CAIXEIROS VIAJANTES

Profissionais reinventam a profissão dos caixeiros viajantes

Todos os dias, profissionais deixam suas cidades para visitar clientes e fazer entregas, chegando a passar por 13 municípios em um único dia e a rodar até 5 mil quilômetros por mês

por Gabriel Vital
Publicado em 04/09/2019 às 00:30Atualizado em 09/06/2021 às 00:38
Fabrício abastece estabelecimentos da região com seus doces (Arquivo pessoal)
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Fabrício abastece estabelecimentos da região com seus doces (Arquivo pessoal)
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Antigamente, o caixeiro viajante era o profissional que viajava pelas cidades, normalmente vendendo produtos manufaturados e fazendo entregas a pedido de pessoas e empresas. O termo caiu em desuso, mas a profissão, mesmo com algumas características diferentes, resiste. Ainda hoje, para que um produto chegue às prateleiras dos mais diferentes tipos de comércio na região, é preciso que pessoas criem uma rotina de trabalho que envolve deixar seus lares e partir para a estrada. Entre idas e vindas, esses trabalhadores percorrem quilômetros que seriam suficientes para fazer uma viagem internacional, como o representante comercial Sérgio Campos, que, sem sair de perto de Rio Preto, viaja tanto que daria para chegar à América Central.

Ele vende roupas para marcas de confecções femininas em toda a região e em regiões vizinhas. Morador de Rio Preto, ele percorre de sete a dez cidades por semana, contabilizando, ao final do mês, uma média de 30 municípios visitados.

Além das cidades próximas a Rio Preto e Catanduva, o profissional atende as regiões de Barretos, Taquaritinga, Ibitinga, Lins, Araçatuba, Ilha Solteira e Santa Fé do Sul. "Eu trabalho com coleção, portanto faço o pedido e a empresa entrega", conta o rio-pretense, que passa pelo mesmo cliente uma vez a cada dois meses.

A profissão acabou acontecendo na vida do representante, que se descobriu no ofício. "Foi muito bom entrar nesta profissão. Confesso que acho arriscado ficar na estrada, claro, mas com muito cuidado dá tudo certo", explica. Para se organizar no serviço, ele agenda antecipadamente o local que tem de ir e organiza seu roteiro de viagem, que soma, por mês, 5 mil quilômetros percorridos, distância equivalente a uma viagem de Rio Preto a países da América Central, como Nicarágua e Costa Rica.

Já a rio-pretense Poranga Ynohaie de Domenico Magalhães é promotora de uma marca de cosméticos. Há 12 anos, trabalha abastecendo lojas do ramo em Catanduva e Barretos. Para isso, se levanta às 5 da manhã para tomar o ônibus rumo aos seus destinos.

Após passar o dia junto a alicates, esmaltes e inúmeros produtos da linha, ela volta para Rio Preto por volta das 18h, depois de pegar outro coletivo. "A empresa paga as passagens e pede que viajemos de ônibus, pois acham menos perigoso", conta.

Por semana, Poranga passa aproximadamente 14 horas dentro de um ônibus para chegar ao trabalho, o que resulta em uma jornada de 56 horas mensais e 672 horas por ano. Para ela, a rotina já é costume e a cada dia ela vive uma nova aventura.

Outro exemplo de viajante da região é Fabrício Vieira Perozi, morador de Catanduva que, há 16 anos, viaja com sua Kombi pela região para abastecer bares, mercados, restaurantes e mercearias com doces industrializados.

O ofício foi herdado do pai e, por semana, Fabrício percorre pelo menos dez cidades entre Catanduva e Rio Preto. Ao sair de casa, ele conta com a fé em Deus e muita dedicação para sobreviver aos perigos da estrada. "Qualquer trabalho tem seu risco, basta você tomar cuidado e fazer tudo corretamente que dá certo", disse.

Pé na estrada

No trabalho, o motorista Themer Rodolfo da Silva Cruz tem de encarar quatro horas de viagem. Com duas folgas na semana, o morador da região de Rio Preto vai de ônibus até a usina de açúcar e álcool, em Guapiaçu, para conduzir o caminhão de transbordo até áreas rurais de diversos municípios da região e de regiões vizinhas.

O trabalho foi uma forma que ele encontrou para melhorar a renda, mesmo reconhecendo os riscos de exposição à estrada diariamente. "É uma rotina cansativa, mas como a necessidade é maior a gente se arrisca e acaba se acostumando", conta.

Em um mesmo dia, 13 cidades diferentes

Rosalvo é entregador e percorre 350 quilômetros todos os dias (Arquivo pessoal)
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Rosalvo é entregador e percorre 350 quilômetros todos os dias (Arquivo pessoal)

Rio Preto, Mirassol, Cedral, Potirendaba, Uchôa, Ibirá, Urupês, Elisiário, Novo Horizonte, Itajobi, Catanduva, Pindorama e Santa Adélia. Em um único dia, o entregador Rosalvo de Andrade passa por pelo menos 13 cidades da região.

Tendo o carro como principal instrumento de trabalho, seu serviço é, há oito anos, buscar peças para oficinas, pegar exames em laboratórios, entregá-los em consultórios médicos, pagar faturas, pegar e entregar encomendas e até levar ramalhetes e pelúcias para os apaixonados.

Para isso, ele sai de Urupês, onde mora com a família, de segunda a sexta pela manhã, lista as encomendas diárias e sai pela estrada afora, enquanto, pelo celular, recebe outros pedidos ao longo do dia.

"Há dias em que eu saio às 8h, volto na hora do almoço e depois percorro o mesmo trajeto novamente, voltando só à noite para casa", conta o profissional, que revela amar o que faz. "É muito bom fazer esse serviço, pois você não tem uma rotina fixa e passa a conhecer pessoas e lugares novos todos os dias", afirma.

No entanto, o motorista reconhece que o serviço não é fácil. "É perigoso, pois a gente vive nas estradas, mas amar o que faz é o que importa", contou o urupeense, que, para garantir a segurança, investe na manutenção preventiva do veículo, já que, por dia, ele percorre, em média, 350 quilômetros, distância que levaria um motorista de Rio Preto ao município de Campinas.