SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | TERÇA-FEIRA, 21 DE SETEMBRO DE 2021
AS DATAS PARA O RETORNO

Aulas presenciais na rede municipal de ensino voltam em 9 de agosto

Os responsáveis não serão obrigados a enviar as crianças para a escola

Millena GrigoletiPublicado em 23/07/2021 às 20:53Atualizado há 24/07/2021 às 06:33
Fabiana Zanquetta, secretária de Educação, durante anúncio (Reprodução)

Fabiana Zanquetta, secretária de Educação, durante anúncio (Reprodução)

Os alunos da rede municipal cujas famílias desejarem poderão retornar às aulas presenciais a partir de 9 de agosto, anunciou nesta sexta-feira, 23, a Secretaria de Educação de Rio Preto. A prioridade serão os alunos do ensino fundamental, a partir de 6 anos, e do Ensino de Jovens e Adultos (EJA) que apresentaram alguma dificuldade na aprendizagem ou não entregaram atividades.

Os responsáveis não serão obrigados a enviar as crianças para a escola. Segundo a secretária de Educação, Fabiana Zanquetta, entre 23 de junho e 7 de julho foi realizada uma pesquisa com os pais de estudantes da rede municipal e 49,5% (15.314) deles responderam, representando 19.275 alunos do total de 38.884 matriculados na rede. Desses, 70,1% disseram desejar o retorno presencial.

Embora a maioria das famílias tenha relatado que conseguiu acesso aos conteúdos de maneira remota, uma parcela disse que não conseguiu acompanhar as atividades, por isso elas foram entregues nas residências. “Nós sabemos das dificuldades tecnológicas e do sombreamento de internet em vários pontos da cidade, nós temos várias alternativas para que o aluno tenha acesso ao conteúdo didático e pedagógico”, afirmou Fabiana.

O atendimento presencial dos alunos do ensino fundamental e do EJA começa a ser planejado na próxima segunda-feira, dia 26, quando os professores retornam do recesso. Ele poderá ser feito de forma individualizada e também em agrupamentos de até 35% da capacidade da escola, respeitando o distanciamento mínimo de um metro e meio entre cada pessoa. Para os alunos cujas famílias optarem por não retornar presencialmente, o ensino continuará de forma remota – a secretária garantiu que os professores terão tempo para desenvolver o conteúdo híbrido.

Fabiana assegurou ainda que para aqueles que forem às unidades os protocolos de segurança serão seguidos desde o transporte escolar, com poltronas numeradas e motoristas capacitados e que farão a aferição da temperatura dos alunos. Na escola, também haverá demarcação de distância e quem estiver no prédio terá á disposição álcool em gel, máscaras, faceshields, luvas, aventais e lixeiras com pedal.

O foco é a recuperação de conteúdo. “Para que no início das aulas propriamente dito o aluno esteja mais apto para acompanhar os demais colegas de sala. Todos os alunos passarão por uma avaliação diagnóstica, para sabermos o nível de aprendizagem e quais conteúdos precisam ser reforçados”, afirmou a secretária. A situação de aprendizagem dos alunos será reavaliada para determinar como será o trabalho não apenas neste momento, mas também no próximo ano e até em 2023.

Já o retorno às aulas dos alunos do ensino infantil está programado para o dia 20 de setembro. Até lá, eles serão recebidos de forma escalonada pelos profissionais para acolhimento, ambientação e adaptação.

Conforme a secretária, até o dia 20 de setembro todos os profissionais da educação estarão completamente imunizados com as duas doses da vacina. “Nossos professores foram vacinados, cerca de 25% já receberam a segunda dose e outros 75% deverão receber na primeira semana de setembro. Nós pedimos uma atenção especial a todos os profissionais de educação, que fiquem atentos à sua segunda dose. Sabemos da importância da escola no desenvolvimento da criança, mas sempre nos apoiamos na ciência e na saúde como prioridade.”

A merenda escolar, que antes era distribuída às famílias, continuará a ser entregue para os pais de crianças do ensino infantil e passará a ser ofertada na escola para as do ensino fundamental. Segundo Fabiana, todas as decisões da Educação foram tomadas em conjunto com o Comitê Gestor de Enfrentamento ao Coronavírus e, se necessário conforme a situação epidemiológica, serão revistas.

De acordo com Fabiano de Jesus, diretor do Sindicato dos Servidores da Educação (Atem), a Secretaria de Educação acolheu a proposta de somente retornar às aulas em 20 de setembro, depois que os profissionais tomassem a segunda dose. “Agora a Secretaria tem que garantir aos funcionários a estrutura sanitária das unidades escolares para não coloque em risco a vida dos profissionais da educação e dos estudantes.”

