Cadeirante denuncia recusa de corridas por motoristas de aplicativo em Rio Preto
Estudante universitário afirmou ainda que sua foto de perfil está circulando em grupos de motoristas de aplicativo

Um estudante universitário de 27 anos registrou boletim de ocorrência na manhã desta segunda-feira, 23, denunciando ter sido vítima de discriminação por motoristas de transporte por aplicativo. O caso ocorreu no bairro Jardim Alice, na zona norte da cidade.
Leonardo Richard Garcia Mota, que é cadeirante, solicitou um veículo por volta das 8h para se deslocar até a Unidade de Pronto Atentimento (UPA) da Zona Norte. A vítima relatou uma sequência de recusas e constrangimentos iniciada quando o primeiro motorista, ao chegar ao local, recusou a corrida e foi embora alegando que "não poderia carregar" a cadeira de rodas.
A situação se agravou com a chegada de um segundo condutor. Leonardo informou que, mesmo alertando que sua cadeira era desmontável, o motorista afirmou que não poderia colocá-la no veículo. De acordo com o boletim, este condutor chegou a retirar o passageiro do carro e deixou o local mantendo a corrida ativa ("rodando"), possivelmente para evitar penalidades da plataforma pelo cancelamento.
Exposição em grupos de mensagens
O caso ganhou contornos de humilhação pública quando um terceiro motorista aceitou a chamada. Ao chegar para o embarque, este condutor alertou a vítima de que uma foto sua, ao lado de sua acompanhante, já estava circulando em grupos de mensagens de motoristas de aplicativo.
A imagem estaria sendo compartilhada acompanhada de comentários depreciativos sobre a recusa dos condutores anteriores em transportar o cadeirante. A vítima relatou à polícia não saber quem tirou a foto, mas afirmou sentir-se humilhado, visto que sua imagem foi exposta sem consentimento em grupos que contam com centenas de motoristas.
Investigação
O caso foi registrado na Central de Flagrantes de Rio Preto como crime de injúria (Art. 140 do Código Penal), com o agravante de utilização de elementos referentes à condição de pessoa com deficiência.
No registro policial é indicado um dos motoristas que recusou a corrida. A vítima manifestou o desejo de processar criminalmente o autor pelos crimes praticados.