MORTE

Adolescente morre em UPA após passar pelo Hospital Municipal

Mãe tentou socorrer a filha para a unidade, mas foi informada que o hospital não atende emergência. Na UPA, menina não resistiu; advogado vê possível omissão de socorro

por Joseane Teixeira
Publicado há 1 horaAtualizado há 14 minutos
Entrada do Hospital Municipal da Região Norte de Rio Preto (Ivan Feitosa/Prefeitura de Rio Preto)
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Entrada do Hospital Municipal da Região Norte de Rio Preto (Ivan Feitosa/Prefeitura de Rio Preto)
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Uma adolescente de 14 anos morreu nesta quarta-feira, 8, após sofrer uma parada cardiorrespiratória na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Norte, em Rio Preto. Antes, a mãe tentou socorrê-la no Hospital Municipal Domingo Marcolino Braile, que era mais próximo do endereço da família, mas foi informada que a unidade não atendia emergências.

À Polícia Civil, a mãe, uma operadora de caixa de 42 anos, contou que no período da manhã a filha passou mal e ela tentou atendimento no Hospital Municipal da região Norte. No entanto, por se tratar de uma unidade destinada a cirurgias eletivas, um funcionário orientou que a mulher deveria seguir com a adolescente para a UPA Norte.

A mãe conta que, na UPA, a adolescente foi imediatamente atendida pelos médicos, em virtude da gravidade do caso. A jovem reclamava de dores no peito e estava com a boca roxa.

Consta no boletim de ocorrência que a equipe tentou reanimá-la por longo tempo, mas não conseguiu reverter o quadro.

Omissão

Para o advogado Marcelo Lavezo, especialista em Sistema Único de Saúde, mesmo que o HM não seja uma unidade destinada a atendimento em emergência, a equipe tinha o dever de prestar primeiros socorros à vítima.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que lamenta profundamente a morte da adolescente e se solidariza com familiares e amigos neste momento de dor.

"A Secretaria informa que a adolescente procurou a unidade de Pronto Atendimento (UPA Norte) em estado grave, sendo imediatamente atendida, em conformidade com os protocolos assistenciais estabelecidos para o caso, mas infelizmente não resistiu. Em relação ao Hospital Municipal Dr. Domingo Marcolino Braile, a Secretaria esclarece que a unidade, desde sua inauguração em 2022, é administrada pela Organização Social Funfarme. O contrato de gestão prevê a realização de cirurgias eletivas de baixa e média complexidade. Dessa forma, a unidade não se configura como portas abertas para atendimentos de urgência e emergência. A Secretaria ressalta, no entanto, que todas as circunstâncias do caso, inclusive no que se refere a eventual omissão de socorro na unidade hospitalar, serão apuradas", manifestou.

Em nota, o Hospital Municipal lamentou a morte da adolescente e negou que houve omissão de socorro. "O Hospital Municipal de Rio Preto lamenta a morte da adolescente. Informa que a mãe ingressou na recepção da instituição sozinha, por volta das 12h10, relatando que a filha passava mal, sem detalhar seu estado clínico, sendo orientada a se encaminhar à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), habilitada para prestar atendimento a pacientes com o quadro mencionado."

A jovem foi sepultada no cemitério São João Batista nesta quinta-feira, 9.

O Diário tenta contato com a família.