Atendimentos e internações por epilepsia crescem 31% em Rio Preto
Simpósio da Funfarme comemora os 25 anos do Centro de Cirurgia de Epilepsia, com 1,2 mil cirurgias realizadas, e apresenta avanços no diagnóstico e tratamento; no ano passado, foram 3.436 atendimentos

Referência nacional, a Funfarme, em parceria com a Famerp, realiza nesta sexta-feira e sábado, dias 1º e 2 de maio, o 5º Simpósio de Epilepsia para marcar os 25 anos de funcionamento do Centro de Cirurgia de Epilepsia (Cecep) do Hospital de Base de Rio Preto. O encontro reúne, no Centro de Convenções da Famerp, especialistas para discutirem avanços no diagnóstico e tratamento, conectando a produção científica aos resultados práticos observados na rede hospitalar da região.
O Simpósio é oportunidade também para destacar para a sociedade a incidência da doença, inclusive entre crianças e jovens, como revelam o aumento expressivo de atendimentos e internações no HB e Hospital da Criança e Maternidade (HCM) em quatro anos. O número total de atendimentos ambulatoriais e de urgência e de internações aumentou 31%, saltando de 2.612, em 2022, para 3.436, no ano passado.
Este volume impacta também em cirurgias de adultos e crianças, área em que o complexo Funfarme é também referência nacional. Nos 25 anos do CECEP, já foram realizados mais de 1.200 procedimentos cirúrgicos e avaliados mais de 5 mil pacientes.
A epilepsia é uma doença neurológica que transforma a vida do paciente e de toda a família, comprometendo a qualidade de vida de cerca de 3 milhões de brasileiros. Marcada por crises que podem ir de episódios de ausência a convulsões, a condição tem avançado no campo da medicina, com tratamentos cada vez mais eficazes — incluindo novas abordagens cirúrgicas.
Segundo o neurocirurgião funcional Dr. Carlos Rocha, cerca de 70% dos pacientes conseguem controlar a doença com medicamentos, mas aproximadamente 30% apresentam formas resistentes, que podem exigir cirurgia. “A epilepsia é uma doença altamente estigmatizante, com risco de acidentes e até morte súbita quando não controlada. O avanço no diagnóstico e nas técnicas cirúrgicas tem impacto direto na qualidade de vida desses pacientes”, afirma.
O CECEP tem papel central neste avanço, segundo o diretor executivo da Funfarme, Dr. Horácio Ramalho. “Ter um centro especializado como o CECEP, integrado a toda estrutura do HB e do HCM, permite oferecer um tratamento completo, desde o diagnóstico até a cirurgia. Isso impacta diretamente na qualidade de vida dos pacientes, que passam a ter mais controle das crises e mais autonomia no dia a dia”, afirma o diretor executivo.
Chama atenção os atendimentos e cirurgias em crianças. O HCM registrou aumento de 575% nas cirurgias em quatro anos, passando de quatro procedimentos em 2021 para 27 em 2024. Na análise da equipe cirúrgica, o aumento expressivo se se deve ao período de pandemia, que comprometeu a realização dos procedimentos. Os atendimentos ambulatoriais passaram de 1.779, em 2022, para 2320, em 2025, aumento de 30%.
No HCM, o foco é o tratamento da epilepsia infantil geralmente associada a malformações cerebrais, prematuridade ou displasias.
De acordo com o neurocirurgião pediátrico Dr. Gustavo Botelho Sampaio, a intervenção precoce é essencial para evitar prejuízos no desenvolvimento.
“A cada crise, há perda de neurônios. Isso pode comprometer o desenvolvimento da criança e gerar impactos para toda a vida. O tratamento adequado, incluindo a cirurgia, reduz esses danos e melhora significativamente a evolução do paciente”, explica.
Os resultados desses avanços aparecem na vida dos pacientes. O pequeno Kaleb Ribeiro de Carvalho, de 7 anos, passou por cirurgia há três anos e, desde então, apresentou melhora significativa no controle das crises. Segundo a mãe, Marcilia da Silva Ribeiro de Carvalho, antes do procedimento ele vivia com quedas frequentes e machucados. “Hoje o Kaleb passa de dois a três dias sem crises. Antes, ele só vivia no chão por medo de cair. Agora ele estuda, interage com outras crianças, faz terapias e tem qualidade de vida. A cada dia ele mostra que a vida vale a pena”, relata.
Entre os adultos, a mudança também é expressiva. O engenheiro civil Willian Stuque Primo, de 34 anos, chegou a ter até 12 crises em uma única noite antes da cirurgia, realizada em novembro de 2025. Após o procedimento, ele teve apenas uma crise leve em quatro meses. “A cirurgia foi um sucesso. Minha recuperação foi muito boa, voltei ao trabalho após 100 dias e hoje estou bem, sem problemas. Isso me dá confiança para mostrar para outras pessoas que é possível melhorar”, afirma