Não vá para a cama magoado
Dormir depois de uma briga não é recomendado, pois vira uma bola de neve
Discussões fazem parte de qualquer relacionamento, infelizmente. É ingenuidade romantizar o casamento achando que fugir das brigas é a melhor maneira de deixar o envolvimento amoroso harmônico. Mas o truque é saber que é importante resolver o conflito que chateou o casal quando os ânimos estiverem mais calmos. Os especialistas afirmam ainda que não é bacana dormir de cara amarrada.
As psicólogas Denise Miranda de Figueiredo e Marina Simas de Lima, do Instituto do Casal, afirmam que uma das explicações para resolver os problemas está relacionada à consolidação das memórias que ocorre durante o sono. "A capacidade de apagar as memórias emocionais ruins é fundamental para a saúde mental. Porém, quando registradas em nossa mente, elas podem ser mais resistentes ao esquecimento", afirma Marina.
Um estudo, publicado na revista Nature Communications, descobriu que as memórias negativas que foram consolidadas durante o sono mantinham-se mais resistentes à supressão e mais facilmente reativadas. "Isso quer dizer que quando vamos dormir brigados com o(a) parceiro(a), os sentimentos ruins ficam registrados em nossa memória e podem ser mais facilmente lembrados e reativados em outras situações; fica mais difícil superar o conflito, porque a todo o momento essa lembrança pode vir à tona, ficamos ruminando esse sentimento ruim", explica Denise.
Dormir brigado também amplia a raiva. Quando não gerenciada, no entanto, ela pode acarretar mágoa e frustração. Além disso, quando as pessoas não têm espaço para expressar a raiva de maneira construtiva, o cortisol aumenta e enfraquece o sistema imunológico. A raiva reprimida não permite ao corpo finalizar as respostas desencadeadas, interferindo na capacidade do organismo de se acalmar e voltar ao seu equilíbrio.
A neuropsicóloga Thaís Quaranta afirma que sentir raiva é normal depois de uma briga. Mas, quando a emoção é constante e fica fora de controle, é um sinal de alerta. "Há pessoas que aprenderam a reprimir a raiva porque foram ensinadas que se trata de um sentimento negativo. Assim, acabam não sabendo expressá-la de uma forma funcional. O que nem todo mundo sabe é que a raiva reprimida pode se transformar em vários outros sentimentos, como culpa, remorso, rejeição, frustração e até mesmo em doenças físicas e psiquiátricas."
Heloísa Capelas, autora do livro "Perdão, a revolução que falta", afirma que o perdão é processo que deve ser praticado diariamente. "Perdoar nem sempre é simples, embora seja o único caminho para a libertação. Esquecer o que aconteceu não é fácil. Temos a sensação de que perdoar seria demonstrar que a nossa dor não vale tanto assim e, desta forma, entramos em um ciclo que alimenta a vingança e o próprio sofrimento e ressentimento", afirma.