Comece hoje pagando a partir de R$5/mês no plano mensal
ONDE O PERIGO É MAIOR

Saiba quais são os lugares com maior risco de assalto em Rio Preto

Dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo revelam ruas e avenidas com maior incidência de roubos em Rio Preto

por Rone Carvalho
Publicado em 16/09/2023 às 17:35Atualizado em 16/09/2023 às 18:18
Trecho da rua Pedro Amaral, próximo da Rodoviária de Rio Preto, aparece como uma das regiões com maior número de roubos na cidade (Guilherme Baffi 15/09/2023)
Galeria
Trecho da rua Pedro Amaral, próximo da Rodoviária de Rio Preto, aparece como uma das regiões com maior número de roubos na cidade (Guilherme Baffi 15/09/2023)
Ouvir matéria

Quem desembarca na Rodoviária de Rio Preto e acessa a rua Pedro Amaral ou a Bernardino de Campos para pegar um aplicativo de transporte ou táxi pode não imaginar, mas está próximo das ruas da cidade com maior número de roubos.

Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) obtidos pelo Diário via Lei de Acesso a Informação mostram que a Pedro Amaral foi a rua que mais registrou roubos nos últimos cinco anos em Rio Preto: 299 ocorrências. Em seguida, aparece a avenida Bernardino de Campos, com 154 assaltos entre 2018 e 2022.

Diferentemente das outras avenidas e ruas de Rio Preto com grande incidência de roubos – em que as vítimas se dividem entre pedestres e estabelecimentos comerciais – na Pedro Amaral e na Bernardino de Campos a maior parte dos assaltos acontece com pedestres que transitam pela rua.

O levantamento da SSP mostra que a maior incidência de assaltos na rua Pedro Amaral acontece entre a noite e a madrugada. Em média, dos 299 assaltos ocorridos entre 2018 e 2022, 56% aconteceram entre 18h e 6h, enquanto 29% entre 6h e 18h. Em 14% dos assaltos, o horário do crime não foi registrado no boletim de ocorrência.

João, de 64 anos, que prefere não se identificar, foi uma das vítimas de roubo na rua Pedro Amaral. No dia do crime, o idoso estava em frente à Rodoviária de Rio Preto quando dois homens a pé chegaram e anunciaram o assalto. A dupla chegou a agredir o idoso e fugiu levando um aparelho celular, R$ 2 mil em dinheiro, cartões de crédito e documentos pessoais da vítima.

Mas engana-se quem pensa que os roubos se restringem a locais ao redor da rodoviária. Em julho deste ano, uma mulher de 51 anos foi assaltada em um ponto de ônibus da rua Pedro Amaral, no bairro Boa Vista.

À polícia, a vítima contou que, como de costume, estava esperando o ônibus por volta das 5h. “Quando um homem com uma faca nas mãos se aproximou e anunciou o assalto.”

No assalto, a vítima perdeu documentos pessoais, o cartão do vale alimentação, cartões bancários, o aparelho celular e a própria chave de casa.

Polícia

No decorrer da semana, o Diário entrou em contato com as polícias civil e militar e com a recente Secretaria de Segurança Pública de Rio Preto para saber quais ações são adotadas e estão sendo projetadas pelas entidades públicas para diminuir a incidência de roubos, principalmente na região Central da cidade.

Por meio de nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado de São Paulo, responsável pela investigação dos crimes, disse que está empenhada na criação de estratégias para combater crimes patrimoniais.

“A Polícia Civil realiza um trabalho de investigações e inteligência com o objetivo de identificar e localizar os autores desses delitos, além de um trabalho preventivo voltado para a prevenção de novos crimes na região. Como resultado dos esforços realizados para combater a criminalidade, as forças de segurança do município realizaram 2.285 prisões nos primeiros sete meses deste ano, um aumento de 9,6% em comparação ao mesmo período de 2022, e apreenderam 100 armas de fogo”, diz.

A nota encerra dizendo sobre a importância do registro do boletim de ocorrência em uma unidade policial mais próxima ou na Delegacia Eletrônica para que os casos sejam investigados e os autores identificados e presos.

O Diário também tentou uma entrevista com Jean Charles Serbeto, secretário da nova Secretaria de Segurança Pública de Rio Preto. No entanto, ele preferiu não se manifestar. “Sobre esse tipo de demanda é mais indicado falar com as polícias Militar e Civil”, informou em nota.

PM questiona os dados

O Diário também entrou em contato com a Polícia Militar para saber sobre as ações que estão sendo feitas pela corporação para conter o alto número de roubos nas vias da região Central de Rio Preto.

Por meio de nota, a Polícia Militar disse: “segundo estatísticas da Secretaria da Segurança Pública (SSP), tendo como base registros oficiais, em todo o ano de 2022 foram registrados em toda a área central de Rio Preto e adjacências um total de 37 registros de roubo. Da mesma forma, com referência a rua Pedro Amaral, os dados apontam 11 delitos em toda a extensão da via durante todo o ano de 2022.”

A partir da resposta da Polícia Militar, o Diário questionou novamente a SSP sobre a divergência entre os dados do número de roubos da Polícia Militar e os repassado pela SSP via Lei de Acesso a Informação.

Em nota, a Secretaria Estadual de Segurança Pública, responsável pelo levantamento das estatísticas criminais nos 645 municípios do estado de São Paulo disse que nem em todos os casos de roubos a Polícia Militar é acionada, o que causa divergência dos dados da PM e da SSP.

