amor de sua vida, o também médico aposentado Aniloel Nazareth Filho, de 100 anos, com quem é casada há 74 e faz questão de mencionar várias vezes durante qualquer conversa.

No dia 21 de agosto, Rachel torna-se centenária, mas a família já garantiu a comemoração durante as férias escolares, em um almoço cercado pelos mais próximos. Nascida em Curitiba, filha de Odalea Macedo Caron e Mario Toscani Caron, ela começou a cursar medicina enquanto terminava a primeira faculdade, de História e Geografia. Conheceu o marido em Curitiba - na época, ele já estava na faculdade. O namoro começou em 1945, há 82 anos.

No mesmo dia em que se casou às 18h, celebrou a formatura às 22h. Com o doutor Aniloel, tem três filhas: Janice, cardiologista; Claudia, advogada; e Liana, administradora e professora universitária; todas com o sobrenome Caron Nazareth. A família ficou completa com a chegada dos nove netos e 11 bisnetos.

A família veio para Rio Preto em 1952, depois dela concluir sua especialização em Pediatria. Por aqui, foi chefe da enfermaria da especialidade na Santa Casa, em um tempo em que mulheres na profissão eram raras. Muito antes dos Doutores da Alegria, Rachel levava as filhas para dançarem para as crianças hospitalizadas, com o objetivo de alegrá-las durante o tratamento.

'IDADE INCRÍVEL'

Percebendo que Rio Preto carecia de especialistas em Anestesiologia, decidiu se capacitar na área. Também foi secretária da Sociedade de Medicina, promovendo encontros para as esposas dos doutores. Das 35 amigas da época, Rachel é uma das seis que estão vivas.

“É algo inacreditável pensar que cheguei a essa idade incrível. Foi uma vida maravilhosa ao lado dos meus amores queridos, minhas filhas, meus netos e bisnetos; e antes deles meus pais e meus irmãos”, diz.

Na vida pessoal, sua maior alegria é passar tempo com a família, nadar (todos conhecem a ‘velhinha de cabelo branco’ que nadava todos os dias na piscina do Automóvel Clube); ler e resolver palavras-cruzadas, o que garante um cérebro afiado que não deixa passar nenhuma lembrança; pintar quadros e peças como aparelhos de jantar e baixelas - fez itens para todas as filhas, cada um com um tema diferente. Suas telas enfeitam as casas dos familiares.

O pioneirismo e o amor pelas artes vêm de sangue e de berço. Seu avô, o Comendador José Ribeiro de Macedo, exportador de erva-mate, liberou os escravos antes da Assinatura da Lei Áurea e utilizava tonéis de mercadorias para ajudar os escravos fugitivos a deixarem o Brasil. Preocupado com os estudos, incentivou todos os filhos a se dedicarem aos livros, inclusive a filha mulher Odaléa, mãe de Rachel, que foi também pianista, compositora e pintora. O pai de Rachel, Mário Caron, foi o primeiro assinante da Gazeta do Povo do Paraná, tamanha sua paixão pela leitura.

'QUERIDINHA DE DEUS'

Rachel sempre diz que sua vida é uma “maravilha”. As filhas garantem: além da positividade, ela ensinou o estoicismo, a serenidade e a confiança de acreditar em si mesmo. “Aprendi a aceitar os acontecimentos e procurar resolvê-los. Tem que enfrentar as pedras no caminho”, orienta. “Eu só tenho a agradecer a Deus tantas benesses. A cada dia que passa é uma felicidade viver ao lado do meu marido, a graça constante. Minha maior alegria foi achar meu companheiro que me apoiou em tudo e me apoia até hoje, me dando força, e conviver com minhas filhas”, completa.

Ela define sua rotina como uma “gloriosa bagunça”, cercada pelo amor das filhas, dos netos e dos bisnetos. Mesmo com oito dos netos nascendo em um curto espaço de tempo de três anos e meio, a quase centenária garante: houve tempo para ninar, aproveitar e amar de forma especial cada um deles. “Uma amiga minha, já falecida, dizia: ‘Rachel é a queridinha de Deus’. E eu sou mesmo. Tenho um marido maravilhoso, com uma relação baseada em amor puro, filhas, genro, netos, seus cônjuges, bisnetos, sobrinhos e muitos amigos e amigas que sempre me prestigiam”, garante.