CONFUSÃO

Advogado aciona OAB após ser acusado de jogar calcinha na sala de delegado de Rio Preto

Peça íntima estava em carro apreendido pela Polícia Civil durante operação; "me chamou de moleque e vagabundo", afirma defensor

por Joseane Teixeira
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
Deic de Rio Preto (Joseane Teixeira / Arquivo)
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Deic de Rio Preto (Joseane Teixeira / Arquivo)
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Um advogado criminalista de Rio Preto acionou a comissão de prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) após ser acusado por um delegado de jogar uma calcinha dentro da sala dele, na sede da Divisão Especializada de Investigação Criminal (Deic). O defensor, que acompanha um cliente alvo de mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira, 9, alega que foi xingado de "vagabundo" e constrangido diante de outros policiais civis. “Vou representar contra ele na Corregedoria”, adianta.

O caso envolveu o advogado Kauan Eduardo de Lima Cambauva, do escritório Mario Guioto Filho e Advogados.

Ao Diário, ele afirmou que foi acionado por um cliente para acompanhar o cumprimento de um mandado de busca e apreensão relacionado a investigação sobre organização criminosa envolvida em roubo de joias.

“Estive na sala do delegado Adriano Pitoscia e, em seguida, me dirigi à sala da escrivã para acompanhar a oitiva. De repente, o delegado entra na sala totalmente descontrolado, me chamando de moleque, vagabundo e me acusando de ter jogado uma calcinha na sala dele”, disse.

Surpreso, o advogado afirma que tentou argumentar que a unidade possui câmeras e que o delegado deveria checar as imagens antes de acusá-lo, mas o delegado teria respondido que a vontade dele era agredir o profissional.

“Pelo que entendi, havia uma calcinha em um dos veículos apreendidos pela Polícia Civil. Não sei se ela enroscou na roupa de um policial, ou se ela foi levada junto com celulares apreendidos e acabou caindo na sala do delegado. Eu jamais faria uma coisa dessa, estou honrando minha OAB e o exercício da minha função”, completa.

Cambauva aguardava a chegada do advogado Diego Rosa, representante das prerrogativas profissionais dos advogados, na sede da Deic. Ele afirmou que fará uma representação criminal contra o delegado. “Fui constrangido diante de vários policiais. Um deles tentou relativizar, dizendo que o delegado está cansado após trabalhar várias horas seguidas”, justifica.

Cambauva afirma que, após a confusão, a dona da calcinha compareceu na sede da Deic e reconheceu a peça íntima que era branca com detalhes em vermelho.

Já o advogado Mário Guioto Filho afirmou que vai registrar denúncia contra o delegado na Corregedoria da Polícia Civil.

A reportagem procurou Pitoscia, que ainda não respondeu ao contato. O espaço segue aberto.