CONSCIENTIZAÇÃO

Cadeiras vazias marcam ação contra o feminicídio em Rio Preto

Campanha da Faceres e do Instituto Maria na Comunidade foi lançada nesta semana, reunindo autoridades, e simbolizando a ausência de mulheres e meninas que tiveram suas vidas interrompidas pela violência

por Redação
Publicado há 4 horasAtualizado há 4 horas
Evento ocorreu na Faceres nesta segunda-feira, 13 (Divulgação)
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Evento ocorreu na Faceres nesta segunda-feira, 13 (Divulgação)
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A Faculdade de Medicina Faceres realizou, na última segunda-feira, 13, o lançamento da campanha de conscientização “Eu Queria Estar Aqui”. A iniciativa busca sensibilizar a sociedade sobre a gravidade do feminicídio e suas consequências no Brasil, por meio de uma ação simbólica e educativa que mobilizou alunos, colaboradores, autoridades e representantes da rede de proteção à mulher de Rio Preto.

De caráter educativo e preventivo, a ação é idealizada pelo Instituto Maria na Comunidade, em parceria com a Faceres. A proposta ganhou forma dentro da instituição com a instalação de adesivos em cadeiras de salas de aula, “A Faceres é a primeira instituição de ensino a apoiar e divulgar a campanha ‘Eu Queria Estar Aqui’, reforçando seu compromisso com a promoção da conscientização e da responsabilidade social. A iniciativa marca o início de um movimento que pretende alcançar outros setores da sociedade”, destacou a Secretaria de Desenvolvimento Social, Lana Braga.

“Cada cadeira vazia representa uma história que não pôde continuar, um lembrete silencioso de que ali poderia estar alguém presente, estudando, sonhando e construindo seu futuro”, completou Lana, fundadora do Instituto Maria na Comunidade. “Mais do que provocar impacto, essa ação busca gerar reflexão e responsabilidade coletiva.”

Durante o evento, dados atualizados reforçaram a urgência da discussão, especialmente no interior paulista. No primeiro semestre de 2024, foram registradas 73 vítimas de feminicídio fora da Capital. Já entre janeiro e outubro de 2025, esse número chegou a 101 casos, evidenciando que o interior concentra quase metade das ocorrências no estado.

Na região de Rio Preto, os números também acendem o alerta: em 2024, foram registrados 17 feminicídios, sendo seis deles no município — o maior número da série histórica local desde a criação da lei do feminicídio.

O diretor da Faceres, Toufic Anbar Neto, ressaltou que a violência contra a mulher não está restrita aos grandes centros e destacou a necessidade de mudança cultural.

“O enfrentamento à violência contra a mulher passa por uma mudança cultural. Há uma grande quantidade de músicas que banalizam essa violência e, incensadas pela propaganda, fazem sucesso normalizando condutas criminosas. A misoginia está presente em músicas desde a década de 1930. Trazer esse debate para dentro da instituição é fundamental para formar profissionais mais atentos a essa questão”, afirmou.

A promotora Eloisa Martins, da Violência Doméstica, enfatizou a importância de desconstruir a cultura que normaliza e romantiza a violência, destacando que o enfrentamento deve ocorrer em três frentes: repressiva, protetiva e preventiva.

Também participaram do lançamento as delegadas Dalice Ceron e Margarete Franco; a presidente do Conselho dos Direitos da Mulher, Patrícia Lopes de Souza; e o juiz da Vara da Violência Doméstica, Alceu Correia.