DANO AMBIENTAL

Carreta com 60 mil litros de vinhaça tomba e contamina Córrego dos Macacos, em Rio Preto

Concessionária EcoVias Noroeste Paulista e técnicos da Cetesb trabalham para minimizar os impactos ambientais

por Joseane Teixeira
Publicado há 3 horasAtualizado há 1 hora
Bitrem carregado com vinhaça tomba na Washington (Joseane Teixeira 05/04/2026)
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Bitrem carregado com vinhaça tomba na Washington (Joseane Teixeira 05/04/2026)
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Uma carreta bitrem tanque, carregada com 60 mil litros de vinhaça, tombou na madrugada deste domingo, 5, na rodovia Washington Luís e provocou contaminação no Córrego dos Macacos, em Rio Preto.

Segundo o apurado pela reportagem, o acidente aconteceu por volta das 4h05 no km 435+100 da pista Norte (sentido Cedral / Rio Preto), próximo a um hipermercado.

O motorista trafegava por um trecho de subida quando, por motivos ainda não esclarecidos, perdeu o controle da direção e o caminhão caiu na canaleta da rodovia.

O condutor, que sofreu apenas ferimentos leves, não estava embriagado.

Com o impacto, o tanque da carreta se rompeu e a vinhaça escorreu para o Córrego dos Macacos.

Técnicos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) foram acionados, bem como peritos do Instituto de Criminalística.

Sob orientação da Cetesb, trabalhadores da concessionária EcoVias Noroeste Paulista atuaram para conter o vazamento e minimizar os impactos ambientais.

De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), a vinhaça é um resíduo líquido resultante da fermentação do caldo da cana-de-açúcar, utilizada na produção de etanol e de fertilizantes agrícolas.

"Por outro lado, as propriedades químicas da vinhaça podem promover modificações na estrutura do solo, elevando a capacidade de infiltração da água no solo, consequentemente, aumentando a probabilidade de lixiviação de íons, o que pode promover a poluição das águas subterrâneas quando a vinhaça é aplicada em elevadas concentrações, e possíveis contaminações de águas superficiais, tanto através de escoamento superficial, como pelo movimento das águas subterrâneas que podem chegar aos corpos hídricos superficiais", informa.

Segundo documento técnico da ANA, entre as possíveis consequências do descarte da vinhaça em corpos d’água estão proliferação de microrganismos, esgotamento do oxigênio dissolvido na água, elevação da demanda bioquímica por oxigênio, eutrofização, destruição da flora e da fauna aquática e impossibilidade de aproveitamento para consumo da água.

Procurada, a Cetesb informou que equipes estão no local realizando o monitoramento dos níveis de oxigênio dissolvido e do pH da água.

"Tendo em vista o histórico do curso d'água afetado, a situação é considerada controlada até o momento. Eventuais sanções administrativas serão avaliadas conforme o desdobramento da ocorrência e a conclusão do relatório de atendimento técnico", informou.

Em nota, o Semae informou que suspendeu temporariamente a captação de água do Lago 3 da Represa Municipal como medida preventiva.

"Atualmente, o sistema está operando com a captação do Lago 1, garantindo o abastecimento de água para a população. A equipe técnica do Semae já realiza o monitoramento da qualidade da água por meio de testes laboratoriais, com o objetivo de avaliar eventuais impactos na potabilidade", esclareceu.

A autarquia também acompanha o deslocamento do material ao longo do Córrego dos Macacos e demais áreas potencialmente afetadas.

"O Semae reafirma seu compromisso com a transparência e seguirá atualizando a população sobre novas informações relacionadas ao caso", finaliza a nota.

Já a Prefeitura de Rio Preto informou que as equipes da Defesa Civil, do Semae e da Secretaria de Meio Ambiente estão no local e atuam ao lado das equipes da Cetesb, da Polícia Ambiental, da Polícia Rodoviária Estadual, da empresa Cofco e da Concessionária Ecovias a fim de dimensionar e conter os impactos ambientais do acidente.