Diário da Região
SEM RESPOSTA

Polícia diz que jovens desaparecidos em Rio Preto foram alvos de vingança

Nesta sexta-feira, 25, completa um ano do desaparecimento deles

por Joseane Teixeira
Publicado em 23/08/2023 às 20:21Atualizado em 24/08/2023 às 08:24
Felipe Gabriel Castro da Conceição e Vinícius Jacob Mácario desapareceram em 25 de agosto de 2022 (Reprodução/Redes Sociais)
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Felipe Gabriel Castro da Conceição e Vinícius Jacob Mácario desapareceram em 25 de agosto de 2022 (Reprodução/Redes Sociais)
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“Onde disseram que meu filho poderia estar, eu procurei. Qualquer lugar que tivesse terra mexida eu revirei. Em um ano, desenterrei muitos bezerros e cachorros atrás do corpo dele”. O desabafo é da porteira Miriam Jacob de Almeida, que não tem mais esperança de encontrar com vida o filho Vinícius Ricardo Jacob Macário, de 22 anos. Nesta sexta-feira, 25, completa um ano que a moradora da Vila Elmaz saiu para trabalhar e falou com o primogênito pela última vez.

Vinícius desapareceu no mesmo dia que o adolescente Felipe Gabriel Castro da Conceição, de 17 anos, de quem era amigo. A descoberta aconteceu por acaso, enquanto as mães esperavam atendimento na delegacia.

O caso é investigado como homicídio pelo delegado Alceu Lima de Oliveira Júnior, da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic). Segundo as investigações, um dia antes do desaparecimento, Felipe e Vinícius teriam atirado contra outros dois rapazes no bairro Renascer. Um deles morreu e o outro, apesar de também ter sido atingido, acabou sobrevivendo.

“As investigações apontam que Vinícius e Felipe possivelmente foram atraídos por alguém, ou algum grupo, que tinha intenção de vingar a ação cometida por eles. Várias foram as tratativas para obtenção de informações que levassem ao encontro de ambos ou mesmo da identificação de eventual corpo encontrado em outra região, porém, sem o esperado resultado. Por muitas vezes a equipe fez contato com policiais da região suspeita de onde o crime foi cometido, e da mesma forma não se obteve êxito. O procedimento investigativo aguarda laudo requisitado para finalização e representação por medidas Judiciais e administrativas”, informou em nota o delegado.

Miriam disse que tomou conhecimento do envolvimento do filho na “guerra de bairros” após o desaparecimento dele.

“Jamais tive problemas com o Vinícius na escola ou na polícia. Ele trabalhava no mesmo local que eu e nunca faltou ao trabalho. Mas depois do desaparecimento dele, notei que ele teve amigos mortos nessa guerra. Disseram para mim que ele estava pilotando a moto no homicídio do bairro Renascer. Tudo o que sei sobre ele é pela boca dos outros”, afirma.

Ela conta que, junto com a mãe de Felipe, Carmen Castro, esteve várias vezes na sede da Deic, tanto para compartilhar pistas quanto para saber sobre o andamento das investigações.

Nesse período, a mãe de Vinícius recebeu várias informações desencontradas sobre o paradeiro do corpo do filho. “Empenhei uns 10 amigos dele para procurarmos. Já fomos no córrego da Anta, percorremos toda a margem do rio Preto, fomos na Vila Azul. Onde tinha terra remexida a gente procurava”, diz.

Miriam acredita que, se o filho estivesse vivo, já teria mantido contato com a família. “Nós tínhamos uma relação de afeto”, justifica.

O carro que Vinícius utilizava no dia do desaparecimento foi encontrado poucas horas depois, no bairro Marisa Cristina. O veículo estava devidamente estacionado e trancado. Com uma chave reserva, Miriam abriu o veículo e encontrou o RG de Felipe Gabriel dentro do carro.

Também no mesmo dia, policiais militares encontraram a moto do adolescente, que era nova e ainda estava sem emplacamento, em uma estrada de terra atrás ao lado do Residencial Garcia. O celular dele, que estava em casa, foi entregue ao delegado e submetido a perícia. Felipe já cumpriu medida socioeducativa na Fundação Casa.

A reportagem tentou contato com a mãe dele nesta quarta-feira, 23, mas o telefone dela estava desligado.