Maria Clara vai para casa sete anos após nascer no HCM de Rio Preto
Finalmente recuperada, a pequena Maria Clara deixa o HCM, onde esteve desde o nascimento, e vai morar em casa com a família, em Guapiaçu

Após sete anos vivendo entre leitos, corredores e cuidados intensivos, o momento que parecia distante finalmente chegou. Na manhã desta terça-feira, 2 de junho, a pequena Maria Clara atravessou as portas do Hospital da Criança e Maternidade (HCM) de Rio Preto pela primeira vez, não para realizar exames ou tratamentos, mas para começar uma nova etapa de sua história: a vida em casa, em Guapiaçu.
Cercada pelos pais e por profissionais que acompanharam sua trajetória desde o nascimento, a menina, que convive com a rara síndrome do intestino curto, recebeu alta médica após passar toda a infância dentro do hospital, transformando um sonho, compartilhado por familiares e equipes de saúde, em realidade.
“Eu, como mãe, sempre acreditei que esse dia iria chegar. Mesmo quando os médicos disseram que Maria Clara poderia morar no hospital, no meu coração eu dizia: ela vai sair”, emociona-se a mãe, Angélica Priscila de Oliveira.
A dona de casa teve uma gestação gemelar de alto risco e as filhas Maria Clara e Maria Emanueli nasceram prematuras, em 14 de março de 2019. Foi na UTI Neonatal que Maria Clara recebeu diagnóstico da síndrome do intestino curto.
Segundo Mariana Napolitano, gastroenterologista pediátrica, trata-se de uma condição em que o intestino, reduzido em função de uma malformação congênita, tem sua função prejudicada, impactando na absorção de líquidos, vitaminas e nutrientes suficientes para manter a saúde e o desenvolvimento do organismo.
“Uma parte do intestino dela não se desenvolveu e isso fez com que ela precisasse de uma cirurgia logo no período neonatal, seguida de outras intervenções ao longo dos anos. Nesse período todo, ela recebeu uma nutrição pré-digerida direto na veia para conseguir crescer e se desenvolver. A questão da reabilitação intestinal depende de como o intestino e o organismo da criança se comportam. O mais habitual é que a gente não precise de um tempo tão prolongado de internação para reabilitar o intestino, mas o caso da Maria era extremamente grave”, explica a especialista.
Por não ter conhecido outro lar que não fosse o HCM, toda equipe se esforçou para transformar a rotina da pequena em uma realidade próxima à convivência social. Ela teve aulas de pré-alfabetização, tinha a hora das brincadeiras, da interação com outras crianças dos cuidados diários de higiene e beleza e foi muito amada.
“Não é apenas uma alta médica, é o início de um novo capítulo na vida da Maria Clara. O HCM sempre fará parte de sua história e ela fará parte da nossa. Como uma filha, dividimos com ela momentos bons e ruins, mas agora é só comemorar”, disse, entre lágrimas, a técnica de enfermagem Daniela Martins.
Maria Clara, que é não-verbal, ainda vai precisar de acompanhamentos periódicos e terapias. Ela e a irmã gêmea passam por investigação de síndrome genética. “A ideia é que ela tenha uma rotina de alimentação normal, comum de todo brasileiro, como arroz, feijão, carne e frutas. Que ela frequente escola, se desenvolva e tenha uma vida social”, finaliza a médica Mariana.
Para a mãe Angélica, que se desdobrou entre a casa e as visitas hospitalares, agora finalmente a família está completa.
“Ainda dá tempo de viver as memórias de infância com as irmãs Manu, Lavínia e Maria Eduarda. Não há mais espaço para a saudade”, comemora.