Situação epidemiológica

Segundo a Secretaria de Saúde, foram confirmados nesta sexta-feira, 23, mais 172 casos de Covid-19 e três mortes por complicações da doença, totalizando 91.896 pacientes contaminados desde o início da pandemia e 2.631 óbitos.

Volta às aulas presenciais tem de ser segura

Catarina de Almeida Santos, professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), considera que se fosse analisada a importância da educação presencial na vida das crianças essa atividade não teria sido interrompida, porém isso foi feito por causa da pandemia, de uma grave situação sanitária.

“A retomada das aulas é sempre importante. A pergunta a ser feita é se temos condições de retomar sem colocar em risco a vida das crianças e suas famílias. O sistema de ensino está seguindo os protocolos? Os pais estão seguros desse retorno? A população da cidade está majoritariamente vacinada a ponto de impedir a circulação do vírus?", questiona a especialista. “Não faz sentido garantir a volta às aulas e matar pessoas. Pessoas mortas e doentes não estudam.”

Apesar das ponderações a respeito da situação epidemiológica, Catarina destaca que o espaço escolar é fundamental para o desenvolvimento. “Socialização, aprendizagem, saúde e alimentação", enumera. Ela destaca que neste retorno é essencial avaliar o que a criança aprendeu e o que deixou de absorver, para que a escola passe o conteúdo que deixou de ser retido durante a pandemia. 

Ana Maria Klein, professora da graduação e da pós-graduação do Ibilce, do Departamento de Educação, destaca que crianças pequenas se contaminam e a primeira coisa a ser feita é garantir um ambiente seguro para elas. Ela pontua que, mesmo com menos alunos, haverá aglomeração na entrada e na saída das aulas. 

A especialista destaca ainda que o retorno neste momento não é o ideal, ao qual alunos e professores estão acostumado; não haverá possibilidade de jogos, por exemplo, já que é preciso garantir o distanciamento. Apesar disso, ela acredita que o aprendizado para aqueles que forem á sala de aula será melhor do que de forma remota.

“Não é só dar o conteúdo para uma criança. É uma relação entre um professor e um aluno e entre as crianças em si. Todo esse ambiente não pode ser reproduzido em casa, ainda que tenha pai e mãe pra acompanhar. Os pais não são educadores, a gente estuda pra isso. O vídeo não é suficiente para estabelecer essa relação humana”, considera a docente.

Segundo ela, o acompanhamento de um estudante não acontece apenas pelas provas, mas por meio da identificação, no dia a dia, das dificuldades que ele apresenta. “É na interação, quando a criança está resolvendo, numa pergunta, na interação com um colega. Na aula online o professor não está vendo que tem um que levantou a mãozinha, tem criança que desliga e se dispersa.”

Retorno à escola

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Resposta em setembro de 2020, com 15.446 pais ou responsáveis, totalizando 19.591 alunos

Sim: 25,1%

Não: 74,9%

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Resposta em julho de 2021, com 15.314 pais ou responsáveis, totalizando 19.275 alunos

Sim: 70,1%

Não: 29,9%

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Dia 26/7: início do planejamento escolar dos professores da rede municipal

De 27/7 a 17/9: Acolhimento, ambientação e adaptação de forma escalonada para os alunos das creches e educação infantil

De 27/7 a 30/7: Início da consulta sobre a adesão da merenda na escola e transporte escolar

Dia 8/8: Aplicação da avaliação diagnóstica em rede para avaliar o nível de aprendizagem

Dia 9/8: Início das atividades escolares presenciais para alunos do Ensino Fundamental e EJA com dificuldades de aprendizagem

Dia 27/8: Prazo final para a consulta de intenção de retomada das atividades presenciais para educação infantil

Dia 20/9: Retorno das atividades presenciais para alunos das creches e educação infantil.

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Será obrigatório para professores

Será opcional para os estudantes – decisão será da família ou do estudante maior de 18 anos

As famílias que optarem pelo retorno presencial deverão assinar o Termo de Responsabilidade quanto aos protocolos sanitários, o uso de transporte escolar e ciência de todas as diretrizes para a organização da retomada das atividades presenciais, tais como dias, horários, entre outros.

Quem optar pelo não retorno deverão assinar Termo de Responsabilidade, se comprometendo a realizar as atividades propostas pela unidade escolar, considerando as diversas formas de acesso e devolutiva: materiais impressos e materiais/propostas utilizando os recursos comunicacionais.

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Ensino infantil: 25% da capacidade de alunos

Ensino fundamental: 35% da capacidade de alunos

 
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