“É importante reforçar que as ocorrências não precisam necessariamente do acionamento da Polícia Militar. Boletins feitos eletronicamente, por exemplo, são realizados pela própria vítima, na maioria das vezes”, encerrou a nota.

A SSP também disse em nota que: “os dados publicados no site da pasta são regulamentados pela Resolução 160, que institui o Sistema Estadual de Coleta de Estatísticas Criminais. Com essa metodologia, cada delegacia repassa seus dados para o Departamento de Análise e Planejamento (DAP), que as envia à Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP), órgão da SSP responsável pela sistematização final e análise dos dados”.

Outros locais aparecem

De acordo com os dados da SSP, no ranking das ruas e avenidas com maior incidência de roubos, em Rio Preto, após a rua Pedro Amaral e Bernardino de Campos, aparece a avenida Mirassolândia, com 152 roubos, entre 2018 e 2022.

Também aparecem na lista de vias com maior incidência de crimes patrimoniais a avenida Domingos Falavina, avenida Danilo Galeazzi, avenida Philadelpho Manoel Gouveia Neto, avenida Brigadeiro Faria Lima, avenida Alfredo Antônio de Oliveira, rua General Glicério, avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira, avenida Bady Bassitt, rua Voluntários de São Paulo e avenida Alberto Andaló. Confira a colocação de cada uma delas no mapa ao lado.

ONDE O RISCO É MAIOR

A rua Pedro Amaral é onde existe maior chance de um pedestre ser roubado,
em Rio Preto.

Em cinco anos, 299 roubos foram registrados na rua que passa em frente à Rodoviária de Rio Preto.

Desse total, 56% dos assaltos aconteceram entre o período da noite e a madrugada; 29% no período diurno e, em 15% dos assaltos o horário não foi informado pela vítima.

O celular é o principal alvo dos criminosos que cometem os assaltos na rua Pedro Amaral.

O levantamento da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado de São Paulo também revela que o maior número de assaltos na rua Pedro Amaral foi registrado em 2022, com 109 ocorrências de roubo.

HORÁRIO DE MAIOR RISCO

O período noturno (entre 18h e 0h) é o que concentra a maior parte dos roubos em Rio Preto. Os dados mostram que quatro em cada dez roubos registrados nos últimos cinco anos na cidade aconteceram no respectivo período.

O QUE FAZER PARA EVITAR SER ROUBADO

Procure estar sempre atento, especialmente ao comportamento de pessoas que estejam próximas a você ou paradas perto dos lugares que frequenta. Durante seu trajeto, fique sempre de olho nos arredores para ver se há algum perigo;

Evite ao máximo mexer no aparelho celular em áreas públicas, principalmente, em regiões com grande concentração de pessoas. Ao usar o celular para solicitar uma corrida, procure ficar em um lugar com menor concentração de pessoas ou próximo de um guarda;

Ao andar pela rua, guarde seus pertences. Além do celular, normalmente, os criminosos agem em busca de carteiras e até de possíveis objetos que a vítima carrega;

Evite passar por grupos de pessoas à noite. Se encontrar um grupo de pessoas parado na rua ou vir alguém encarando você, tente mudar de caminho. Se não puder mudar o caminho para casa, atravesse a rua ou fique alerta a qualquer
sinal de que as pessoas vão tentar abordar você;

Caso esteja perdido evite pedir informações para pessoas na rua. Normalmente, os criminosos vão preferir atacar você se parecer que está perdido. Para fingir que você conhece o bairro e sabe o caminho para casa, vire na esquina e atravesse a rua sem hesitar. Assim que chegar a uma loja movimentada, um restaurante ou um local bem iluminado, você pode pedir informação ou usar seu celular para descobrir onde está.

O QUE FAZER AO SER ASSALTADO

Tente manter a calma;

Responda com calma somente ao que lhe for perguntado ou para avisar sobre qualquer gesto ou movimento a ser realizado;

Não discuta. Entregue ao criminoso o que ele exigir. Assim, o tempo do roubo será menor;

Evite brincadeiras ou conversas;

Faça apenas o que o criminoso mandar;

Não olhe diretamente para os marginais - isso é visto como uma ameaça;

Procure memorizar todos os detalhes possíveis, fisionomia, modo e frases usadas, roupas, gírias, trajetos e locais visitados, veículos utilizados, etc.

Não tente fugir ou reagir. É muito comum outras pessoas estarem efetuando cobertura;

Ligue para a policia assim que possível transmitindo a descrição exata e o possível trajeto seguido com todos os detalhes;

Registre a ocorrência em uma Delegacia de Polícia;

Se você presenciar um assalto, mantenha-se afastado do local e evite interferir diretamente. Ligue para a polícia e passe todas as informações possíveis. Após a saída do agressor, ajude a vítima.

Fontes - Polícia Militar, Civil e reportagem.

OUTRAS VIAS COM MAIOR RISCO DE SER ASSALTADO

Após a rua Pedro Amaral, na segunda colocação aparece a rua Bernardino de Campos, com 154 roubos nos últimos cinco anos.

Em seguida, aparece a avenida Mirassolândia que, entre 2018 e 2022 registrou 152 assaltos. Nesta, além dos roubos a pedestres acontecem muitos assaltos a estabelecimentos comerciais.

Também aparece na lista de vias com maior incidência de crimes patrimoniais, em Rio Preto, a avenida Domingos Falavina, avenida Danilo Galeazzi, avenida Philadelpho Manoel Gouveia Neto, avenida Brigadeiro Faria Lima.